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FUTEBOL ► Lincoln quebrou Bottinelli no treino do Coritiba por absoluta força de hábito

patolino_cartao_vermelho_2Veja bem: não uma força de hábito que o Lincoln por ventura tenha de quebrar os adversários.

Mas a força do hábito de ver uma entrada criminosa, uma tesoura, ocorrer a três por quatro nos campos Brasil afora, ser vista como um lance normal e o agressor ficar praticamente impune no futebol brasileiro.

Quando Dona Fifa, há alguns anos (mais que alguns, na verdade), tomou uma de suas raras boas medidas, recomendando a aplicação sumária do cartão vermelho em lances como esse, não foi sem razão.

Uma tesoura por trás é algo absolutamente covarde. Não há como a vítima se defender. O jogador atingido fica extremamente sujeito a uma série de lesões graves, das quais a fratura, por incrível que pareça, nem é a pior delas.

Veja o lance do treino do Coritiba que está correndo o mundo via YouTube, de dois ângulos diferentes:


Não acho que Lincoln seja propriamente um jogador violento. O que impressiona no lance, inclusive, é que ele entra na jogada com extrema naturalidade.

É um lance perdido numa lateral do campo de defesa do adversário e Lincoln vai e estupidamente tesoura Bottinelli, aparentemente apenas para matar a jogada.

Sem se importar se isso vai ou não matar – ou aleijar – o colega de profissão também.

Repare que não há na expressão de Lincoln qualquer aparente afã de “chegar junto”, “dividir”, “quebrar” ninguém. Ele derruba e sai normalmente sem sequer perceber o grau de gravidade de sua ação.

Isso só ocorre por uma questão de condicionamento.

Ou melhor: de mau condicionamento.

Se essas entradas fossem naturalmente punidas com o cartão vermelho SEMPRE, nem em treino elas ocorreriam, porque ninguém treina algo que não poderá aplicar.

Assim os jogadores de futebol estariam condicionados a jamais aplicar uma tesoura por trás em um colega de profissão.

Infelizmente, porém, no Brasil os jogadores estão (mau) condicionados a derrubarem o adversário de qualquer jeito, mesmo com uma tesoura, sempre um entrada criminosa, por saberem que, provavelmente, receberão apenas um cartão amarelo – se ainda estiverem com a ficha limpa naquela partida.

Dependendo da camisa que vistam e de quem apita, nem isso.

Parece até uma lei tipo “derruba primeiro e pergunta depois” ou “adversário bom é adversário no chão”.

Mesmo que a pergunta tenha que ser feita num hospital.

E aí tome de comovidas desculpas pra lá e pra cá…

Mesmo em treino.

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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