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Rio 2016 ► É preciso ponderar: há muito de preconceito e interesses escusos nas queixas e cobranças à Rio 2016

rio_2016Assim como houve da Fifa em relação à Copa do Mundo de 2014 – que acabou se tornando a de maior sucesso entre os torcedores da História.

Há problemas, claro, estão aí para serem verificados, atacados e solucionados. Ponto. Isso é uma coisa. Outra é a maneira absolutamente fora do tom e até preconceituosa com que esses problemas são abordados por segmentos esportivos e midiáticos especialmente europeus.

Ou além, como as queixas fora do tom da chefe da delegação australiana ao chegar à Vila Olímpica. Uma coisa é reclamar e exigir com razão. Outra é ser mal-educada. Afinal, os australianos, como todos os povos do mundo, estão sendo recebidos aqui. Poderíamos retrucar dizendo que se não estiverem satisfeitos, o aeroporto é logo ali – bem pertinho de minha casa, aliás.

Duvido que fizessem o mesmo se tivessem semelhante problema em Londres. Até porque a Austrália faz parte do Reino Unido, não tem autonomia para tanto, certo? Enfim…

Certa vez, não lembro se antes da Copa do Mundo da África em 2010 ou do Rio em 2014…

Creio que foi antes da Copa de 1014.

Bem, como eu dizia, certa vez um jornalista britânico escreveu um artigo explicitando o preconceito e a má vontade das grandes instituições esportivas com os países que não sejam aqueles acusados de imperialismo ao longo da História: Inglaterra, França, EUA…

Ele citou algumas ocasiões em que a Fifa ou o Comitê Olímpico Internacional pressionaram e ameaçaram até o último instante cidades sede de países em desenvolvimento.

Como no caso da atual Olimpíada do Rio de Janeiro, ameaçada de ser levada para os EUA por supostamente não conseguir preparar as arenas e a infraestrutura de acordo com os desejos do seu COI.

Foi assim também nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia, sede muito criticada pelas “potências” de sempre.

Foi assim na Copa do Mundo da África.

Mas não foi assim em 1996 em Atlanta, por acaso, uma Olimpíada cuja sede foi conquistada sujamente – e à época já se sabia disso. A sede deveria ser Atenas. Há décadas já se definira isso por conta do centenário dos Jogos Olímpicos da era moderna.

Mas o dinheiro sujo falou mais alto e levaram a Olimpíada do centenário para a insossa Atlanta. Algo tão absurdo que na volta da Olimpíada para a Europa, em 2004 (em 2000 foi em Sydney, Austrália), a deram para Atenas, como uma compensação pela puxada de tapete de que a cidade grega fora vítima. Duplamente vítima, porque em 2004 o país já não ia economicamente bem das pernas para satisfazer as faraônicas exigências do COI.

E a Olimpíada em Atlanta foi o que se viu.

Trânsito caótico, centro de informações surpreendentemente ineficaz, atentado no parque olímpico…

Um caos. Mas sem receber do COI um décimo das críticas e ameaças que o Rio recebeu – e recebe.

Exemplo prático: um problema dos primeiros dias no Rio foram as filas que se formaram na entrada do parque olímpico. Fato. Só esqueceram (leia-se COI) de mencionar que as filas ocorrem quase sempre nesses eventos e que em Londres também existiram, levando-se até mais tempo para entrar nas arenas ao longo das duas semanas de competições.

E agora o COI vem a público assumir o elitismo da instituição dizendo que precisam repensar a seleção das sedes olímpicas.

Ou seja: o que eles querem é concentração de eventos e rendas.

Em total afronta ao espírito olímpico do Barão de Coubertin, eles querem competições com estruturas cada vez mais milionárias, de modo que apenas os países ricos possam bancá-las.

Alguém precisa avisar a esses senhores que a maioria dos povos do planeta vive com dificuldades, lutando com muito esforço pelo desenvolvimento de suas sociedades. E que para esses povos seria muito bom, sob diversos aspectos, receber um evento do tamanho de uma Olimpíada.

Além disso, uma das grandes atrações olímpicas é expor ao mundo países e culturas diferentes, incluindo-se aí tanto suas atrações como suas dificuldades. A vida é assim, cheia de contrastes e batalhas a serem vencidas. A palavra é diversidade, algo que o COI apregoa, mas que deixa apenas em seu discurso.

Porque parece que o COI tem ojeriza a pobreza.

Nada de disseminar e incentivar a prática dos esportes pelos quatro cantos do mundo.

Se as pessoas criticavam a Fifa pelo investimento exigido para bancar suas competições… Olha, a Fifa é quase uma santa perto do COI.

O que os atletas olímpicos precisam é de uma vila com alojamentos decentes, campos de jogo adequados e um sistema de mobilização funcional.

Sem frescuras. Sem exageros. Sem exigências imperialistas. Sem dondoquices.

Deve-se levar o esporte e a Olimpíada a todos os continentes, mesmo a países que não sejam ricos.

Assim você distribui renda de patrocinadores, redes televisivas e afins, fomenta financeiramente as entidades esportivas locais e deixa um legado real – e não ilusório –  para a população e o esporte local.

Ou seja: a Fifa e o COI querem elitizar o esporte, tratando suas competições como eventos de luxo. No popular: são cheios de babaquices burguesas.

O que essas instituições pretendem – e o COI já deu pistas disso – é fazer nada diferente do que o cartel formado pela Liesa e as escolas de samba ditas grandes do Rio de Janeiro: um sistema que gere uma concentração da renda cada vez maior, de tal forma que quem tem muito vai sempre ter mais e quem tem menos vai sempre ter menos economicamente em relação a quem tem mais, com essa distância entre quem tem mais e quem tem menos aumentando sempre.

Bem olímpico isso, não?

*** *** ***

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