Início > Esporte, Rio 2016 > RIO 2016 ► Mais um pouco sobre problemas enfrentados por sedes olímpicas

RIO 2016 ► Mais um pouco sobre problemas enfrentados por sedes olímpicas

rio_2016Após eu publicar o texto sobre as queixas desmedidas em relação às Olimpíadas do Rio de Janeiro encontrei, numa coincidência bem legal, uma matéria publicada no portal Globo.com exatamente sobre os problemas ocorridos em outras sedes.

A matéria, escrita por um estagiário (Gabriel Silveira, legal também permitiram e assinatura do trabalho por parte de um estagiário) cita algumas ocorrências desabonadoras em Jogos Olímpicos passados, como a desastrosa experiência de Atlanta e a trágica ação do grupo terrorista Setembro Negro em Munique 1972.

A página inclusive traz links para páginas do jornal O Globo durante a cobertura das diversas Olimpíadas citadas, algo que efetivamente vale a pena o clique.

Eu reproduzo a seguir o texto da matéria, cujo link original é este aqui.

*** *** ***

Publicado: 08/08/16 – 13h 02min / Atualizado: 09/08/16 – 11h 08min

De Munique a Londres, problemas marcam organização dos Jogos Olímpicos

Em 1972, vila olímpica alemã era ‘computador de cimento’. Atlanta ganhou ‘medalha de desorganização’, enquanto capital inglesa criou faixa seletiva e teve metrô superlotado

Gabriel Oliveira*

 

Problemas na organização dos Jogos Olímpicos não são exclusividade da Rio-2016: mesmo países que estão no grupo dos mais desenvolvidos não estão livres de problemas quando recebem delegações do mundo inteiro numa só cidade. A Olimpíada de Atlanta em 1996, por exemplo, foi um verdadeiro caos para espectadores e atletas na questão da mobilidade urbana durante os primeiros dias de competição, acarretando, inclusive, o atraso de eventos esportivos. Nos Jogos de Londres, em 2012, os problemas no trânsito, que já marcavam o cotidiano da cidade, geraram dor de cabeça para os organizadores, que precisaram criar cerca 96 quilômetros de faixas exclusivas para veículos transportando atletas, dirigentes e convidados de patrocinadores. Com isso, a população enfrentou, durante quase todo o período de competições, a superlotação na rede metroviária da cidade.

Outras vezes, não é a infraestrutura o maior alvo das críticas, e sim a arquitetura das estruturas onde os atletas ficam hospedados. Na edição do dia 21 de agosto de 1972, a Vila Olímpica da cidade de Munique era classificada pelo GLOBO como um “computador de cimento branco”. Os elogios se restringiam à organização do local, enaltecendo que “como era de esperar em plena Alemanha Ocidental, tudo foi preparado com a máxima previsão antecipadamente e nada deve ser improvisado ou mesmo discutido”. No entanto, se a organização era o ponto forte dos alemães, o mesmo não se dizia do espírito olímpico da industrializada Munique, que contrastava com calorosa Cidade do México, sede dos Jogos anteriores.

“A própria Vila Olímpica é profundamente inumana à primeira vista: contrariando seu nome de vila e o aspecto que isso significa, e, diferenciada dos jogos anteriores, a ‘Vila de Munique’ é um bloco de cimento branco numa aglomeração comprimida para o mínimo, com os edifícios se montando um por cima do outro sem nenhum espaço verde no meio. Não fosse o colorido dos uniformes, dir-se-ia que que tudo pode parecer uma imensa prisão”, dizia a reportagem do GLOBO.

No entanto, a colorida e receptiva Cidade do México, a primeira edição dos Jogos na América Latina, foi marcada pelos protestos que antecederam a realização do evento. Em 2 de outubro de 1968, dez dias antes do início dos Jogos, a Praça das Três Culturas foi palco do massacre de Tlatelolco. No governo de Gustavo Díaz Ordaz, um grupo de 5 mil manifestantes, a maioria composta por estudantes e trabalhadores, protestou contra o governo. Os militares foram acionados e abriram fogo contra os ativistas. De acordo com os números oficiais do governo, cerca de 40 pessoas foram mortas e 20 ficaram feridas. Mas relatos da época falam em 200 a 300 vítimas fatais, segundo informações do Arquivo da Segurança Nacional da Universidade George Washington. Naquele ano, após vários protestos, Díaz Ordaz ordenara, em setembro, a ocupação militar do campus da Universidade Nacional Autónoma do México. Após o massacre, o governo mexicano ainda promoveu uma onda de prisões políticas no país.

Em Montreal-1976, houve uma falha grave na segurança. Embora não tenha sido alvo de ataques terroristas, três atletas australianos conseguiram entrar armados no complexo olímpico. As três carabinas, que haviam sido compradas na própria cidade, só foram descobertas porque a porta do alojamento dos australianos estava aberta. O incidente ocorreu quatro anos após o terrorismo abalar a Olimpíada de Munique e a apenas dois dias antes da abertura dos Jogos. Ao final do evento, os atletas australianos receberam as armas de volta. Apesar do ocorrido, alguns competidores se queixaram do excessivo aparato de segurança dos Jogos. Um competidor americano que não quis se identificar, ouvido à época pelo GLOBO, disse que a Vila se assemelhava a um campo de concentração.

“As medidas são tão severas que se torna praticamente impossível a entrada de alguém não credenciado na Vila. E mesmo os credenciados são obrigados a se submeter a um extenso processo de fiscalização, que inclui equipamentos ultra-modernos, como detectores de metais e ouro”, relatava o jornal na edição de 16 de julho daquele ano.

Nos Jogos de 1996, em Atlanta, os problemas na cidade americana foram múltiplos, dentro e fora da Vila Olímpica. No país que se orgulha pela capacidade de fazer dos eventos esportivos verdadeiros espetáculos, não houve tantos motivos para celebrar além da liderança no quadro de medalhas. Na edição de 23 de julho daquele ano, reportagem do GLOBO trazia o título: “Novo recorde quebrado em Atlanta: o de problemas”. Logo nos dois primeiros dias de competição, os setores de transportes e comunicação na cidade foram alvos de críticas do Comitê Olímpico Internacional (COI), que exigiu dos organizadores uma solução.

“Centenas de ônibus destacados para levar atletas e jornalistas aos locais de competição, e de volta à Vila Olímpica, hotéis e ao centro têm atrasado até hora e meia. E a IBM, encarregada de disseminar dados via computador, simplesmente deixou de fazê-lo no domingo em relação a vários esportes. O jogo de beisebol entre os Estados Unidos e a Nicarágua, por exemplo, teve de ser atrasado por mais de uma hora porque o ônibus que deveria levar os jogadores latino-americanos ao estádio não apareceu para apanhá-los na hora devida na Vila Olímpica”, dizia trecho da reportagem. Em função do noticiário negativo mundo afora, o prefeito de Atlanta, Bill Campbell, e o diretor do plano de marketing dos Jogos, Joel Babbit, entraram em atrito com jornalistas, acusando-os de denegrir a imagem da cidade injustamente.

Em Atenas, os atrasos que espantaram o mundo foram nas obras. Em março de 2004, a apenas cinco meses do começo da competição, a cidade grega, berço dos Jogos Olímpicos, era um verdadeiro canteiro de obras. Havia problemas na cobertura do Centro Aquático e do Estádio Olímpico de Atenas, além de atrasos em duas ligações rodoviárias e acessos aos locais de provas. Para transportar os jornalistas que acompanhavam o andamento das obras, os ônibus eram obrigados a enfrentar “ruelas, um subúrbio malconservado e um trânsito caótico. Para diminuir custos e atender às exigências da Federação Internacional de Natação, a solução foi o uso de uma cobertura temporária no Centro Aquático onde, mais tarde, Michael Phelps brilharia ao conquistar seis medalhas de ouro e outras duas de bronze. Além disso, a Vila Olímpica fora construída numa região de Atenas onde ocorriam os piores terremotos da Grécia, o que gerou certa preocupação por parte do COI.

Nos Jogos de Pequim, em 2008, a cidade passou longe dos problemas de infraestrutura, mas nem por isso ficou livre de críticas. Com investimentos de US$ 34 bilhões, a megaestrutura da Vila Olímpica não impediu que a poluição do ar na cidade fosse manchete nos jornais do mundo inteiro. A relação tensa com jornalistas estrangeiros, causada pelo constante temor de censura aos relatos de problemas da cidade, também marcou o evento. O céu cinzento, por sua vez, foi uma imagem constante em Pequim durante toda a competição. Entre outras críticas, uma que também chamou atenção foi o fato de pouquíssimos funcionários e voluntários saberem falar algum idioma que não fosse o mandarim, o que trouxe problemas de comunicação com turistas e delegações.

Em 2012, Londres enfrentou uma série de problemas às vésperas dos Jogos. Uma semana antes do início da Olimpíada, a empresa responsável por cuidar da segurança disse que não conseguiria contratar o número necessário de funcionários, o que levou a organização a convocar quase 5 mil militares para o evento Além disso, o caos no trânsito forçou o uso de 96 quilômetros de faixas exclusivas para veículos transportando atletas, dirigentes e convidados de patrocinadores. Em decorrência, houve superlotação na rede metroviária. Também houve atrasos na entrega de estruturas temporárias de competições e ameaças de greve de funcionários de diversas redes de transportes.

*estagiário sob supervisão de Matilde Silveira

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: