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FLUMINENSE ► Fred, contusões e casuísmos

fred_contusãoCasuísmo, segundo uma das acepções do Houaiss: “Argumento ou medida fundamentada em raciocínio enganador ou falso, esp. em direito e em moral, e baseada muitas vezes em casos concretos e não em princípios fortemente estabelecidos.”

Pois é. No jornalismo, podemos também chamar de “lei do menor esforço”. Esforço mental. Pensar pra quê?

Ontem o Fluminense derrotou o Resende por 2 x 0 em Volta Redonda, partida válida pelo preparatório Campeonato Carioca. É o melhor que se pode dizer de hoje certos torneios regionais perdidos em um calendário sem tempo decente para uma pré-temporada.

Enfim… No meio da semana o Fluminense enfrenta o Grêmio em Porto Alegre pela Libertadores. Jogo importante, mas longe de ser decisivo – como o clichê jornalístico teima em rotular.

Como dito antes, pensar pra quê? O jogo é importante, mas nem tanto, não decide nada.

Seguindo: no duelo contra o Resende, o Fluminense provavelmente perdeu Fred para o jogo no Sul. Rhayner e Valência saíram contundidos e também são dúvidas.

Bastou para que muitas vozes na imprensa bradassem contra a “irresponsabilidade” tricolor de escalar titulares para jogo de um torneio que “não vale nada”.

Deus me perdoe a maledicência, mas quanta asneira, quanta bobagem, quanto casuísmo…

Como se vê na definição de Houaiss, opiniões feitas em cima de fatos, sem qualquer preocupação com o contexto. Ou sem sequer uma preocupação profunda com os próprios fatos.

É como aquele monte de profissionais de imprensa esportiva que define atuações de times e jogadores pelo resultado da partida. Todos sabemos como funciona: venceu, foi bem; perdeu, foi mal. Fracas atuações no time que vence garantem uma nota 7 da vida, enquanto qualquer um que tenha atuado bem na equipe derrotada receberá, no máximo, um 6,5, por aí.

Esse caso de Fluminense, Fred e Grêmio é típico.

Não é nem questão de se prender a argumentos, mas a fatos. Desde que se queira dar o trabalho de pensar e interpretar os fatos.

Se o Flu escalasse os reservas, seria criticado, especialmente em caso de mau resultado na quarta-feira, pois o time jogaria contra o Grêmio estando já há 11 dias
sem entrar em campo, provavelmente sem ritmo de jogo adequado.

Então o Flu tinha mais é que colocar seu melhor time, que atuara pela última vez uma semana antes. Tempo mais que propício para a recuperação física dos atletas – atletas, aliás, que precisam parar se der tratados como coitadinhos, né?

Pois o Flu entrou no Raulino de Oliveira com o que tinha de melhor e Fred saiu de campo logo aos 6 minutos, num lance que poderia ter ocorrido em um aquecimento de vestiário: um salto, uma dor no joelho. Lá para o fim da partida, Rhayner e Valência sentiram lesões musculares e também deixaram as quatro linhas antes do apito final.

E daí? Para mim, que acompanho futebol há mais de 40 anos, isso faz parte do jogo.

Para muitos jornalistas “especializados”, erro da comissão técnica tricolor.

Puxa vida, será que esses “esforçados” profissionais de imprensa não poderiam parar para pensar um pouco?

Wellington Silva, Thiago Neves, Marco Junior, Wellington Nem, Diguinho… Só aí, sem forçar muito a memória, cinco importantes jogadores do plantel tricolor fora de combate devido a contusões em simples treinamentos em Álvaro Chaves.

Ora, será que a solução agora é colocar jogador de futebol na cristaleira e só tirá-los de lá para entrar em campo em partidas “importantes”?

Eu até respeito alguns homens de imprensa, como Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil.

Aliás, um parágrafo para dizer que as pessoas precisam aprender a respeitar opiniões contrárias. Discordar não é falta de respeito, assim como gostar de um comentarista (que é o caso aqui) não significa concordar com tudo o que ele diz. Muitas vezes, acontece até o contrário.

Continuando, acho que o Mauro foi pífio ao criticar o Fluminense e ignorar o contexto. Falha maior: citou o caso do Real Madrid (e eu acrescentaria, seguindo o argumento dele, o PSG), que poupou o mundo na rodada deste fim de semana do campeonato espanhol visando a partida da Champions League da quarta-feira que vem, após ter jogado na quarta-feira passada.

Acho que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Situações completamente diferentes.

Os times europeus estão em final de temporada, ritmo jogo pleno e músculos gastos. Os times brasileiros, ao contrário, ainda buscam seu melhor ritmo, precisando jogar para encontrar o entrosamento desejado. Portanto, não vejo sentido na comparação.

Melhor seria comparar com o Atlético Mineiro, por exemplo. Time bambambã do momento, 100% na Libertadores, o Galo entra em campo escalado pelo ótimo técnico Cuca com todos os seus titulares tanto na Libertadores quanto no Campeonato Mineiro.

E aí? Está errado o Cuca?

Portanto, criticar o Flu pela contusão de Fred me parece puro casuísmo. Na minha modesta opinião, o jornalista esportivo – o comentarista em especial – tem que ter a humildade de saber que ele não precisa – nem pode – ter resposta para tudo, até porque não há resposta para tudo.

Tanto no futebol como na vida.

*** *** ***

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