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VIDA ► Um pensamento elevado ao dr. Baptista dos Santos, parteiro

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Outro dia, “folheando” uma edição de 1903 do extinto Correio da Manhã, dei de cara com o anúncio acima.

Não, não tenho o hábito de decidir: “Hoje vou pesquisar anúncios em jornais antigos!”

Acontece que, independentemente de meu objeto de pesquisa, sempre acabo passando os olhos por assuntos diversos de tempos distantes – os tempos, pois os assuntos nem sempre estão tão distantes de nossa realidade atual como o passar das décadas possa sugerir.

E mesmo anúncios despertam meu interesse, sejam eles de ofertas de serviços, imóveis, lojas comerciais…

E nessa edição do dia 8 de novembro de 1903 meus olhos bateram no anúncio do dr. Baptista dos Santos que reproduzo abaixo, para quem tem dificuldade de ler a reprodução que abre o post:

Parteiro – Especialista em molestias de

 

senhora. Applica todos os processos

 

empregados pelo dr. Abel Parente. Aos

 

sabbados gratis aos pobres. Consultas

 

das 10 à 1 hora. Senado 132.

 

Já havia passado por páginas de anúncios de serviços nesse e em outros periódicos antigos, mas nunca reparara em algo assim.O grifo em azul é meu. Foi onde meus olhos bateram: GRATIS AOS POBRES.

Não que outros médicos da época não atendessem caridosamente os irmãos desfavorecidos. André Luís mesmo, o espírito que escreveu através de Chico Xavier a obra “Nosso Lar”, fazia caridade. Mas não lá com tamanha boa vontade, como ele mesmo confessa, muito menos anunciando em jornal.

É necessário contextualizar. Não havia rádio, televisão, internet, mala direta… O único meio de comunicação de massa era o jornal. Fora isso, apenas o boca a boca.

E o doutor Baptista dos Santos usou do espaço que comprou em um grande jornal para divulgar que reservara um dia da semana apenas para o atendimento aos pobres.

Reforçando: o nome disso é caridade. E, como enfatiza a doutrina espírita, “fora da caridade não há salvação”.

Cheguei a dar uma olhada em outras páginas de reclames de outras edições. E constatei que realmente não era hábito esse tipo de gesto.

Também cheguei, sem pesquisar mais profundamente, que no início do ano o doutor Baptista publicara anúncio sem referência ao atendimento caridoso, mas lá por meados de 1903 em seus anúncios passou a constar a feliz ressalva.

Mas mesmo que fosse apenas um sábado, já seria uma grande obra. Muito superior ao que eu, por exemplo, tenha feito em 50 anos.

Vivemos em um país em que ser médico se tornou profissão rentável, não exercício de uma vocação.

Mas há exceções. Há doutores Baptista dos Santos ainda hoje.

Ao doutor Baptista dos Santos elevei um pensamento positivo em formato de prece. Talvez ele já esteja novamente entre nós – ou não. Mas esteja onde estiver, com certeza há de receber vibrações positivas pela obra que deixou.

E estendo o mesmo pensamento elevado a todos os médicos brasileiros que ainda o são por vocação e que reservam algum tempo de uma provavelmente atribulada vida profissional à ajuda ao próximo.

Amém.


CM_8-11-1903

*** *** ***

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