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POLÍTICA ► Coisas do Nordeste para informar o desinformado Fernando Henrique Cardoso

25 out

nordeste_economiaConsiderando que Fernando Henrique Cardoso seja um homem de bem, apenas desinformado, o que faz suas declarações flertarem – quase ao ponto de consumar relacionamento – com o preconceito, sugiro a leitura de uma matéria (ora, veja só!) do portal UOL.

UOL, do grupo Abril, da família Civita, que sabidamente, digamos, não vai nem um pouco com a cara do Partido dos Trabalhadores, o PT.

Mas que teve o digno discernimento jornalístico para publicar matéria assinada a quatro mãos por Carlos Madeiro e Wellington Ramalhoso sobre os motivos que levam o nordestino a encher as urnas de votos para Dilma Rousseff, assim como o fizera no passado com Lula.

E esses motivos não passam nem um pouco por “pobreza” ou “ignorância”, mas por práticas razões socioeconômicas.

Peço licença democrática, então, para reproduzir esse texto, com devida disponibilização de créditos e do link original, bastando clicar aqui.

É um dos muitos textos na internet que explicam o voto do Nordeste.

E sugiro a FHC que leia.

E, da próxima vez, pense antes de argumentar a respeito, para que não diga coisas que resvalam no preconceito e que não ficam bem na boca de um sociólogo de tamanha graduação.

*** *** ***

Empregos, salários e universidades

 

explicam sucesso de Dilma

 

no Nordeste

 

Carlos Madeiro e Wellington Ramalhoso
Do UOL, em Maceió e São Paulo

23/10/201406h00

Resumir a vitória esmagadora da candidata à reeleição Dilma Rosseff (PT) no Nordeste no primeiro turno ao pagamento do Bolsa Família seria minimizar os avanços em várias áreas obtidos da região neste século.

No primeiro turno, a petista teve uma vantagem de 12,2 milhões de votos sobre o tucano na região. Aécio foi o mais votado no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, mas na soma do país ainda ficou com 8,3 milhões de votos a menos do que a candidata à reeleição, o que mostra a importância do Nordeste na definição do resultado.

As duas pesquisas divulgadas pelo Datafolha nesta semana confirmam o favoritismo da presidente na região no 2º turno. O levantamento mostra que o Nordeste apresenta o maior desequilíbrio entre os candidatos nas intenções de voto. Dilma alcança a marca de 70% dos votos válidos enquanto Aécio não passa de 30%.

Em relação à primeira pesquisa feita pelo Datafolha no segundo turno, entre os dias 8 e 9 de outubro, a vantagem da presidente na região cresceu oito pontos percentuais.

Assim como em 2010, a discussão sobre o “voto nordestino” voltou a ser alvo de críticas nas redes sociais. Logo após a confirmação da vitória de Dilma no primeiro turno, uma série de internautas lançou ataques aos nordestinos na internet.

Além disso, uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao UOL colocou mais lenha na fogueira. “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, afirmou.

Para especialistas consultados pelo UOL, os votos são reflexo do pujante crescimento econômico, das obras e do triplo de estudantes do ensino superior na região.

Segundo o Banco Central, a economia nordestina cresceu 2,55% no segundo trimestre de 2014. Nenhuma região consegue resultado tão expressivo e a tanto tempo seguido. Pela medição do IBGE, a economia do Brasil encolheu 0,6% de abril a junho. 

O crescimento da economia pode ser explicado pelos ganhos econômicos da região. 

Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), entre 2001 e 2012, o nordestino teve o maior ganho de renda entre todas as regiões, o que fez com a participação da base da pirâmide social caísse 66% para 45% –ou seja, mais de 20 milhões de pessoas deixaram a pobreza.

Um dos dados que explicam esse ingresso na classe média é a geração de empregos com carteira assinada. Em 2002, 4,8 milhões de nordestinos tinham emprego formal. No final do ano passado, eram 8,9 milhões. 

Segundo o Carvalho, o Bolsa Família não é que sustenta a maioria dos nordestino, já que existem menos beneficiários que pessoas que recebem Previdência ou emprego formal –que pagam valores bem maiores.

“O Nordeste possui 17 milhões de famílias. Atualmente, são 8,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 8,7 milhões de previdenciários e 7 milhões de famílias cobertas pelo programa Bolsa Família. Ou seja, a renda, ainda que mínima, chega praticamente a todos os domicílios”, explica o professor de Economia da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Cícero Péricles Carvalho.

Veja o desempenho dos candidatos

Dilma vence nas regiões Norte e Nordeste

Com mais dinheiro circulando, o Nordeste também virou alvo de grandes indústrias e redes, com investimentos em andamento superando os R$ 100 bilhões. 

“O fenômeno do consumo massivo dos chamados segmentos populares é mais uma dessas expressões que ajudam a entender o que se passa na região. Neste período, o Nordeste tem recebido muitos investimentos privados e públicos, e o resultado são taxas de crescimento maiores, em média, que as nacionais”, completa Carvalho.

Mais universidades e estudantes

Outro número expressivo é a quantidade de estudantes em cursos superiores. Em 2000, segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Nordeste tinha 413.709 universitários.

Em 2012, esse número saltou para 1.434.825. Com isso, a região ultrapassou o Sul e passou a segunda com maior número de estudantes do ensino superior –20% do total–, atrás apenas do Sudeste.

Nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, 18 universidades federais foram abertas –sete delas no Nordeste, todas fora das capitais.

As universidades contam com unidades em mais de um município. Criada no ano passado, a UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia), por exemplo, tem campi nas cidades de Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas.

Além da Bahia, as novas universidades federais se espalham pelo interior de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, do Ceará e do Piauí. Vinte e oito municípios nordestinos foram contemplados com unidades dessas instituições. Dilma Rousseff venceu em todos no 1º turno.

Em 16 deles, a votação da candidata à reeleição foi mais alta que a obtida no Estado.

Para o cientista político Geraldo Tadeu, diretor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), vinculado à Universidade Cândido Mendes, a presença de universidades tem peso político nas cidades.

“Quando você coloca uma universidade federal numa cidade mais carente, o impacto é muito maior do que numa cidade com mais estrutura. Dá oportunidade de formação sem necessidade de deslocamento para as capitais e gera uma massa salarial de funcionários e professores. Politicamente, faz um divisor muito grande”, afirmou.

Obras

O professor de Ciências Sociais da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) Michel Zaidan lembra que a região também foi contemplada com grandes obras estruturantes.

“O governo Lula mudou completamente o quadro, reintroduziram toda a politica regional no Brasil. Tivemos aqui obras como a transposição do São Francisco, a Transnordestina, o porto Suape, a refinaria de Abreu e Lima, fora todo o conjunto de medidas. Para o nordestino, votar em Dilma é uma escolha racional”, avaliou.

http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/23/empregos-salarios-e-universidades-explicam-sucesso-de-dilma-no-nordeste.htm

– Não reconheço ganhos sociais no governo Fernando Henrique. Reconheço estabilidade da moeda. Lamento que ele não goste quando eu digo que eles proibiram escolas técnicas. Não estou levantando nenhuma inverdade. Foi uma lei que proibia. Durante oito anos, eles fizeram 11 escolas técnicas. Eu tenho orgulho de ter feito, em quatro anos, 208. O Lula fez 214 – disparou Dilma.

E completou:

 

– O (ex) presidente Fernando Henrique disse que o Ciência sem Fronteiras era um programa completamente incorreto. Como é que a gente ia saltar de 8,5 mil para 100 mil (beneficiados)? Ele disse que não ia dar certo porque não íamos achar gente que soubesse uma outra língua para mandar para o exterior. Além de ser uma visão completamente elitista, ele não percebe que uma das coisas que você pode propiciar e assegurar para quem vai (para o exterior) é justamente a aprendizagem da língua.

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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1 comentário

Publicado por em 25 de outubro de 2014 em Brasil, Política

 

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