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POLÍTICA ► Ministério golpista é a cara da elite branca: branco, machista, racista e preconceituoso

A repercussão negativa da tentativa de golpe contra a democracia brasileira deve estar sendo assustadora para os golpistas. Até de rincões dos quais esperavam apoio incondicional surgem críticas contra o golpe. O “New York Times” escancarou em editorial. O londrino “The Guardian” também, destacando especificamente a formação do ministério golpista. Quem quiser ler a respeito pode clicar aqui e checar a matéria do site do jornalista Marcelo Auler, um dos muitos a escrever a respeito.

E uma das mais técnicas críticas à formação branca e conservadora, de fazer aqueles americanos WASP aplaudirem de pé, vem da BBC Brasil, através de uma entrevista de uma professora canadense da conceituada Universidade da Colúmbia Britânica.

Os argumentos de Jennifer Berdahl mostram bem a leitura que as pessoas de fora e descompromissadas com este ou aquele lado, estão tendo sobre a trágica situação de retrocesso que vivemos. Uma visão limpa, clara, sem qualquer embaçamento provocado pelo reacionarismo dos principais grupos de comunicação do país.

Para ela, quanto maior a diversidade e igualdade de gêneros em um grupo, melhor a produtividade. Os ministérios de Lula e de Dilma representavam bem a diversidade nacional. Já o ministério do golpe…

Bem, o link para a entrevista,que traz interessantes argumentos em favor da diversidade, está aqui e a reprodução segue abaixo.

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Nomear só homens brancos indica que

‘sistema não é baseado em mérito’, diz canadense

 

Foto: AFP

Especialista em diversidade canadense diz que mensagem da composição do governo Temer é “má e perigosa”

Image copyrightAFP

Ao privilegiar homens brancos na composição de seu ministério, o presidente Michel Temer desencoraja mulheres e minorias a buscar espaços na política brasileira, diz Jennifer Berdahl, professora da Universidade de British Columbia, no Canadá.

Especialista em diversidade e igualdade de gênero no trabalho, Berdahl afirma em entrevista à BBC Brasil que grupos mais misturados normalmente produzem melhores resultados.

Segundo ela, pesquisas mostram que as pessoas tendem a se preparar mais e ser mais profissionais quando rodeadas por colegas que não se pareçam com elas.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O que achou da decisão do presidente brasileiro de privilegiar homens brancos na composição de seu ministério?

Jennifer Berdahl – Acho que é uma mensagem realmente má e perigosa que ele manda à população. A diversidade na liderança é muito importante por uma série de razões. Uma delas é a representação. Numa democracia, a ideia é ter líderes que representem a população e seus interesses. Isso é difícil se não houver ninguém que se sentiu na pele de uma mulher ou de uma minoria.

Ele também manda uma mensagem de que esse não é um jogo de oportunidades iguais. Cria a impressão de que só brancos e homens têm chances. É desejável que só um quarto dos brasileiros [proporção aproximada de homens brancos no total da população] pensem que podem se tornar líderes? Eles são uma minoria e, no entanto, dominam completamente o governo.

Isso desencoraja pessoas que não sejam homens e brancas a buscar oportunidades na política. Quando a população sente que seus interesses não estão sendo representados ou que pessoas que se pareçam com elas não têm uma voz no governo, cria-se uma atmosfera de injustiça.

BBC Brasil – Representantes do governo disseram que mais importante que a cor ou gênero dos ministros é sua competência.

Berdahl – Eu concordo: as escolhas devem se basear em mérito. Mas também acho que o mérito é igualmente distribuído entre gêneros e raças, portanto os percentuais de mulheres e minorias em posição de liderança deveriam seguir os do resto da população.

Se você só nomeia homens brancos, ou você acredita que só eles têm méritos, ou o sistema na verdade não é baseado no mérito.

Vejo esse tema da diversidade como uma questão básica de direitos humanos, de assegurar que exista igualdade de oportunidades no local de trabalho. E a diversidade tem a vantagem de aumentar a qualidade do trabalho e das decisões tomadas no governo.

BBC Brasil – Como?

Berdahl – Sempre que há cabeças diferentes na mesa, com visões diferentes sobre como o mundo opera, ideias mais diversas tendem a surgir. Pesquisas mostram que, quando alguém é posto num grupo diverso, essa pessoa tenta imediatamente imaginar o que outras estão pensando e tende a refletir sobre uma variedade mais ampla de ideias do que faria se todos fossem iguais. Em grupos diversos, pessoas tendem a se comportar melhor e a fazer mais a lição de casa.

Foto: Arquivo pessoalImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image caption“Se você só nomeia homens brancos, ou você acredita que só eles têm méritos, ou o sistema na verdade não é baseado no mérito”, diz Berdahl

Mesmo que haja pessoas que só aparentem ser diferentes mas pensem igual, isso já ajuda na tomada de decisões, porque elas acharão que as outras pensam diferente delas e se prepararão mais, elaborarão mais seus argumentos.

Quando se está num clube só de meninos e todos são parecidos, as pessoas tendem a ficar preguiçosas e não se preparam para ter suas ideias desafiadas. As normas de interação nesse grupo tendem a ser mais informais e talvez até menos profissionais.

BBC Brasil – Homens no governo não podem ser tão bons quanto mulheres ao conduzir políticas voltadas a mulheres?

Berdahl – Homens individuais podem ser melhores que muitas mulheres. Temos Jimmy Carter (presidente dos EUA entre 1977 e 1981) e outros homens que realmente advogam pelas mulheres passionalmente. E também temos mulheres que se viram contra suas irmãs para obter vantagens. Algumas delas são machistas.

Mas, na média, se você for pegar 50 pessoas aleatórias, as mulheres serão mais sensíveis à causa das mulheres que os homens, simplesmente porque elas precisam ser.

Há ainda uma versão cínica da diversidade em locais de trabalho, quando se promovem mulheres e membros de minorias que estejam dispostos a obedecer. O grupo parece diverso, mas na verdade eles são fantoches. Esse é um perigo: encarar o tema como algo de superfície e não como uma questão de perspectiva. No fundo, são as políticas e as perspectivas de um líder que importam.

BBC Brasil O atual ministério do Canadá é considerado o mais diverso da história do país: há igual número de homens e mulheres, há ministros indígenas e membros de comunidades imigrantes. Como os canadenses reagiram à nomeação do grupo?

Berdahl – Acho que no início houve alguns múrmurios entre conservadores, alguns acharam que aquilo não foi justo. Mas acho que as pessoas aceitaram o argumento do (primeiro-ministro) Justin Trudeau: o de que ele teria um ministério assim porque afinal estávamos em 2015.

Os ministros estão representando os percentuais de eleitores de cada grupo. As crianças poderão vê-los como modelos e pensar: “eu posso estar lá”.

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