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VIDA ► 50 anos em musicais de cinema – 12: “Dança Comigo?”

50 anosSurpresa para quem por ventura costuma cair por aqui: a lista de 10 que passou a 12, agora vai terminar em… 13!

Ah, esses blogueiros sem limites…

Isso porque lembrei – e como poderia deixar passar – de “Dança Comigo?” (“Shall We Dance?”).

Que passa, então, a ser o número 12 destas minhas recordações.

Não, não o pastiche americano protagonizado por Richard Gere e Jennifer Lopez. Só pelo par de protagonistas já dá para perceber a apelação comercial.

Falo de um bom filme de verdade, meio na linha de “Vem Dançar Comigo”: o “Shall We Dance?” japonês de 1996.

Antes de mais nada: sim, um post assim costuma conter spoilers, uma ou outra revelação sobre a trama que vão além da sinopse. Certo?

O filme trata de um distinto pai de família (uma interpretação na medida do ator Koji Yakusho) daquele recatado país oriental que toda noite, ao voltar do trabalho de trem (ou metrô?) para casa, sente uma fixação cada vez maior pela silhueta de uma professora de dança que vê de relance dando aula em um salão.

Até que um dia o homem se enche de coragem – bem, não tanta coragem de uma vez assim –  e decide se matricular em uma aula de dança daquele salão.

E acaba, aula a aula, se envolvendo mais e mais com a arte da dança e com seus caricatos e divertidos colegas de turma, a ponto de se comprometer a participar de um concurso.

Tudo tratado com muita discrição, bem afeita aos costumes orientais, sem que em nenhum momento o protagonista deixe clara uma intenção de trair a esposa ou de se arriscar com a professora.

Claro que não dá para deixar de ressaltar a presença da linda bailarina – e vez por outra atriz – Tamiyo Kusakari no papel da professora. Acho que até eu acabaria me matriculando naquela escola…

E aqui vale uma lembrança importante de algo que norteia todo o filme: na sociedade japonesa, o contato físico é algo muito reprimido.

A dança, então, mesmo entre casais casados, é tratada com extremo pudor.

Daí toda a sutileza da trama, a delicadeza com que os passos são dados (sem trocadilho), revelando um conflito particular na medida certa para a história não tropeçar e cair (com trocadilho) em clichês baratos.

Até por isso, não achei fazer o menor sentido adaptar uma história assim para a sociedade americana, onde a dança não é nada recatada, o contato físico é constante, a permissividade rola solta, etc. São culturas totalmente diferentes. Enfim, a versão americana é apenas mais um caça-níqueis movido à crise de criatividade e talento dos roteiristas de Hollywood, que transformam uma quase obra-prima de delicadeza em uma… bobagem. Assim como fazem com diversos outros filmes orientais, asiáticos, europeus. E mesmo com obras americanas mesmo, que acabam assassinadas em refilmagens completamente dispensáveis.

Assim como “O Baile”, “Shall We Dance?” é outro item desta lista que certamente pouco foi visto. E que recomendo a quem gosta de música, dança e bom enredo.

Acabei escrevendo muito neste post. Mas até pelo provável pouco conhecimento sobre o filme, acabou saindo assim. O “Shall We Dance?” original vale.

Do YouTube, o trailer do file. Aliás, dois: o original em japonês e o da distribuição americana feita pela Miramax.

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