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VIDA ► 50 anos em 10 séries de televisão

50dNão é exatamente uma lista de melhores séries, até porque acho bem pretensiosas essas listas com as 10 mais isso, os 100 mais aquilo “de todos os tempos”. Fala sério, ninguém esteve presente “em todos os tempos” para uma comparação justa.

Então, como costumo dizer, quando faço listas, são listas com os “meus” melhores, ou seja: do meu gosto, em minha opinião.


E resolvi elaborar ao longo do ano diversas e aleatórias listas para celebrar meu 50º aniversário. Meio que inspirado no personagem criado pelo escritor Nick Hornby em “High Fidelity”, que virou por aqui “Alta Fidelidade”, também nome do filme baseado no livro.

Na primeira lista, 10 séries de minha preferência. Não necessariamente as melhores, mas com certeza das que mais me marcaram, dentro de alguns parâmetros que adotei. Elas estão aí embaixo, e tenho certeza de que eu vou me questionar pela ausência de uma ou outra que mereceria figurar na lista.

*** *** ***

The_Wonder_Years_logo.svg1 – Anos Incríveis (The Wonder Years) – Quando Wonder Years estreou por aqui, eu já ia lá pelos meus 30. E não, não vi na TV Cultura, primeiro canal a passar a série no Brasil, nem no Multishow, na TV por assinatura. Foi na Bandeirantes, em versão otimamente dublada, que encontrei minha série favorita.

Não é questão de se julgar um livro pela capa, mas o início de filmes ou séries podem determinar a empatia ou não que eu possa ter pelo programa. Como na atual série “The Newsroom”: bastaram 5 minutos para que eu soubesse que não conseguiria mais deixar de assisti-la.

Com “Anos Incríveis”, bastou a abertura. Eu já ouvira e lera bastante sobre a repercussão da série na América do Norte e aguardava ansiosamente por poder vê-la. Quando apareceu a logo com o recentemente falecido Joe Cocker antologicamente atacando a beatleniana “With a Little Help from My Friends”, seguida daquelas imagens de família como que captadas pelas antigas Super 8, a série já havia me ganhado. Antes mesmo da primeira narração do Kevin Arnold adulto.

Link da série na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Wonder_Years

Link da série no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=WVMyWj8DpZk&list=PLb5xY6GUjZLOx3AX53CSq4EfW5wkdTyVj

 

twilight_zone2 – Além da Imaginação (The Twilight Zone) 

 – Quando criança eu cheguei a ver “Além da Imaginação”, mas nem lembro onde. O que prova que ainda era muito pequeno para captar direito todo aquele universo fantástico. Mas quando a série original, criada por Rod Serling e que foi produzida entre o final dos anos 1950 e o início dos anos 1960, passou a ocupar os finais de noite do canal 13 no Rio de Janeiro (se não me falha a memória) nos anos 1980, minhas madrugadas nunca mais foram as mesmas.

O exercício da criação levado ao extremo por roteiristas sem medo de se arriscar, gerando um produto completamente descompromissado com os padrões televisivos de então (e de muito “pós-então” também…), me fizeram fã de carteirinha – se carteirinha houvesse.

“Além da Imaginação” sempre esteve presente em meu imaginário no topo de minhas preferências televisivas.

Recentemente tive acesso à assinatura do Clube Claro, disponível para os assinantes da Net que possuem o Now.

Muitas vezes nossas recordações afetivas tornam as coisas que guardamos com carinho na memória melhor do que efetivamente eram.

Mas nem sempre. Comigo aconteceu em relação a Elvis Presley ao finalmente assistir ao espetáculo “Elvis in Concert” e com o goleiro Félix, ao pesquisar para um post-homenagem (link aqui) após sua morte: ambos foram tão bons como sempre os considerei. E “Além da Imaginação” é mais um desses casos positivos. Revendo os primeiros episódios da primeira temporada, constatei que a série é tão boa como sempre recordava ser.

E convenhamos, não há como eu possa resistir a uma abertura assim:

“Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação.”

Link da série a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Twilight_Zone

 

star_trek3 – Jornada nas Estrelas (Star Trek) – E por falar em narração de abertura:

“Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Sua missão contínua: explorar estranhos mundos novos, buscar novas formas de vidas e novas civilizações, audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.”

Dá para resistir? Para um menino como eu fui, não. Nem para o adulto que me tornei.

Fui daquelas crianças fascinadas por viagens espaciais, que crescia sonhando com foguetes e olhava para o céu para ver se dava para enxergar os astronautas chegando à Lua. “Jornada nas Estrelas”, então, se tornou “a” série dos sonhos.

Claro que na época eu não tinha esse discernimento, mas hoje vê-se a clara conexão entre “Jornada nas Estrelas” e “Além da Imaginação”, no que tange à ousadia dos roteiros, que desenvolviam, no background de toda a trama de ação, assuntos verdadeiramente espinhosos e vistos como tabus nos estúdios hollywoodianos. Coisas como uma ponte de comando com um russo em plena Guerra Fria, uma oficial negra que vive um mal disfarçado relacionamento com o capitão branco, os diversos discursos criticando os governantes de nova sociedades que lembravam governantes do “antigo planeta Terra”, que agora (à época em que se passa a série) vive em paz….

Talvez por isso a série tenha encontrado tanta resistência dos estúdios para ser produzida.

Mas os fãs de primeira viagem, determinados e destemidos como os tripulantes da Enterprise, fizeram valer sua vontade e a televisão ganhou um marco icônico talvez jamais igualado na história da telinha – como bem provam todos os spin-offs da série e perene idolatria à franquia.

Link de “jornada nas Estrelas” na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Trek

 

fame4 – Fama (“Fame”) – “Fama”, o grande musical de Alan Parker, é uma daquelas obras que definem a qualidade de um diretor. De um diretor que, como se gosta de dizer hoje, “faz a diferença”. Para o filme, Parker fez testes de elenco procurando não nomes consagrados ou rostos conhecidos, mas jovens talentosos, capazes de não apenas interpretar, como cantar, dançar ou o que mais seu papel pedisse.

A fórmula foi mantida para a ótima série homônima. Nem todos os atores do filme migraram para a série, mas isso não fez diferença. Muito do que se vê hoje em relação a séries que possam se enquadrar na categoria “musicais” não passa de um pastiche, uma cópia malfeita, falsificação de segunda, de muito menor talento que o seriado que a Manchete trouxe ao Brasil ao entrar no ar em 1983.

O filme foi um marco e foi um dos mais “chupados” pela publicidade na História. Filho de pais que adoravam musicais, eu adorei. Então, comigo, foi jogo fácil para a série: eu já era fã do filme, então recebi a série de braços abertos – e não me decepcionei.

Há alguns momentos que considero antológicos, que valerão um post devidamente ilustrado por vídeos disponibilizados no YouTube, e muito talento e versatilidades na interpretação dos então jovens Erica Gimpel, Lee Curreri, Carlo Imperato, Valerie Landsburg e o falecido Gene Anthony Ray, entre outros que frequentaram os 136 episódios da série vivendo o sonho da fama sob os holofotes na Escola de Artes de Nova York.

Fora professores como os de Dança (Debbie Allen), de Música (Albert Hague,, inesquecível senhor Benjamin Shorofsky), de Interpretação (Michael Thoma, memorável, em seus últimos momentos antes de um câncer derrotá-lo), de Língua Inglesa (Carol Mayo Jenkins)…

Enfim, imperdível. Preciso correr atrás da caixa de DVDs da série.

Link na Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Fame_%281982_TV_series%29

 

get_smart5 – Agente 86 (Get Smart) – Difícil dizer quantas vezes assisti a cada episódio da hilária série em que Mel Brooks e seus parceiros detonam os filmes de espionagem e espiões como James Bond. Maxwell Smart é a completa antítese desses heróis superperfeitos e Don Adams tem uma daquelas atuações capazes de eternizar seu nome e o do personagem que interpreta na história da arte dramática.

A ponto de confundirmos quem é quem…

O sapato-fone, o cone do silêncio, o “chefe” do CONTROLE (magistralmente interpretado pelo talentoso Edward Platt), a Agente 99 (Barbara Feldon, perfeito contraponto sensato ao desatinado Agente 86), a malvada KAOS, vilões e agentes hilários…

Sério, não conheço quem não tenha dado boas risadas com Maxwell Smart e seus bordões irresistíveis, como “o velho truque…”, “desculpe por isso, Chefe” ou “Eu pedi para não me dizer isto”, até hoje presentes no imaginário de tantos quantos acompanharam a série.

Link de “Agente 86” na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Get_Smart

 

band_of_brothers6 – Band of Brothers (Band of Brothers ) – “Band of Brothers” foi precedida por um grande alarde midiático. Steven Spielberg e Tom Hanks na produção, câmeras assim e assado, e muitos blá-blá-blás a fins.

Eu não levei a menor fé.

Tendo visto uma penca de filmes e tudo o que pude de documentários sobre guerras com imagens reais dos diversos fronts de batalhas, não levei a menor fé mesmo. Não acreditava que uma produção pudesse ao menos igualar o impacto do impressionante trabalho realizado por cinegrafistas nas duas grandes guerras mundiais.

Pois quebrei a cara quando parei para ver o primeiro episódio na HBO.

“Band of Brothers” é, para mim, o suprassumo da obra de guerra. Dramatização das ações da Easy Company, integrante da 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA na 2ª Guerra Mundial, intercalada por depoimentos dos combatentes sobreviventes, o Everest do gênero.

Tanto que tenho aqui todos os 10 episódios em DVD para quantos puderem perceber minha admiração pelo trabalho.

Link para a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Band_of_Brothers

 

the_x_files7 – Arquivo X (The X-Files) – “Arquivo X” entrou na minha vida nas noites de domingo através da Record.E não foi difícil ser impactado pela série que aborda investigações sobre fenômenos não lá muito explicáveis sem levar-se em consideração influências externas. No caso, externas mesmo: extraterrestres.

Afinal, desde cedo sou aficionado por ficção-científica, leitor ainda na infância de “Eram os Deuses Astronautas”, de Erich Von Däniken, “O Triângulo das Bermudas” e “Sem deixar Vestígios”, de Charles Berlitz, e o espetacular “Um Estranho numa Terra Estranha”, de Robert A. Heinlein.

Com o impressionante sucesso da série, não preciso me estender muito sobre ela. Apenas registro que as aventuras de  Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) eram adequadamente produzidas na um tanto soturna Vancouver, o que gerava um clima propício às ambientações. Mais tarde, quando os produtores exigiram que a série fosse gravada em Los Angeles, ela caiu um pouco. Mas já havia gravado seu nome na história da telinha.

Link para a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_X-Files

 

cold_case8 – Casos Arquivados (Cold Case) – A história de uma divisão de polícia especializada em casos antigos não solucionados caiu em colo muito por acaso. Eu não sou lá muito fã dessas séries policiais moderninhas. Não por falta de méritos, mas é que as acho meio parecidas umas com as outras. Todas com valor para produzir um público fiel. Mas não me tocavam.

Então… Não lembro quando, onde nem por que assisti a um episódio dessa série. E gostei. Ela me pegou. Especialmente pela direção pausada, pelas idas e vindas cronológicas, a falta de sensacionalismo nas ações dos investigadores (pouco ou quase nenhum PAM-PAM-PAM e muitos miolos a todo vapor) e a boa sacada do encerramento dos episódios.

Virei fã. Tenho algumas temporadas de “Cold Case” em arquivos. Não vi nem metade da série, mas sei que é uma das que posso sempre parar para assistir quando quiser ter certeza de um entretenimento de que vá gostar.

Link para “Cold Case” na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cold_Case

 

touched_by_an_angel9 – O Toque de um Anjo (Touched By an Angel) – Gostar ou não gostar de um programa de TV na maioria das vezes não tem a ver com a qualidade. Mas muitas vezes o “não gostar” tem a ver com preconceitos. Eu mesmo não via “O Toque de um Anjo” por achar que fosse, digamos, meloso (não sei se é bem a palavra…), religioso demais.

Mas e daí?

Em uma madrugada perdida, lá pelas tantas mesmo, 4h ou 5h, ao deitar zapeando o controle remoto, vi a Globo começar a passar um episódio da série. E gostei MUITO.

Gostei muito, mas ficou por aí. Na memória, como uma dessas coisas que vemos uma vez na vida. Até que redescobri a série na Warner, canal a cabo, e passando justamente no horário em que eu costumava almoçar antes de ir trabalhar.

Como diria minha esposa, “fechou o pacote”. Daí por diante, vi todos os episódios que pude. O contraponto do ingênuo anjo em busca de asas, Mônica (Roma Downey, com um sotaque delicioso, que só vim a desfrutar nos canais a cabo), com sua supervisora Tess (a cantora evangélica, atriz e pastora Della Reese, ótima) desde o início me parecia uma das duplas de maior química dos seriados de TV. E a trama ganhou ótimos adendos ao longo das temporadas, como o anjo da morte Gabriel (John Dye) e o anjo Rafael.

Mais para o fim da série, o que não é raro, meio que se arrastou. Mas ainda assim valia a vista. Não fosse por nada, pelas mensagens edificantes que deixava, algo milhões de vezes melhor de assistir do que violência barata e sem sentido com a qual somos agredidos pela tela pequena em nosso dia a dia, seja na ficção ou não.

Curiosidade: assim como “Star Trek” foi rejeitada no início, “Touched By an Angel” não agradou aos seus produtores e foi cancelada durante a 1ª temporada. Mas, também como “Star Trek”, manifestações de fãs a fizeram voltar no ano seguinte e ela permaneceu no ar por mais 8 temporadas.

Link para a Wikipédia (em inglês, pois em português o material é escasso): http://en.wikipedia.org/wiki/Touched_by_an_Angel

 

the-golden-girls10 – As Supergatas (The Golden Girls) – Difícil fechar uma listinha assim em 10. Quem já tentou fazer, sabe. Para facilitar as coisas, optei por aquelas que acompanhei mais nas fases mais adultas da vida e que não são mais produzidas, e com a mente totalmente aberta. Tipo: “Quais séries que se tiver algum episódio passando eu paro e, tendo tempo disponível, com certeza assisto inteira?”

Sob esses parâmetros, vi que “Golden Girls”, com as ótimas, ótimas, ótimas Beatrice Arthur, Betty White, Rue McClanahan e, mais tarde, Estelle Getty não poderia ficar de fora.

Já havia visto a série algumas vezes na TV aberta quando estreara em 1900 e antigamente.

Mas foi trabalhando, quando pude revisar temporadas inteiras, que me deliciei com o ótimo texto e a grande atuação das já então veteranas damas da arte dramática.

Delas, apenas Betty White ainda está entre nós, e trabalhando com muito humor às vésperas de completar 93 anos.

Quem quiser saber como é escrever e atuar em TV sem violência, sexo ou duplos sentidos bobos e gratuitos, experimente uma produção do tempo em que o talento era o que importava. Eu dei muita risada sozinho vendo “As Supergatas”.

Link em inglês na Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Golden_Girls

 

i_love_lucy11 – Eu Amo a Lucy (I Love Lucy) – Bem, inspirado pelo último item da lista e considerando que os três mosqueteiros eram, na verdade, quatro, fecho minhas 10 séries com uma 11ª: “I Love Lucy”.

É outra série que descobri a vera trabalhando. E que grande descoberta! Até então, não vira sequer um episódio inteiro, apenas trechos em documentários sobre televisão, séries ou Lucille Ball e Desi Arnaz.

Vendo algumas temporadas, não houve como não me deliciar com o atrapalhado dia a dia do casal formado por um músico caribenho (Arnaz era cubano) e sua avoada esposa. Casados na vida real, Lucille e Desi têm (ou tinham…) um timing magnifico e a série fez valer o esforço da atriz para convencer os produtores de que o marido deveria ser seu parceiro na ficção, como o era na vida real.

Isso porque os produtores temiam algum grau de rejeição por questões raciais, pois Desi era cubano. Mas Lucille contornou a situação criando uma peça com a música dele e o talento cômico dela que fez sucesso rodando os EUA (fonte: Wikipédia).

Não bastasse o ótimo trabalho da dupla de cônjuges na vida real, “I Love Lucy” ainda contava com um luxuoso e divertidíssimo bônus: o impagável casal de vizinhos Ethel e Fred, interpretados por Vivian Vance e William Frawley, maravilhosos.

Pois quem tem preconceito com antigas obras em preto e branco, esqueça isso. E experimente “I Love Lucy”. Séries como essas mostram que havia vida mais sutilmente inteligente na TV do que vemos hoje na era do LCD, LED, plasma, HD, 3D, 4K…

Link da Wikipédia:  http://en.wikipedia.org/wiki/I_Love_Lucy

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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