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BRASIL ► A História se repete como farsa?

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Ou “Eu já vi esse filme”. Ou ainda: “Como uma elite desesperada fomenta um golpe de estado”. Quem sabe “A lei do eterno retorno“. Ou “Topa tudo por poder”.

Escolha o título para o post à vontade. Há vários trocadilhos e clichês medíocres, infames e tentadores a se fazer a respeito.

Pesquisando a História, várias vezes me peguei pensando coisas tipo: “Puxa, como um povo tão esclarecido podia ser assim?” “Nossa, como caíram nessa?” É sério que essa gente saiu às ruas para isso?” “Como tantos puderam acreditar em um homem desses?”

Isso aí vale para um sem números de fatos, povos e nações durante a evolução humana.

O mais icônico, o clássico mais caso desses que me vem à mente, é a adesão em massa da população alemã (ao menos de significativa maioria dela) a um louco totalitarista, racista e assassino como Adolf Hitler.

O povo alemão estava longe de formar uma sociedade ingênua, recém-formada, de poucos avanços nas diferentes áreas humanas. Muito pelo contrário.

Mas foi tolerando, tolerando, tolerando (assim como as demais nações europeias), e aos poucos embarcou nessa. E com vontade.

A verdade é que a “elite branca paulista” (gostei muito dessa denominação criada pelo ex-governador paulista Claudio Lembo), aquela que sempre subjugou o país e fez dele um parque de diversões de privilégios particulares, não se conforma mais com a democracia brasileira. Com a divisão do bolo. Com tanto nordestino, negro, pobre, trabalhador, homossexual, mulher e toda gama humana que forma o Brasil tendo voz ativa, se vendo representada no poder e, principalmente, se vendo incluída em qualquer coisa que possamos chamar de um projeto de país desenvolvido.

“Eu quero meus privilégios de volta!”

É a verdadeira faixa que eles não têm peito para estender.

Eu particularmente procuro assumir minhas posições. Por mais antipáticas que possam parecer. Inclusive meus preconceitos.

Um deles: não gosto de São Paulo nem de paulistas. Especialmente de paulistanos. Nunca gostei. E não por causa de time de futebol. É pela História mesmo. Do Brasil.

Só tem o seguinte: tenho preconceito, porque é uma opinião negativa pré-concebida. Mas não discrimino.

Trato socialmente bem e se o paulistano demonstrar ser, dentro do meu entendimento (dos parâmetros particulares que cada ser humano forma para si) que é uma pessoa, digamos, legal, tem meu apreço como qualquer outra. Tanto que há muitos paulistanos que acho bacanas. E tenho amigos paulistanos!

Mas o preconceito eu não nego.

Um dia posso mudar? Gostaria, duvido, mas quem sabe?

O que acho mais difícil mudar é minha determinação de não discriminar alguém por pensar diferente. De me esforçar para isso.

O que não ocorre com a elite branca paulista – paulistana em especial.

Para quem tem dificuldade de visualizar a coisa no imaginário e precisa de imagem concreta, basta checar as fotos dos “movimentos” que pedem a derrubada do poder da presidenta DEMOCRATICAMENTE eleita Dilma Rousseff:

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Parafraseando o brilhante Nelson Rodrigues em antológica crônica sobre – e contra – a Marcha dos 100 Mil (abrindo um parênteses para dizer que obviamente não concordo com a visão nem o posicionamento político rodriguiano a respeito, mas a crônica é sensacional), não havia, entre os manifestantes, um negro, um nordestino, um torcedor do Corinthians, um vendedor de laranjas, um engraxate, um camelô e sequer um desdentado. E abrindo aspas para o gênio literário:

“Os cem mil tinham uma saúde dentária de artista de cinema. Um turista, que por aqui passasse e os visse, havia de perguntar: –  Mas a alta burguesia quer tomar o poder que já tem?”

A História se repetindo como farsa…

Veja agora as fotos acima com as aqui de baixo:

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Essas agora são de 1964. E lá estão as mesmas referências a Cuba, comunismo, foice e martelo… Criatividade e atualização parecem não ser o forte dessa gente.

Resumindo: o que falta nessas fotos? Povo. O que não falta? Elite em busca da volta de seus privilégios.

A mesmíssima elite, com a mesmíssima postura, a mesmíssima concepção retrógrada de mundo, 50 anos depois.

Parece a geração seguinte de uma mesma família – e é.

As mesmas pessoas repaginadas em uma versão 3.0.

Lembra Nietzsche e seu eterno retorno.

Por exemplo, dentro da acepção de Nelson Rodrigues, no que ele queria escancarar, procure nas fotos um torcedor do Corinthians ou um negro. Achou? Pois é, não há povo nessas manifestações. Só elite. Na PIOR acepção da palavra.

O fato é que movimentos intolerantes assim são ardilosos, oportunistas e podem ser de muita valia para setores reacionários mais ardilosos e oportunistas ainda, capazes de promover verdadeiras tragédias.

A ascensão de Hitler e do nazismo foi assim, crescendo aos poucos, com muitas palavras de ordem que estão embutidas nessas faixas.

O golpe militar de 1964 surgiu da famigerada Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

E tanto em 1964 quanto hoje, 50 anos depois, as mesmas palavras e faixas de ordem são repetidas pelo mesmíssimo grupo social.

1964 # 2014

Mas quer saber: justiça seja feita, em 1964 havia um pouco mais de conteúdo no dantesco movimento.

Afinal, eles não tinha como porta-voz alguém como… Lobão.

“É sério isso?” Qualquer pessoa sensata, pró ou contra, a de perguntar.

Quem o conhece que o compre.

Ter Lobão ali, vociferando seu tradicional desequilíbrio e vomitando asneiras dá a tudo isso o tom de uma grande piada.

Só cabe a nós, povo brasileiro, ficarmos atentos para que a piada não termine sem graça alguma.

Até com desenfreada escalada de violência, para ser explícito em minhas preocupações.

E num rompante cristão (o que tento me lembrar de ser no momento de disparar tecladas diante da tela do computador), sinceramente digo que não por “nós” sermos as possíveis vítimas de tal violência que temo.

Os dias hoje são outros.

Não estamos em 1964. Não há só um lado com a força bruta ao seu dispor.

E infelizmente nem todo mundo tem a noção moral, ética e cristã de batalhar apenas nos campos das ideias e da democracia.

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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  1. 8 de dezembro de 2014 às 12:19

    Por isso que eu te digo: divulgue, expresse… Além de ser uma posição muito inteligente e fundamentada, é muito bem escrita. Serve de referência para as academias de comunicação e de formação de opinião contrária às opiniões da elite, que discrimina o nordestino, o pobre e o negro.

    Se querem derrubar a Dilma, que a derrubem no voto. Façam como eu fiz. Não estou satisfeito, por isso votei contra.

    Parabéns pelo texto!

    Curtir

  1. 13 de março de 2016 às 13:46

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