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FUTEBOL ► Capitão do tri da ditadura critica protesto de jogadores de Fla e Flu

06 abr

fla_flu_protestoCarlos Alberto Torres foi um estupendo jogador de futebol, capitão da seleção brasileira que encantou a todos e se tornou tricampeã mundial no México em 1970.

Auge da ditadura militar no Brasil. Ditadura que soube muito bem capitalizar a conquista esportiva.

Pois Carlos Alberto Torres, todos que o acompanham fora de campo podem facilmente perceber, é daquele tipo de jogador que acha que futebol bom e bom jogador… só na época dele.

Isso é algo curiosa e infelizmente antigo no futebol brasileiro. Domingos da Guia já era assim lá atrás, após abandonar os campos.

Pois agora o “capita” disse enfaticamente (e bota enfaticamente nisso) que discorda totalmente dos jogadores de Flamengo e Fluminense que protestaram contra a famigerada Federação Carioca de Futebol. “Isso é uma palhaçada!”, afirmou.

Vi isso meio que sem querer, por acaso, no final do Domingo de Páscoa, ao me despedir de meu pai, que estava com a TV ligada nesse canal.

Em linhas gerais, ainda vi Carlos Alberto Torres dizer mais assim: “Esses jogadores têm mais é que treinar durante a semana para jogar bem no domingo, porque eu é que não me levanto do sofá para pagar um tostão para ver o futebol que eles jogam.”

Não sou daqueles que “acusam” os tricampeões de “jogarem pela ditadura” por conquistarem o título no México. Acho isso uma grande bobagem que nem merece maiores comentários.

Mas que talvez houvesse jogador que apoiasse a ditadura…

Bem, uma trágica declaração como essa, que mais parece proferida da boca de um senhor de engenho ou de um feitor de escravos, deixa isso algo subentendido.

Afinal, a História é a História e, mesmo não sendo matemática, somando A + B podemos começar a chegar a algum lugar, a algumas tristes conclusões.

O fato é que, ficando nas décadas de 1960 e 1970, para cada jogador de futebol como Afonsinho devia haver uns 20 Carlos Alberto Torres, a julgar pelo dito neste domingo.

Para cada Tostão talvez houvesse outros 20 Carlos Alberto Torres.

E aí posso começar a finalmente entender por que um garoto, de apenas 26 anos, foi o capitão de um time que tinha Pelé, Gerson, Brito, Félix, Tostão, Piazza…

Essa é uma situação que sempre despertou a minha curiosidade.

Agora começo a somar: um ainda jovem craque (+) com a patente de capitão (+) de um time que defendia um país governado por uma violenta ditadura militar – ditabranda apenas para a Folha de São Paulo…

Bem, acho que deu par aperceber a que resultado essa soma pode chegar.

Para não dizer que não falei das flores, fecho essa triste referência à seleção de 1970 com um sopro de alívio, colocando entre aspas as palavras de Tostão sobre o momento do patético futebol carioca que levou à reação de Flamengo, Fluminense e de seus jogadores:

“Os clubes de todo o Brasil, e não apenas Fluminense e Flamengo, deveriam aproveitar o momento para fundar as ligas e acabar com o poder da CBF e das federações ridículas e nefastas, como a do Rio de Janeiro.”

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 6 de abril de 2015 em Futebol

 

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