Início > Carnaval, Rio de Janeiro > CARNAVAL ► Fazer o quê? Mais uma transmissão ruim da Globo, qual a novidade?

CARNAVAL ► Fazer o quê? Mais uma transmissão ruim da Globo, qual a novidade?

obatuqueA transmissão da Globo… Mais uma. O que dizer de diferente do que todos comentam nos bastidores do samba sobre mais uma transmissão que a Rede Globo de Televisão fez dos desfiles do carnaval carioca na Marquês de Sapucaí?

Pois é, agora ainda tem isso: transmissão global de TODOS os desfiles da Sapucaí, exceto o das crianças na Terça-Feira Gorda.

Foi ruim. Muito ruim. Como de hábito. Mas acho que ainda pior.

Enfim, tudo aquilo que se preza numa transmissão de desfile de escolas de samba foi definitivamente ignorado pela Globo: esquenta, entrada, análises… Esquece.

A ordem parece que foi “oba-oba” tudo é lindo e maravilhoso, vamos festejar!

O mínimo que se pode dizer – e que ilustra bem o nível da coisa – é que teve Fátima Bernardes sambando…

É o que digo: não acredito que as pessoas que gostam de escola de samba (ou do que resta delas) – como eu – queiram saber da cara de quem está fazendo a transmissão de um desfile.

É muito chato ficar falando mal. Mas deixo claro que sempre me refiro aos profissionais que atuam na transmissão, não aos cidadãos.

Se torna um tanto repetitivo quando qualquer pessoa do mundo do samba, alguém que acompanha, que vive, que aguarda o carnaval com ansiedade, comenta uma transmissão da Globo. Só aqui neste espaço já comentei outras vezes (leia aqui, aqui, aqui e aqui).

Minha esposa diz que sou chato. Mas, sério, me diz se não tenho razão? Eu confesso: fico chato mesmo.

Uma transmissão praticamente zerada em análise e repleta de irrelevâncias (o que fez Eri Johnson ali? Quanto se ganha para nada?) até se entende.

Afinal, não é objetivo da emissora satisfazer sambista. Óbvio que não.

O pior é a falta de compromisso com o básico do jornalismo, a informação. O pior é a desinformação. A ignorância. O descaso. O trabalho “nas coxas”. E o desrespeito.

Apenas dois exemplos do pouco que ouvi (com som, o tempo todo, definitivamente, não dá, não consigo):

  • Desfile do Grupo de Acesso (ou seja lá que nome tenham inventado para ele agora). O caricaturista Lan é o enredo da Renascer de Jacarepaguá. Passa uma ala de burrinhas, pois foi numa ala como aquela que Lan conheceu sua esposa quando o Salgueiro sagrou-se campeão em 1967 com um enredo sobre o Rio de Janeiro – isso segundo a repórter, claro, pois a História diz outra coisa.Nem é preciso ser bambambã em História, basta acompanhar carnaval. Na hora comentei: “Sério isso? O Salgueiro foi campeão com o Rio de Janeiro em 1965, quando todas as escolas tiveram a cidade como tema, por conta do 400º aniversário.” No caso, o Salgueiro fez de seu enredo o livro de Eneida de Moraes “História do Carnaval Carioca”.Aí a esposa manda um “deixa de ser chato”. É, tudo bem, qualquer um pode se enganar. Mas pouco depois entra outro profissional da emissora mandando algo assim: “Agora vem a ala dos pierrôs, também uma referência àquele carnaval de 1967 ganho pelo Salgueiro”. E é claro que tenho que ser mais chato ainda.

    Até porque existe um tal de ponto eletrônico num negócio chamado televisão que permite que alguém corrija um ou outro equívoco que naturalmente possa ser cometido numa transmissão ao vivo. Só que a reincidência no erro nos permite imaginar que ou ninguém presta atenção no trabalho ou ninguém ali sabe nada sobre carnaval.

    Não acho nada demais se confundir ali no “ao vivo”. Só que parece não haver atenção em lugar algum na equipe para fazer essas correções. Isso sim é grave: a não correção da informação. A desinformação.

    Não sei se mais tarde foi corrigida a informação errada (será?), mas não fiquei esperando/ouvindo para saber: controle remoto já!

  • Desfile da União da Ilha pelo Grupo Especial. Como é a escola de minha comunidade, para a qual torço, me submeto anualmente ao sacrifício de ver e escutar a transmissão inteira. Pois bem. Os narradores deitam falação, animados, sobre o desfile. Aquela coisa de “olha isso”, “lindo aquilo”, etc. Até que a imagem acompanha em destaque, em primeiríssimo plano, quase em close, um senhor num carro alegórico que passa na tela. Não é por eu ser da Ilha, mas acho que a maioria das pessoas que acompanham as escolas podia imaginar que se tratava de Paulo Amargoso, fundador e ex-presidente. E a imagem o acompanhou por um bom tempo, até o carro sair de quadro.E durante esse tempo que a tela mostrava Paulo Amargoso, fez-se um silêncio constrangedor na transmissão. Os narradores se calaram. Tipo: “Quem é esse cara?”Pensei: “Caramba, daqui a pouco o Milton Cunha vai ter que explicar quem era.”

    Milton Cunha, diga-se de passagem, única presença relevante na transmissão.

    Dito e feito: sentindo o “clima”, Milton explicou: “Esse senhor que acabamos de ver em destaque na imagem é Paulo Amargoso, fundador da União da Ilha.”

    É de fechar o pano, não?

    Daí rolou um clima de “ahhhh” e logo, sinopse e pautas à mão, discorreram algumas informações sobre o renomado baluarte.

    Chato como sou, acho que não dá. É como aparecer um Pelé numa transmissão de futebol e ninguém o identificar.

Do pouco que me sujeitei a ouvir, foi nesse nível. E fora a desinformação, o desrespeito.

Lá ainda no desfile do Grupo de Acesso, ficou claro o que ocorreria durante as transmissões seguintes. Uma repórter me aparece em tela, no meio da pista, durante o desfile, na frente de uma ala, a acompanhando e entrevistando um componente!

Parecia o falecido “Globo Cidade” numa daquelas tão famosas matérias sobre buracos nas ruas do Rio…

Eu acho assim: se você manda sua equipe para o meio de um desfile entrevistar componente, mostrar detalhe de carro alegórico, coisas que devem ser feitas ainda na concentração, você não entende ou não dá a mínima para a liturgia das escolas de samba. Você não respeita. Talvez porque não entenda.

E vai continuar assim, porque as escolas se sujeitam a isso. Através de seus dirigentes, não se dão ao respeito.

Quanto à Globo, não adianta que, por si só, não vai deixar seu jeito narciso de ser, de quem parece adorar se admirar à frente do espelho, mostrando a todos como suas coisas são maravilhosas, colocando em primeiro plano seus contratados em detrimento do evento que transmite.

Este ano tiraram a Glenda Kozlowski. E puseram Fátima Bernardes em seu lugar. Quando você prensa que não pode piorar…

A insossa Fátima Bernardes poderia ter se espelhado na participação da apresentadora Eliana na boa transmissão que o SBT fez do desfile do grupo de Acesso em 2012, como comentei aqui. Assim saberia como se comportar para não querer aparecer mais que a notícia. Mas não, até “sambar” a mulher sambou.

O impressionante é que a cada ano a transmissão da Globo faz as transmissões da extinta Manchete e da TVE parecerem melhores.

O que com muita liberdade podemos entender  como um exemplo carnavalesco da Teoria da Relatividade.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

Anúncios
  1. Tales
    25 de junho de 2014 às 3:26

    É David. A pior transmissão da história

    Não há mto que se possa falar, mas a do carnaval paulista foi pior ainda horrível. A Globo ignorou a entrada da Mocidade Alegre para entrevistar Ronaldo, e qdo ela se dignou a mostrar, ela já ia faz 30 minutos. Um crime premeditado e covarde dessa emissora.
    Outras coisas que vc não explica é que no carnaval do Rio, a 1a escola já não passa mais e a Globo vem perdendo audiência cada ano.

    Sabe qual é a solução?

    Nunca mais assistir na TV e ir ao sambódromo

    Já reclamei por email, já pedi várias coisas por email, mas a globo não cumpre nada que eu peço. Ninguém da Globo tem peito de falar o que está acontecendo. Cada ano ficava mais preocupado.

    Quero que a Globo e todo mundo dela vá pro quinto dos infernos!!!!!!!!!

    Curtir

  2. Zeidon
    27 de setembro de 2014 às 12:53

    A Globo ignorar as finais da Série A, como tá fazendo agora. nem anunciar o nome dos compositores campeãs de cada escola, tá falando. durante o Carnávalia, tinha uma executiva global dizendo que e por quê era longe, como. já que eles passam as finais do Especial e além de que não fazem vinhetas para as escolas da Série A, só para o Especial, que mesmo assim e de 10 min.

    Curtir

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: