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IMPRENSA ► A morte de Nelson Ned e a imprensa nacional: o idiota não é você, rapaz…

08 mar

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“Sério, eu literalmente NUNCA tinha visto esse Nelson Ned na
minha vida. De repente ele morre e td mundo conhece.
Tô me sentindo um idiota.”

A frase acima foi postada na internet por um jovem brasileiro quando da morte, no início do ano, de um dos mais populares cantores do país: Nelson Ned.

Popular de verdade, não desses de araque que meteram a mão grande no rótulo de MPB a reboque de uma elite submissa culturalmente a padrões estrangeiros e nacionalmente preconceituosa.

Por ser popular de verdade e não fruto da mídia comprometida com tudo menos informação, muitos se surpreenderam com a repercussão internacional da morte do grande cantor, especialmente na América Latina.

Enquanto aqui na maioria dos portais a morte de Nelson foi quase nota de rodapé, dada a repercussão a que faria jus tal acontecimento, veja por exemplo a capa do portal do jornal El Universal, o maior do México e um dos maiores da América Latina:

nelson_ned

Reparou? Em destaque, dividindo espaço com Eusébio, o Pantera Negra, o fabuloso atacante português, um dos maiores futebolistas da História, falecido na mesma data.
Já aqui, no Brasil, a morte de Eusébio mereceu destaque maior. Basta pesquisar para comprovar isso.

Mas Nelson Ned jamais precisou de mídia para fazer sucesso no seio do povo brasileiro, aquele povo autêntico, não o que vive simulacros de padrões impostos por décadas de adestramento cultural.

E daí volto à frase entre aspas com a qual abri o post.

Eu a encontrei em uma página cubana que noticiava a morte de Nelson Ned. Havia dezenas de comentários lamentando e lembrando como o artista marcou suas vidas. Até Yoani Sánchez – aquela cubana que particularmente não gosto nem acredito – escreveu falando com carinho e de como os pais gostavam do cantor brasileiro.

Mas entre os comentários, o que mais me chamou a atenção foi esse de um jovem brasileiro, bastante honesto por sinal: “Sério, eu literalmente NUNCA tinha visto esse Nelson Ned na minha vida. De repente ele morre e td mundo conhece. Tô me sentindo um idiota.”

O gancho “sério” do início é porque antes ele já postara estranhando a repercussão da morte de um brasileiro do qual ele nunca ouvira falar e por quem tantos fora do país lamentavam.

Uma outra jovem também postou: “Se fosse só você, eu tô me sentindo uma inútil.”

Pois caros jovens: nesse caso ao menos, vocês não são idiotas nem inúteis.

Idiota e inútil é a imprensa do Brasil, que faz o país inteiro conhecer todo tipo de lixo nacional e internacional (nem vale a pena gastar teclas com nomes de exemplo) – desde que isso reverta em vantagem para ela. Ou seja: desde que venda.

Porque imprensa no Brasil é negócio e o que importa é vender mesmo. Mesmo que seja lixo. Afinal, um consumidor adestrado como o daqui nem percebe o veneno que lhe é enfiado goela abaixo.

E os comentários desses dois jovens atestam com estúpida clareza como a mídia brasileira é inepta e cretina, além de desrespeitosa a um tal de “compromisso social do jornalista” a que todo profissional da área, teoricamente, se comprometeu um dia a respeitar em juramento.

Isso, claro, considerando que jornalista faz faculdade, se compromete com alguma coisa e respeita juramentos.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 8 de março de 2014 em Brasil, Cultura, Imprensa

 

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