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BRASIL ► A difícil virtude da tolerância com o intolerável

05 set

Vou escrever uma coisa: esse negócio que o governo Temer Golpista está fazendo com a Comissão de Anistia é de deixar o confisco da poupança feita pelo Collor parecer apenas uma pegadinha de mau gosto.

Desfaçatez tem limite em relação à trágica ditadura que começou com o golpe de 1964 e aos covardes métodos de tortura (como se toda tortura não fosse covarde, eu sei…) e assassinatos promovidos pelo opressivo governo contra quem se opunha a ele.

Há quem não dê muita importância a isso.

Há quem diga que essa história de tortura seja um exagero.

Há quem minimize a coisa toda.

Há quem ache que a ditadura militar no Brasil seja uma criação de uma série de ficção da Globo levada ao ar com o nome de “Anos Rebeldes”.

Talvez por nunca ter tido a chance (ou o interesse) de ler algo absolutamente chocante como o livro “Brasil: Nunca Mais”.

Ou talvez por não ter tido uma mãe, um pai, um irmão ou outro ente querido amarrado no pau de arara com um cabo… (bem, melhor mudar de parágrafo…)

Ou quem sabe por acreditar na Globo e na Abril e nunca tenha ouvido falar de um livro boicotado pela “grande mídia” chamado “Cães de Guarda – Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988″, de Beatriz Kushnir, sobre o colaboracionismo da imprensa (não toda, claro) com o regime militar.

Ou então por ter estado do lado “de lá” e/ou seja (mesmo que discretamente, muito discretamente mesmo, eu diria…) um simpatizante do golpe travestido de “revolução” e defensor dos métodos de “interrogatório” usados em um momento de “guerra” (e nesse caso, por uma questão lógica, tenha torcido contra João Alfredo e seus companheiros de luta na citada série de TV), como se tortura não fosse algo mundialmente repudiado e condenável pela sociedade civilizada em qualquer tipo de conflito ou situação.

A pergunta que me faço é: “Como ser tolerante com quem defende esse estado de coisas?”

“Como dialogar?”

Difícil, muito difícil. Não é nem o caso de ter “muito Jesus no coração”. Acho que só mesmo com o Homem encarnado ao lado puxando a orelha o tempo todo: “David, David, para com isso…” Ou: “Pense em Mim, pense em Mim…”

Como Ele tem mais o que fazer, acho que nesta vida está mais para não rolar essa tolerância ou esse diálogo todo, não…

tortura_nunca_mais

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 5 de setembro de 2016 em Brasil, Política

 

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