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FUTEBOL ► O Pênalti de São Januário

10 mar


Acho que até os vascaínos de espírito mais elevado concordariam com a ideia sugerida por alguém de tombar e transformar o “Pênalti de São Januário” em patrimônio cultural da cidade.

Curioso como todo mundo que cresce acompanhando futebol no Rio de Janeiro acaba colocando na cabeça que jogo do Vasco em São Januário não acaba exatamente quando deve terminar.

Bem, acho que meus amigos vascaínos não devem pensar exatamente assim…

Mas, para nós outros, é aquele papo:

-O Vaco está todo enrolado com o Rosita Sofia.
-Não esquenta, daqui a pouco rola um pênalti e o jogo vira.

E rola o pênalti e o jogo “vira” mesmo.

Não faço ideia de quando essa história começou. Mas costuma-se dizer – não os vascaínos, claro – que jogo em São Januário só termina quando o Vasco vira. Ou, mais atualmente, quando o Eurico deixa.

E há efetivamente muitos casos a justificar a crença popular.

Vasco se complicando, final de partida, é cair na área que a bola vai na marca da cal.

O grande pequeno ex-centroavante Dé que o diga. Ou como Tostão deixa subentendido em seu livro. Ambos ex-jogadores do clube da colônia portuguesa.

Com o passar das décadas, chegando à administração de Eurico Vianna e Eduardo Miranda no futebol carioca, o Pênalti de São Januário atravessou arquibancadas e se espalhou por outros campos da cidade.

Virou “Pênalti para o Vasco”, dizem. Eu não gosto. Não tem “grife”. “Pênalti” assim é para o Flamengo. E, vá lá, para Fluminense, Botafogo…

Quando o Vasco foi presidido por Roberto Dinamite os pênaltis rarearam e se restringiram basicamente ao tradicional campo do bairro de São Cristóvão.

Mas agora, com a chegada de Rubens Miranda e Eurico Lopes ao poder, “eles” parecem ter voltado a todo vapor, seja no Maracanã, no Engenhão…

Certa vez o falecido jornalista botafoguense Sandro Moreira (se não me engano, mas pode ter sido João Saldanha), grande contador de histórias do futebol, em uma de suas colunas comentou que o Flamengo não precisava se preocupar em usar artifícios extracampo para ser beneficiado pela arbitragem. Isso porque a própria massa rubro-negra, especialmente em campos pequenos, era intimidadora o suficiente para fazer os árbitros pensarem duas vezes na hora de decidir uma jogada duvidosa.

Às vezes acho que coisa parecida ocorre agora com o Pênalti de São Januário. A lenda é tamanha que os juízes parecem instintivamente condicionados a enxergarem pelo em ovo e acabar apontando a marca fatal a favor dos cruzmaltinos, seja em que campo for, desde que restrito ao cenário carioca.

Vide o último Flu x Vasco, decidido por um pênalti que o juiz quis ver. Para não falar do pobre Bonsucesso, o querido Bonsuça da Leopoldina, vítima de uma covardia.

Não levando o futebol muito a sério, chega a ser uma das coisas mais divertidas (seria essa a melhor palavra) das minhas lembranças em relação ao esporte, daquelas que você acaba recordando depois até com um sorriso no rosto – mesmo que me tire do sério naquele momento que ocorre contra meu time.

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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4 Comentários

Publicado por em 10 de março de 2015 em Futebol

 

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4 Respostas para “FUTEBOL ► O Pênalti de São Januário

  1. Wellington Lopes

    12 de março de 2015 at 10:58

    Você está falando como se fosse sempre assim. Vale lembrar que o jogo foi no Engenhão. Em parte concordo, especialmente sabendo que o presidente do Vasco é o Eurico, mas ninguém levantou a bandeira quando o Vasco foi prejudicado durante o campeonato carioca (bola que entra 37cm), brasileiro (erros gritantes a favor do Timão), Libertadores (a ponta da chuteira do Alecssandro estava à frente) e a Copa do Brasil (pênalti no Elton aos 43min) contra o Corinthians, todos na gestão Roberto.

    No último Vasco e Fluminense, você disse que o juiz “quis ver o pênalti”, deveria dizer que ele não viu o primeiro, pois o próprio Cavalieri disse que os pênaltis aconteceram. No momento em que o próprio goleiro diz que tocou no jogador, é pênalti indiscutível. Talvez, o erro gritante do juiz foi não ter expulsado o Guiñazú, e isso eu concordo, mas daí atribuir a derrota a um pênalti que o próprio goleiro diz ter existido também, e não ao domínio do Vasco sobre o Flu, já passa do imparcial para o parcial.

    Seria interessante, como grande jornalista que você é, que deixasse a peixão pelo Flu e também comentasse os erros gritantes, sobretudo de finais no campeonato carioca, quando ocorrerem erros gravíssimos de arbitragem a favor do Flu, como por exemplo o gol de goleiro que não valeu, o pênalti no Adão que o árbitro-torcedor e dirigente do Flu não quis marcar… Com isso dando a entender que o Fluminense nunca fora beneficiado pela arbitragem.

    Pelo seu ponto de vista, todos os erros que acontecerem no histórico campo de futebol chamado São Januário serão atribuídos aos bastidores, desmerecendo assim as vitórias do Vasco sobre seus adversários. Em qualquer lugar do mundo, inclusive no Maracanã, a maracutaia também já foi instituída e continua sendo. Vide campeonatos passados.

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    • opiniaododavid

      12 de março de 2015 at 12:30

      Não, eu não disse que é sempre assim. E não, não tenho obrigação de escrever como jornalista em um blog pessoal. Neste espaço declaro e exacerbo a paixão pelas coisas que amo, inclusive o Fluminense. Mas não minto, opino. Pode-se considerar a opinião errada à vontade. Até posso cometer algum erro de informação, apesar de me esforçar para que isso não ocorra. Mas quanto às opiniões, são minhas. Meus pontos de vista hoje. Pode ser que amanhã eu entenda diferente e opine outra coisa. Faz parte da evolução e do direito de livre pensar.

      Sim, eu sei que o jogo foi no Engenhão, e no texto deixo claro que não me refiro apenas a São Januário, quando digo jocosamente que “o Pênalti de São Januário atravessou arquibancadas e se espalhou por outros campos da cidade.”

      Sim, TODOS os times são beneficiados pela arbitragem. Digo sempre: TODOS os campeões são beneficiados pela arbitragem durante um campeonato, assim como TODOS os perdedores – mas aí não dá manchete. Porque só choramos quando pisam no nosso calo. Salvo campeonatos supostamente arranjados com antecedência, é assim desde sempre no futebol. É como essa patética moda de veicular vídeos motivacionais gravados no vestiário antes de os times entrarem em campo: quando o time perde, ninguém lembra, ninguém divulga. Será que também não houve preleções emocionantes e vibrantes nos vestiários de quem perdeu?

      Quanto a fatos de jogos citados: não, não achei pênalti do Cavalieri, mas pode haver quem ache. Essa mania de jogador jogar a perna em goleiro me deixa sempre com um pé atrás nessas jogadas – principalmente quando são contra meu time, claro. Só que sim, acho que o juiz Luiz Antônio Silva quis ver o lance do pênalti assinalado, pois se quisesse teria visto falta do ataque, inclusive sobre o Henrique, se não me engano, logo à frente do jogador do Fluminense que segurou o do Vasco (veja que tempos estes: não lembro o nome de um nem de outro. Fossem Edinho e Roberto..). Aliás, provavelmente todo escanteio naquele jogo teve pênalti e falta de ataque (em todos os jogos costuma haver). E tenho o direito de dizer isso (que ele “quis ver”) primeiro porque é minha opinião, lógico, e segundo, principalmente, porque, como lembrado no Twitter da Flusócio, um mesmo juiz parece “ver” o que quer mesmo em lances de interpretação semelhante em jogos diferentes: bola na mão ou mão na bola. Em Volta Redonda viu de um jeito, no Engenhão de outro. Algo comum na nossa arbitragem.

      Veja você que não cito o Guiñazu, que para mim deveria ter sido expulso (assim como o Henrique e o Bill no Flu x Bota de domingo passado), porque posso procurar entender o árbitro e suas interpretações, por mais estapafúrdias que me pareçam. Mas não posso entender um juiz como o de Vasco x Bonsucesso que num dia (em Volta Redonda) ele não ache pênalti um lance em que o zagueiro, à distância da bola, abra os braços e intercepte a jogada, e noutro dia (no Engenhão) ele considere pênalti um lance em que o zagueiro está colado no atacante. Fica a impressão clara de dois pesos, duas medidas, não há como defender.

      Sim, em 1985 o Vica derrubou o Cláudio Adão. Assim como um jogador do Bangu defendeu com um braço um chute do Washington, na sequência de um cruzamento do Beto em que o zagueiro Jair deslocou o mesmo Washington no ar quando ele ia cabecear para o gol (lances seguidos). Assim como o juiz não deveria ter dado acréscimo algum naquele jogo, já que o Bangu fizera cera desde os 4 minutos do primeiro tempo, quando marcou. Assim como Adão nem deveria estar em campo, pois Fernando Macaé, antes de ser substituído por ele, ao ver que ia sair agrediu Paulo Victor numa bola recuada. Assim como o Bangu pode alegar impedimento de Romerito no primeiro gol tricolor, um lance muito difícil que apenas parando imagem percebo o Fernando Macaé dando condições ao lance, mas que se fosse do outro lado não acredito que fosse marcado, porque é mais fácil beneficiar o grande contra o pequeno – desde que que se esqueça que por trás do pequeno esteja alguém como Castor de Andrade.

      E mais: o juiz errou assim como diversos juízes erraram em vitórias do Bangu do Castor de Andrade ao longo daquela competição, como no sofrido 1 x 0 sobre o Bonsucesso, em Teixeira de Castro, na reta final do campeonato, conseguido com um gol de Marinho em completo impedimento no final da partida, transmitida pela TV numa manhã de domingo. Fariam melhor os banguenses chorar a semifinal de 2002, quando o juiz viu (ou “quis ver”?) mão do goleiro Eduardo na cabeçada que daria a vitória ao Bangu no final da partida.

      Como eu disse, quem perde ganha um indulto para não ter lembradas decisões da arbitragem a seu favor (vira “tadinho”). Desde 1971 o Botafogo chora o gol de Lula que deu o título ao Fluminense, alegando falta de Marco Antônio sobre o goleiro Ubirajara – nos padrões nacionais de arbitragem, a falta costuma ser marcada; na Europa sequer seria comentada essa possibilidade. “Esquecem” os botafoguenses e a mídia interessada em criar mitos e lendas no futebol (enfim, o futebol parece viver disso) que o campeonato foi disputado em pontos corridos e que no jogo do turno o Botafogo venceu por 1 x 0 com um gol de pênalti cavado por Jairzinho. Daí o Botafogo entrara na partida decisiva com um ponto de vantagem.

      Quanto a São Januário, lamento que você não tenha compreendido. É um dos fatos comuns de conversa de botequim de futebol, assim como dizer que o Flu é o Rei do Tapetão. E o próprio texto o trata assim. E um mito corroborado até por declarações de ex-jogadores do próprio Vasco.

      E o que ofusca as vitórias do Vasco não é isso, não é São Januário e seus pênaltis. Mas ter um dirigente como Eurico Miranda. Muitos times bons do Vasco (muito bons mesmo) têm seu reconhecimento deixado em segundo plano por conta das ações desse dirigente que por tantos e tantos anos comanda/comandou o clube. Tudo que o Vasco conquista com ele no comando faz os torcedores em geral pensarem: “Também, com o Eurico…”

      A marca deixada por certos dirigentes podem marcar um clube por décadas e décadas. O Fluminense até hoje paga por um infeliz presidente, chamado Álvaro Barcellos, que estourou uma champanhe quando se confirmou que o clube disputaria a primeira divisão em 1997 por conta dos escândalos de 1996 que fizeram a CBF ajeitar as coisas não rebaixando ninguém. Uma imagem dantesca e vergonhosa. Ali o Fluminense ganhou a pecha de virador de mesa e dela tão cedo não vai se livrar. É uma marca infeliz, assim como a marca que Eurico deixa na história do Vasco, como um carimbo nas conquistas do clube quando está sob a direção dele. Muitos vascaínos provavelmente não pensem assim, mas grande parte do mundo da bola interpreta as cosias desse modo. Dirigentes como Eurico Miranda e Álvaro Barcellos deixam manchas que levam muito, mas muito tempo mesmo para remover. Haja sabão.

      E os comentários acabaram maiores que o texto, que beleza…

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  2. Wellington Lopes

    14 de março de 2015 at 17:34

    Como você mesmo falou, o seu blog é para falar de suas paixões, e claro, não poderia deixar de falar do Fluminense, e nem precisava justificar, pois fica muito evidente que ao comentar os lances polêmicos dos outros clubes, a razão fala mais alto, porém, quando se trata de lances polêmicos a favor do Fluminense, o coração bate mais forte.

    Uma prova disso é a bola que bate na mão, sem querer, do jogador do Bonsucesso, e o juiz erradamente dá pênalti. Essa bola, na sua visão, já não é a mesma quando o juiz anula um gol legítimo do coitadinho do Bangu, alegando que a pelota batera na mão do goleiro e depois muda de opinião, disse que foi falta – aquilo não é ficção científica. Não houve nada de errado no lance. Além disso, segundo você, numa outra ocasião, não houve a falta que originou o gol anulado. Assim como o pênalti no Adão, que o mundo inteiro viu, inclusive o Wright, porém, só você comenta sobre um pênalti a favor do Fluminense não marcado. Aliás, como não tenho dado importância ao fracassado Campeonato Carioca 2015, não sabia que o Bangu foi prejudicado mais uma vez com um gol mal anulado.

    http://www.otricolor.com/?pg=noticia&id=7745

    Se para justificar erros de arbitragem é necessário achar outros erros, então te faço duas perguntas: você procurou saber se durante a partida entre Vasco e Bonsucesso houve algum erro do juiz a favor do Bonsucesso? Que eu saiba não. Mas se tivesse ocorrido, você tentaria justificar os erros como você tenta justificar os erros em prol do Flu? Contra o poderosíssimo Barra Mansa, houve um erro de arbitragem no fim do jogo, mas sinceramente, eu nem comento, pois empatar com o Barra – com todo o respeito – não tem justificativa.

    Os pênaltis que os ex-jogadores do Vasco comentaram que ocorriam em São Janu foram na década de 70. O nosso futebol ainda é muito aquém da ética que a gente tanto exige. Tanto é que entrava cachorro em campo para esfriar jogadores adversários, papeletas amarelas, expulsões de craques revolucionários, entre outros. Nos primórdios do futebol, o Fluminense tinha um dirigente semelhante ao Eurico Miranda. O saudoso Luis Mendes comentava sobre esse cartola. Vale lembrar que, desde 2004 o Vasco não vence um turno, e consequentemente um campeonato carioca. E nesse período, o Eurico foi presidente do Vasco por cinco anos.

    Recentemente, um tal de Horcades anunciou, de forma antiética, antes de uma final contra o Volta Redonda, o interesse do Flu por quase todos os jogadores do coitadinho do Volta Redonda. Aliás, naquele jogo houve vários lances polêmicos que definiram a partida: falta do Tuta sobre o goleiro do Volta; um impedimento inexistente do ala do Volta, quando o jogo estava 1 a 0 para o Voltaço; depois a expulsão de um jogador do Volta Redonda, sem que ele tivesse feito a falta; e por fim, o Diego Souza deu uma cabeçada no Alemão, na frente do árbitro, e nada aconteceu. O vídeo abaixo só mostra a falta:

    As instituições das quais somos apaixonados não têm nada a ver com os erros. Os erros acontecem porque são feitos por seres humanos, e se tratando de ser humano tudo pode acontecer. Seja no Vasco ou em qualquer outro clube, o Fluminense não está imune a isso. Na Laranjeiras também já existiram, existe e existirão pessoas desonestas.

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    • opiniaododavid

      15 de março de 2015 at 22:40

      Bom, não vou ficar aqui me estendendo em comentários sobre comentários, até porque tenho pouco tempo e muita coisa com vontade de escrever e ficar discutindo com torcedor é um novelo sem fim. Como diziam os mais velhos, coisas como futebol, escola de samba (na época que era fruto de paixões), partido político e religião cada um tem a sua. Só duas coisas: Eurico pode ter sido presidente só 5 anos, sei lá, mas mandou no clube por muito, muito mais tempo, ou todo o jornalismo esportivo está errado? E eu não gostava nem um pouco do Horcades, mau dirigente toda a vida. Mas a informação sobre os jogadores do Volta Redonda não procede. Eles foram contratados no final da Taça Guanabara, vencida pelo Volta Redonda. Só virou notícia porque fizeram a final contra o Fluminense, que venceu a Taça Rio, o turno seguinte. Quando viram que ia rolar Fluminense x Volta redonda na decisão desencavaram isso e com certeza prejudicaram os jogadores. Não digo tanto o Schenneider, que jogou regularmente (mas no Fluminense não jogou nada), mas o Lugão estava visivelmente nervoso. Aliás, coisa tipicamente brasileira, acreditar na desonestidade do profissional jogador. Na Alemanha um jogador brasileiro, por exemplo, Aílton, quando defendia o Werder Bremen, onde era ídolo, foi contratado no início do campeonato pelo Schalke 04. E ninguém achou absolutamente nada demais, até porque não é nada demais um profissional acertar um contrato de trabalho. Jogou a temporada inteira já contratado e jogou muito bem, acho até que foi artilheiro. Aqui fazem um carnaval sempre que acontece isso. Que um torcedor o faça, que eu o faça como torcedor, que você faça como torcedor, faz parte. Agora o escarcéu que a imprensa promove nesses casos mostra o nível do jornalismo nacional.

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