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VIDA ► 50 anos em 10 crônicas – 10: “Ser Tricolor”

23 ago

50 anosVou encerrar minha série de 10 colunas com mais uma de esporte. De futebol. De Fluminense. Poderia ser de política, vida, História, atualidade… mas são tantas! E tantos mais assuntos interessantes! Certamente não deixarei de reproduzir colunas sempre que o binômio vontade-tempo estiver a meu favor. Ou a favor do blog.

Esta última desta série de 10, então, chama-se “Ser Tricolor” e correu pela internet já há um bom par de anos. A autoria é dada a um tricolor chamado Nelson Goyanna.

Em forma de poesia, é um texto impossível de não tocar forte as emoções do torcedor que acompanha seu time ano a ano por toda sua passagem nesta vida.

Há quem tenha idade para ver todos – ou quase todos – jogadores mencionados. Eu mesmo vi boa parte deles. Aos olhos dos mais novos ficará no subconsciente a vontade de uma atualização.

Mas assim como está é irresistível para mim, pois vivi muito do que é citado. Emociona quem está sempre ao lado de seu time.

***

SER TRICOLOR

 

torcedor_tricolor

“Menino, primeira vez pisando no Maraca,

Eu vi o Escurinho dar o drible da vaca

E chegar veloz a linha de fundo,

Cruzando para o Valdo encantar o mundo.

E também a mim, jovem espectador,

Que já nascera, fanático torcedor,

Deste tradicional clube das três cores,

Que estará sempre entre os vencedores,

Desde o tempo de nossos ancestrais.

Das conquistas que vêm de Batatais,

Romeu, Tim, Russo e outros mais,

Das grandezas que contavam nossos pais;

Que desde Veludo, Píndaro, Orlando, Carlyle,

Com Didi nas Laranjeiras se dava baile!

Eu vi São Castilho com sua leiteria

E a bola que bateu na trave e entraria,

Eu vi Clóvis, Edmílson, Robson, Jair Marinho,

E vi Altair dando um belo “carrinho”.

Eu vi Pinheiro bater pênalti de bico,

Vi Evaldo, Joaquinzinho e até Pipico.

Eu vi Paulinho cobrar um escanteio,

P’ro Telê fazer um golaço de voleio.

Eu vi Maurinho pular mais alto que o goleiro,

E dar um golpe de testa, certeiro.

Eu vi Procópio, expulso, voltar ao campo seminu,

Prá comemorar um gol com o Rei Zulu.

Eu vi Flávio fazer 3 no Palmeiras no Morumbi,

E vi 4 no Santos, na Vila, com Manoel e Ubiraci,

Eu vi Samarone com toda a sua ginga,

E o drible desconcertante do Cafuringa.

Eu vi aquele cruzamento do Oliveira,

Que encontrava sempre o Mickey na banheira.

Eu vi o Marco Antônio em linda jogada pessoal,

Eu vi o Silveira isolar bola na geral.

Eu vi nosso canhotinha Gerson, com a tricolor,

E muitos outros, que também jogaram por amor.

Eu vi a puxeta de calcanhar, tão bonita,

Do Carlos Alberto Torres, nosso “Capita”,

Eu vi a Máquina, dizia a gente: “É covardia!”

Com “RIVELINO, PAULO CESAR & CIA”,

Máquina, que vi dar um show em Paris,

Com a torcida em pé, pedindo bis.

Eu vi o Papel fazer uma defesa sensacional,

E o gol de malandragem do “gringo” Doval.

Eu vi o Rivelino em genial jogada de xadrez,

Desmoronar a defesa do “velho freguês”.

Eu vi o gol olímpico do Paulo Cesar Cajú,

E os 2 gols do Manfrini no Fla-Flu.

Eu vi Rubens Galaxie, Cléber e Pintinho,

A força de búfalo do Gil, a raça do Edinho.

Eu cantei “João de Deus” na arquibancada,

P’ra que ganhasse do Bangu de virada,

Nosso time tricampeão, com tantos nomes:

Paulo Vítor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes.

Time deste quilate, ainda está por vir,

Seguro na defesa e no meio, com Jandir.

Time guerreiro, mas que jogava bonito,

A classe do Delei, a garra do Romerito.

Eu vi Washington e Assis, nosso casal 20,

Era um show, um assombro, um acinte:

Washington fez aquele golaço no Vasco,

E o Flamengo sucumbiu 2 vezes ao carrasco.

Ora Tato, ora Paulinho, atacando pelo flanco,

Com o sempre eficaz apoio do Branco.

Eu vi inúmeros feitos do nosso tricolor,

Que a Taça Olímpica é detentor.

Eu vi máquina, vi timinho, vi timaço,

Vi gol de letra, gol chorado, vi golaço.

Eu vi gol de mão, Wilton que o diga,

E vi o gol do Renato com a barriga.

Irmãos tricolores: atenhamo-nos aos fatos,

Somos nós que temos mais campeonatos.

E também nós, os que temos mais vitórias,

Passado, presente e futuro de glórias.

Por séculos, milênios e vidas inteiras,

Temos orgulho do “Clube das Laranjeiras”.

E a alegria eterna de torcer

pelo time que sempre vence,

E a dádiva divina de nascer,

viver e morrer Fluminense !”

 

 

Nelson Goyanna

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 23 de agosto de 2015 em 50 anos, Fluminense, Futebol

 

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