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VIDA ► Só para lembrar: aborto é crime hediondo

Provavelmente o maior crime que um ser dito humano possa cometer é o de matar a sangue frio um irmão que não tem a menor chance de defesa.

O aborto é um crime torpe, covarde, bárbaro.

Coisa de uma sociedade incivilizada.

Durante muitos anos – e ainda hoje – o aborto foi transformado em uma das bandeiras do movimento feminista, sob argumentos e/ou pretextos jamais calcados na humanidade e nos caminhos do Bem.

O mote sempre esteve mais para a linha do “Vamos queimar os sutiãs!”, “Woman power!” ou “Liberdade para a mulher!”.

A discussão da descriminalização do aborto, em pauta novamente devido à mais que discutível decisão do STF de que aborto de feto sem cérebro não é crime, é prova de que nossa sociedade ainda está longe de um nível de civilização com que sonhava-se para o século 21.

Entendo que haja até um certo viés da discussão em que se pode tolerar o “pensar” em legalizar o aborto.

Durante os anos que trabalhei na Fiocruz, seja como estagiário da Comunicação Social ou a serviço do Canal Saúde, tive acesso a muito material sobre a questão do aborto e da saúde da mulher.

E muito me impressionou a ignorância das mulheres de baixo acesso à informação, perdidas pelos rincões deste nosso imenso país, que, desesperadas com a gravidez não desejada e sem vislumbrar condições financeiras ou morais de levá-la adiante, apelavam para métodos dantescos para tirar aquela pobre alma de seu corpo.

Muitas vezes com o custo da própria vida.

Sob esse ponto de vista, até por questões humanitárias, por mais paradoxal que possa parecer, é possível entender quem defenda a descriminalização do aborto, sob o argumento um tanto torto de que, em vez de uma vida, desse modo perde-se duas: a do bebê e a da mãe.

Uma possível legalização ou brecha na legislação, para casos assim, faria essas mulheres terem onde se socorrer e evitar a gestação sem se matarem.

Por isso há muita gente que não reputo de mau coração que apela para esse “mais vale uma vida na mão que duas voando”, derivação do antigo ditado.

Discordo, mas, nesses casos, até respeito.

Só que essa situação triste acima nunca pareceu estar no cerne do movimento pró-aborto. Assim como as situações de exceção em que a gestante corre risco de morte se levar a gravidez adiante. Em geral, o discurso é na base do direito-da-mulher-decidir-o-que-fazer-com-seu-corpo e afins.

O que vai de encontro à máxima inviolável de uma sociedade democrática e civilizada: o seu direito termina onde começa o do próximo.

O próximo, aqui, neste caso, é o bebê gerado.

A causa acaba se tornando apenas uma questão de vaidade, de autonomia, de liberdade de agir sem se preocupar com consequências. Nada a ver com falta de condições de qualquer espécie para criação. Pouco a ver com saúde. Tudo a ver com a mesquinhez da alma humana.

Não sei se você conheceu mulheres que fizeram aborto. Ou, se for mulher, se chegou a cometer esse crime.

Eu conheci. Amigas.

Posso lembrar alguns casos, sem citar nomes, claro, ligados por um elo comum.

Um deles, uma universitária, ali na casa, que eu me lembre, dos 16, não mais do que 17 anos, havia feito sexo sem proteção com um cara apenas porque a melhor amiga também havia feito. Claro que ter um filho não estava nos planos. Faculdade por terminar, cursos por fazer, trabalho a procurar… O cara, que eu saiba, nunca soube.

Outra, hoje jornalista de certo nome, na época recém-formada, finalmente conseguira realizar o desejo de dormir com uma pessoa que tanto desejara. O desejo foi tanto que não pensou em se proteger. E depois, até inconscientemente, entrou em depressão pelo assassinato cometido. Pessoa muito esclarecida. Total acesso à informação. Mas por que pensar em prevenção se há sempre um açougue humano por aí à disposição? Dinheiro não era problema.

Uma professora, já balzaquiana, por sua vez, lamentava não conseguir engravidar e ela mesmo diagnosticava a causa: os vários abortos que cometera na juventude. Sabe como é: anos 70/80, discoteca, amizades coloridas, drogas… Agora, casada, estabilizada emocionalmente, não conseguia realizar o sonho de ser mãe. Triste ironia: seu corpo agora abortava espontaneamente. Menos mal que, aqui, a história teve um final de certa forma feliz, com a professora adotando uma linda criança. Foi o certo escrito por linhas tortas. Bem tortas.

O elo comum? Nenhuma delas praticou o aborto por falta de condições financeiras ou pela gravidez representar algum risco à saúde.

Todas o fizeram por egoísmo mesmo.

Protótipos bem estereotipados da mulher moderna, feminista, que tem a seu dispor inúmeros meios de se prevenir de uma gravidez indesejada.

Mas ainda há finais felizes na vida. E como há!

Como no caso de uma querida amiga, que me apareceu certa noite triste, mal contendo as lágrimas, cheia de dor, por haver engravidado quando já não havia como sustentar o casamento. Como estava para se separar, pensava em tirar o bebê de seu ventre.

Me partiu o coração vê-la assim, pois era uma pessoa maravilhosa, das melhores que conheci.

Não merecia carregar esse carma.

Não sei se nossa conversa teve alguma relevância em sua decisão. Procurei apenas argumentar que o bebê não tinha culpa alguma da irremediável desavença entre os pais. Uma coisa nada tinha a ver com a outra e a iminente separação não justificava tal ato extremo.

Graças a Deus, ela tomou a melhor das decisões: largou o marido e ficou com o filho.

Prova de que um bom coração sempre tende a tomar a melhor das decisões. Basta abrir a alma e pensar com ele, o coração – e não com a cabeça cheia de vicissitudes impostas por uma sociedade ainda envolta em trevas morais.

É por aí que passa minha opinião.

*** *** ***

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Categorias:Brasil, Vida Tags:
  1. 19 de junho de 2012 às 5:59

    Outro estudo, do Royal College of Psychiatrists , a associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses, considerou que o aborto induzido pode trazer distúrbios clínicos severos para a mulher, e que essa informação deve ser passada para a mesma, antes da opção pelo aborto. Esse estudo foi repassado à população pelo Jornal Britânico Sunday Times .

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