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RIO 2016 ► Das lágrimas do grande campeão ao americano boa praça: 10 momentos para o livro de recortes

rio_2016Antigamente havia o hábito de recortar jornais e revistas para lembrarmos coisas que não queríamos esquecer. Que queríamos sempre recordar.

Hoje, com o avanço tecnológico que vivemos, nem sei se esse hábito ainda existe (ou resiste).

Eu fazia muito isso em relação às Olimpíadas, por exemplo. Pobre da minha mãezinha que tinha que aturar aquele juntar sem fim de páginas amarelando anos a ano.

Hoje salvamos tudo em HDs, pen-drives, nas nuvens…

Até o dia em que um cataclismo derrube os servidores de todo o planeta… Mas isso é outra história.

Fato é que decidi marcar alguns momentos especiais dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Bons momentos.

Não vi tudo de todos os esportes como gostaria, claro. Mas de tudo que vi decidi registrar alguns momentos que me marcaram e dos quais me lembro neste momento em que teclo.

1 – O campeão sem medalhas

Conforme o título, começo com o supercampeão tenista sérvio Novak Djokovic. Djoko conquistou praticamente tudo que você possa imaginar em uma quadra de tênis, seja ela de saibro, carpete, grama…

Desde o início da carreira, Djokovic foge ao padrão sisudo do tênis tradicional. Sempre com uma personalidade divertida, alegre. Mesmo nos momentos de suas maiores glórias ou decepções, ele sempre encontrou espaço para deixar aflorar esse seu jeito de ser. Um cara bom astral.

Menos nas Olimpíadas. A única conquista que falta no currículo de Novak Djokovic é uma medalha olímpica defendendo seu país.

E ao ser eliminado ainda na primeira rodada do programa de tênis da Rio 2016, um dos maiores tenistas da História chorou como nunca antes havia feito.

2 – Na vitória e na derrota

O rúgbi é o esporte mais tradicional da Nova Zelândia. Melhor dizendo: o rúgbi é um fator de identificação do povo neozelandês. Tudo por conta das glórias e de toda a magia que envolve seu time masculino, os All Blacks (por conta do uniforme negro) e do tradicional e intimidador haka (dança de guerra milenar do povo maori) que promovem frente aos adversários antes de cada jogo.

Normalmente, o haka é feito antes de cada jogo e para celebrar grandes vitórias. Mas no Rio de Janeiro a coisa foi diferente.

Após perder a medalha de ouro para a Austrália, as meninas de preto promoveram um raro haka em dias de derrota.

Emocionante.

3 – Proposta chinesa

Pedidos de casamento em eventos esportivos estão na moda já há algum tempo.

Seja na arquibancada ou no campo de jogo.

Mas um pedido chinês?

Pois é. O esforço de globalização econômico da ainda fechada China parece estar modificando hábitos de seus cidadãos a passos rápidos.

Na Rio 2016 foi possível ver uma torcida muito animada, mais para o estilo ocidental do que para os contidos hábitos orientais.

E mesmo seus atletas demonstram hoje um comportamento bem mais extrovertido e espontâneo do que o de décadas atrás.

Como o caso da atleta de saltos ornamentais Ze Hi, pedida em casamento pelo colega de delegação Qin Kai logo após conquistar a medalha de prata no trampolim de 3m ao vivo e a cores para bilhões de pessoas no mundo inteiro.

Que bom que seja assim!

4 – “Quem? Eu?”

Como eu disse acima, os chineses andam bem saidinhos ultimamente. Bem mais descontraídos. Legal.

Mas a simpática e descontraída nadadora Fu Yuanhui talvez precise de algum tratamento para melhorar a atenção, a memória…

A reação dela, que sequer havia percebido que batera sua melhor marca na semifinal dos 100m de costas e assim passara para a final e cuja imagem, ao ser informada pela repórter que a entrevistava, viralizou rapidamente pela internet.

Pior – ou melhor: para quem diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar (uma lorota comprovada até por Usain Bolt…), após a final, Fu Yuanhui se dirigia cabisbaixa para a entrevista com a repórter de uma tv chinesa, sem ter percebido que conquistara a medalha de bronze!

Tiveram que informar a moça de seu resultado novamente…

Vá ser esquecida assim lá na… China, né?

5 – Um pedido de socorro dançante

Acho que nada foi mais engraçado na Olimpíada do Rio de Janeiro que o levantador de peso David Katoatau, no minúsculo arquipélago de Kiribati.

E veja só: por uma boa razão.

Quem vive navegando pela internet já deve ter visto vídeos do atleta, que após cada apresentação fazia uma dancinha, digamos, “qualquer coisa”.

Pode-se dizer que ele literalmente perdeu a disputa, mas não o rebolado.

E segundo Katoatau, ele faz isso para chamar a atenção para um drama que vive seu país.

Em virtude do aumento do nível dos oceanos, todo o arquipélago corre o risco de submergir nas próximas décadas.

Dizem que rir é o melhor remédio. Mas pelo visto, rir também pode ser a melhor propaganda.

Mensagem recebida. Pelo mundo inteiro.

6 – Lição de vida

Santiago_Lange

A história de superação do velejador argentino Santiago Lange pode facilmente ser encontrada na internet através de uma pesquisada no Google.

Pode-se usar os termos “velejador”, “argentino”, “câncer” e “ouro”.

Aos 54 anos e em sua sexta Olimpíada, Santiago superou um câncer no pulmão para conquistar uma medalha de ouro comemorada por praticamente toda a comunidade internacional da vela.

Ele venceu na categoria nacra 17 ao lado da compatriota Cecilia Carranza Saroli.

Eu ia escrever “violento” antes de “câncer no pulmão”, mas todo câncer dispensa esse tipo de adjetivo, por ser violento por si só.

Esse é o tipo de fato edificante que faz nos acharmos bem pequenos com nossas patéticas lamentações por conta de uma dorzinha aqui, outra acolá, uma frustraçãozinha mais adiante…

7 – Mergulho no raso para o ouro

Quem já correu em qualquer nível já deve ter imaginado algo assim.

Ou mesmo quem apenas se imagina correndo assistindo a alguma competição de atletismo.

O fato é a atleta de Bahamas Shaunae Miller precisou cruzar a linha de chegada da violenta prova dos 400m rasos com um mergulho para superar a campeoníssima norte-americana Allyson Felix.

Não que cruzar a linha de chegada em provas de velocidade seja exatamente uma novidade.

Até pelo contrário.

Mas cruzar a linha mergulhando e assim conquistar um ouro olímpico?

Sem querer cair em clichês mercadológicos, mas…

“Priceless”, não é mesmo?

8 – O sorriso da glória

Eu já vi muita coisa em matéria de esportes. Muita mesmo.

Mas não me lembro de ter visto antes algo assim.

O salto triplo que valeu o ouro à elegante, carismática e campeã atleta colombiana Catherine Ibarguen foi algo sem igual.

Ela simplesmente já sorria ao aterrissar na areia.

Repare aos 20 segundos do vídeo.

Me lembrou de um go que vi Cláudio Adão fazer com a camisa do Fluminense contra o Flamengo em um empate de 2 x 2 em 1980. O meia Mário entrou driblando pela esquerda e do fundo bateu para o meio. A bola cruzou a pequena área, passou por beques e pelo goleiro Raul, e Adão esperava já com o sorriso aberto no segundo poste para escorar para as redes. Ou ainda as corridas vencidas por Usain Bolt.

A imagem do sorriso de Catherine Ibarguen vale um quadro.

9 – O americano tranquilo

Sam_Kendricks

Nem todos os americanos são idiotas como os que motivaram a música do Green Day.

Apesar das Olímpiadas do Rio de Janeiro ter revelado uma penca deles…

Mas há o outro lado.

Há os americanos que provam que nem todos são pedantes daquele jeito. Há muitos diferentes dos Lochte da vida.

Como o medalhista de bronze do salto com vara Sam Kendricks.

Feliz com sua conquista (há quem só veja “conquista” numa medalha de ouro, pobres coitados…), Kendricks contrastava com a imagem chorona do destronado e mimado francês Renaud Lavillenie.

E mais que isso: Sam Kendricks deu uma verdadeira lição do que é o espírito do atletismo, o desejo de superação que ceve haver nessa modalidade esportiva em particular.

E um desejo não apenas de superação própria, mas de cada marca.

Não foi muito notado, ao menos não ouvi, vi ou li nada a respeito.

Mas quem puder acompanhar o salto vencedor do brasileiro Thiago Braz por uma câmera alta posicionada atrás do sarrafo, de frente para a corrida do atleta, poderá observar.

Ao fundo Kendricks se movimentava, quando Thiago começa a correr. O americano então para e começa a se contorcer como se ele mesmo estivesse saltando.

E quando Thiago supera o sarrafo e estabelece o novo recorde olímpico Kendricks pula e comemora como qualquer outro brasileiro no Estádio Olímpico Nílton Santos.

Eu achei muito bacana.

Até porque eu acho que é desse tipo de grandeza que os homens deveriam ser feitos.

10 – O raio

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