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FUTEBOL ► A reeleição de Rubinho e a falácia da democratização do futebol nos anos 1970

quadro_negroNesta semana, Rubinho (Rubens Lopes) será reeleito por aclamação presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Não há chapa de oposição.

Às vésperas do pleito, Flamengo, Fluminense e Vasco decidiram se unir para não apoiá-lo e cobrar mudanças no futebol fluminense.

Absolutamente em vão, ação que serve apenas para marcar posição. Segundo eles, a federação escondeu a data do pleito até quando pôde para que não houvesse tempo para o lançamento de uma chapa de oposição.

Mas não é exatamente sobre isso que quero escrever. Nem sobre os motivos dos grandes clubes compactuarem ou se omitirem por tanto tempo em relação à presidência da FFERJ ou o porquê deles se unirem e quererem agir agora.

Escreverei, sim, sobre o atualmente tão criticado sistema de votos da federação.

Se juntos votassem contra Rubinho, Flamengo, Fluminense e Vasco somariam 24 votos, num universo de 264.

No atual sistema, o voto é qualitativo, mas nem tanto. Os votos dos clubes da 1ª divisão têm peso 6, os da 2ª peso 4, os da 3ª peso 2 e peso 1 tem o voto daquela quase infindável quantidade de clubes e ligas amadoras estabelecidas na Era Eduardo Vianna.

Agora, se hoje é ridiculamente assim, com os grandes que geram receita dividindo votos com piscinões (Associação Esportiva Piscinão de Ramos) e colônias psiquiátricas (Colônia Juliano Moreira Atlético Club), grande responsabilidade cabe à imprensa e seu verborrágico e irresponsável discurso pró-democracia lá ainda nos idos dos anos 1970, quando eu ainda era moleque.

Mas Lembro bem as inúmeras discussões nos programas esportivos das rádios.

Naquele tempo, o sistema de votos privilegiava a contribuição e a competência do clube, como numa Taça Eficiência.

Conforme a classificação nas diferentes categorias (profissional, juvenil, infanto-juvenil…), o clube tinha direito a um determinado número de votos. Assim, aqueles que vencessem mais, “votavam mais”.

O que fazia bastante sentido. Afinal, os grandes, que invariavelmente detinham o maior número de votos, eram os clubes que mais investiam nas categorias de base e que maior receita geravam para a federação. Não era absurdo que o Fluminense tivesse direito a 21 votos e o Rosita Sofia a apenas 1.

Mas parte influente da mídia achava isso um absurdo, algo totalmente antidemocrático. Para esses, todos deveriam ter direito ao mesmo voto. E desse modo começou uma verdadeira batalha pela institucionalização do voto unitário. Ou seja: Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Pavunense, Rosita Sofia, Três Coquinhos, todo mundo teria direito a um único e igualitário voto nas eleições da federação.

Muita gente “boa” da mídia ainda por aí e que hoje critica os rumos do futebol nacional defendia essa tese.

E assim foi feito: aproveitando-se a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, estabeleceu-se o sistema de voto unitário. Esse foi o começo do fim do futebol carioca.

Esse sistema permitiu mais tarde a criação de feudos eleitorais extremamente bem articulados e explorados por Eduardo Vianna (que viria a suceder o então presidente da federação Otávio Pinto Guimarães), normalmente acompanhado pela força de bastidores de Eduardo Miranda, o tão questionado dirigente vascaíno.

A união e a sincronia entre os dois eram tão grandes que muitas pessoas, conscientemente ou não, acabavam se referindo a um ou outro ou ainda a ambos através de um híbrido: Eduardo Miranda ou Eurico Vianna.

Mas na época do alvorecer da redemocratização do país, todos acharam linda e maravilhosa a instituição do voto unitário.

Deu no que deu.

Hoje, com o passamento de Eduardo Vianna, um direto discípulo dele e de Eurico Miranda segue comandando o feudo.

Os grandes é que investem mais na formação de jogadores, geram renda de bilheteria e verbas televisivas. Não faz qualquer sentido lógico que seus votos tenham o mesmo peso que os do demais.

O certo é que seja conforme uma das máximas espíritas: cada um conforme sua obra.

É imperativa a volta do voto qualitativo. Que seja feito com base nos resultados nas diferentes categorias. O que não pode é um clube que invista em escolinhas por todo o estado, fraldinhas, mirins, infantis, sub –isso e sub-aquilo praticamente dividir voto e influência com quem jamais disputou uma partida de futebol oficial.

Isso sim não é nada democrático.

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