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RIO 2016 ► Minha Olimpíada resumida esporte a esporte

19 set

rio_2016Bem, as Paraolimpíadas (me recuso a digitar Paralimpíada, viola nossa língua…) terminaram e eu não terminei de registrar o que gostaria sobre as Olimpíadas Rio 2016. Mas vou preencher essa lacuna hoje.

Decidi escrever um pouco sobre cada esporte do programa olímpico. Sem maior profundidade ou compromisso. Mas algo que ajude a me lembrar do que acompanhei em mais uma edição de Jogos Olímpicos.

Já disse como eu gosto de Jogos Olímpicos? Pois é. E aqui em casa isso vai passar à próxima geração: minha princesa de 5 anos está arrasada com o fim das Olimpíadas e das Paraolimpíadas. Puxou o pai…

Atletismo – O rei dos reis das modalidades olímpicas. Se os Jogos Olímpicos pudessem ser resumidos em uma modalidade, essa seria o atletismo. Assisto a tudo que posso. Da confirmação da lenda Bolt à surpresa brasileira de Thiago Braz, tudo tem um ar épico em um estádio olímpico. Apesar da medalha solitária de Thiago, o Brasil teve resultados bem razoáveis, com um número relevante de finalistas em relação a competições anteriores. Sempre uma modalidade 10, nota 10!

Badmington – Não vi nada. Mas não por desinteresse. Foi falta de oportunidade. Acho um esporte bem legal, bem jogável, ao alcance de todos. Se fosse jovem até poderia me interessar em praticar. Acompanhei em outras Olimpíadas. Cheguei a torcer por uma dinamarquesa de nome Camille Martin que ousou desafiar chinesas e levou a prata em Sidney. Mas o domínio oriental é implacável. Bem, costuma ser. Este ano zebrou, uma espanhola levou o ouro feminino. Fico no melhor estilo de Sílvio Santos em relação ao filme da semana que era exibido no SBT: “Não vi, mas gostei.”

Basquetebol – Um clássico dos esportes coletivos, especialmente depois que os americanos perceberam que não venceriam mais nada se não levassem seus profissionais da NBA. E levaram o ouro de novo, não sem alguns sustos. Afinal, aprenderam que sem treino e dedicação a casa cai. Isso no masculino, porque no feminino os EUA já tinham percebido isso antes e dominam a área há mais tempo e com maior folga. O Brasil… Bem, fracasso é a palavra certa. Não faltou luta, mas o basquete brasileiro não encaixa há um bom tempo. O feminino morreu sem a geração de Hortência, Paula, Janeth e Alessandra. Falta talento. Não tem quantidade de onde possa sair qualidade. E o masculino não tem personalidade, não tem quem decida, quem faça gols – digo, cesta. Não dá para conquistar algo numa Olimpíada sem um líder e um cestinha. E o Brasil não tem isso desde os tempos de Oscar e cia.

Reprodução/COBBoxe – Não vi, até porque sem o critério (discutível) de pontuação por golpe acertado (sempre na duvidosa opinião dos jurados) ficou mais difícil saber quem está vencendo uma luta, sempre decidida por pontos. Não dá para entrar na cabeça de suas senhorias. Fiquei na torcida à distância e achei fabuloso o resultado dos pugilistas brasileiros. Mas não posso deixar de registrar: o boxe feminino não me pega. Prefiro passar.

Reprodução/COBCanoagem Slalom – A “pista” montada em Deodoro era espetacular e as competições a que assisti pela TV foram em dias nublados e frios. Nem parecia uma paragem carioca. Esporte muito bacana, radical. E com um desempenho inédito do brasileiro Pedro Da Silva, sexto colocado no caiaque individual. Valeu muito.

Reprodução/COB

Canoagem Velocidade – Outro esporte tudo a ver com uma Olimpíada. É possível imaginar os atletas olímpicos originais competindo em uma modalidade dessas… E fácil de acompanhar e de torcer. E torcer muito pelo canoísta brasileiro Isaquias Queiroz, nosso destaque na competição. 10, nota 10 com louvor para a canoagem.

Reprodução/COBCiclismo BMX – É uma modalidade da linha radical, daquelas inseridas nos Jogos para atrair os jovens (como as vindouras surfe e skate, no programa de 2020) que eu curto muito. Se pudesse, teria ido assistir. Só o fiz pela TV. E foi muito legal. A pista no Rio, inclusive, era linda. Vi todas as semifinais e finais, com destaque para o domínio da colombiana Mariana Pajón no feminino, vencendo todas as corridas. Ela esteve simplesmente perfeita por aqui. Outra modalidade que leva o selo de “aprovado” pelo blog.

Reprodução/COBCiclismo de Estrada – Já o ciclismo de estrada deve ser maravilhoso para quem pratica. Mas assistir… Confesso que não faz muito o meu gênero, apesar de, paradoxalmente, admirar bastante as locações (geralmente de tirar o fôlego), as provas e os competidores. Levamos o susto do grave acidente com a holandesa Annemiek van Vleuten, uma das favoritas ao ouro e que liderava a disputa. Mas a atleta está bem, o pior passou. Outra modalidade atraente.

Reprodução/COBCiclismo de Pista – Esse ciclismo já é tradicional e é bem atraente, com as cores de uniformes, bicicletas, pistas e, claro, a velocidade e as estratégias que envolvem as provas. Não vi muito, mas se pudesse é outra modalidade a que acompanharia com o maior prazer. Pena ainda não sermos competitivos, mas quem sabe com o legado da pista?

Reprodução/COB

Ciclismo Mountain Bike – É outra da modalidade “spin-off” do ciclismo na linha radical que eu acho muito atraente. Não vi a prova feminina, mas acompanhei o enduro masculino. Muito bom. Os atletas que praticam esse tipo de esporte não são de fazer “mi-mi-mi”, manha ou chororô, como o comportamento mimado do COI em relação a seus jogos.

Reprodução/COBEsgrima – É outra modalidade clássica dos Jogos Olímpicos. Mas confesso que não acompanhei tanto como poderia (não faltou oportunidade de transmissão) por absoluta opção; Opção por outros esportes. Mas não tiro mérito nem relevância na esgrima. Como disse, modalidade clássica, de enorme valor. Não há como imaginar Olimpíada sem esgrima.

Reprodução/COB

Futebol – Aqui é preciso dissociar bem masculino e feminino. Como os demais esportes coletivos, o futebol feminino olímpico leva o que há de melhor no esporte. E mais uma vez estava eu a me descabelar com Marta e suas colegas em busca do sonho dourado. Que não veio mais uma vez. Mas foi uma grande competição. E ainda pude ver a Hope Solo (outra “idiota” norte-americana) papar seus frangos e ficar longe do pódio. Priceless. Já o futebol masculino é algo totalmente anacrônico em relação ao programa olímpico. Viola o conceito básico do evento, que é apresentar os melhores de cada esporte. E o futebol masculino não tem isso. É o único esporte coletivo que não traz os melhores. Para não se indispor com dona Fifa, o COI estabelece um limite de idade de 23 anos, mas nem dentro dessa faixa etária vêm os melhores. Ao menos não das grandes confederações. E até os três jogadores acima de 23 que a regra permite servem para abrilhantar algo. Na medalha de prata Alemanha, por exemplo, até esses três acima de 23 eram medíocres, sem destaque no futebol do país. Dos grandes países do futebol, só o Brasil, desesperado por uma inédita conquista, levou o que tinha de melhor. E a duras penas conseguiu seu objetivo eu torneio absolutamente medíocre. Melhor seria o COI determinar apenas jogadores sub-17, talvez assim participassem os melhores ao menos nessa faixa etária. Ou defenestrar de vez o futebol masculino do programa olímpico, porque se não é um esporte que apresente o que tem de melhor, não tem por que estar inserido em uma Olimpíada. Para o feminino: 10, nota 10! Para o masculino: já deu…

Reprodução/COBGinástica Artística – Outra modalidade clássica, não há nem muito o que comentar. Todo mundo acompanha hipnotizado em frente à telinha (ou telona) de quatro em quatro anos. Principalmente depois da ascensão brasileira, todo mundo virou expert em “salto duplo carpado” e afins. Eu, que em 1976 me apaixonei por Nadia Comeneci, a jovem romena de 14 anos que surpreendeu o mundo ao tirar em Montreal um inédito 10 (e viriam outros ainda) tão inédito que o placar exibiu um “1,00” como nota e o público e a imprensa demoraram a entender o que estava acontecendo, não me surpreendo com essa admiração toda.

Reprodução/COBGinástica de Trampolim – É uma modalidade nova. E a princípio parece meio boba. Afinal, à primeira vista, ao olhar leigo, não é lá muito diferente do que as crianças fazem nos pula-pulas das pracinhas nos finais de semana… Mas ao parar para assistir vê-se que é um esporte que pode vingar no programa olímpico. Há um alto grau de complexidade na execução dos saltos e vou te dizer: os sujeitos vão a uma altura, hein? Por enquanto, fica em “altos” comigo.

Reprodução/COBGinástica Rítmica – Já a ginástica rítmica (outrora GRD – ginástica rítmica desportiva) é de uma plasticidade exuberante. E uma modalidade com apresentações de tirar o fôlego, tanto pela beleza quanto pela tensão, pelo medo de que algo dê errado. As meninas são simplesmente demais e precisam trabalhar com um nível de dedicação, concentração e controle de nervos absurdo. Pena que, como em tantos esportes de avaliação subjetiva, os jurados levem até décadas para avaliar nações iniciantes e em evolução da mesma forma que avaliam reconhecidas campeãs. Parece que performances semelhantes de uma “novata” e uma “veterana” geram sempre uma nota maior para quem os jurados já conhecem. Como em nado sincronizado, por exemplo. Mas fora isso, difícil uma Olimpíada ou Pan-americano que eu não pare para acompanhar.

Reprodução/COBGolfe – Não. O golfe no programa olímpico não me pegou. E ainda sofreu com a ignorância demonstrada por grandes golfistas que não vieram ao Rio com medo da zika – em pleno inverno. E justo quando a doença está matando… na Flórida, Estados Unidos. Enfim, não vejo nada que justifique golfe numa Olimpíada. Acho um esporte de elite, de difícil acesso para as massas. Enquanto isso, o futsal continua de fora… Mas gostei muito da declaração de um veterano golfista, o sul-africano Gary Player, um supercampeão, capitão da equipe de seu país, que desancou os atletas de ponta que não vieram por medinho disso e daquilo: “Não querem promover o golfe. Não se dão conta de como têm sorte. Não entendem o que os Jogos Olímpicos significam para o golfe. Eu teria dado qualquer coisa para jogar, teria vindo remando para competir nos Jogos”, afirmou. E continuou: “Eles têm mais chances de morrer em um acidente de trânsito ou por um tiro do que pela zika. Vejo que há dez casos de zika em Miami. Isso significa que todos os profissionais têm que se mudar da Flórida?” E ainda chamou de vergonhosa a decisão de seus compatriotas que não vieram ao Rio. Ele aprovou o campo, a natureza ao redor, os animais… Para Gary Player, uma imensa nota 10! De resto, talvez no futuro mude de ideia. Por ora, passo.

Reprodução/COBHandebol – Uma modalidade sempre top em uma Olimpíada e na qual finalmente o Brasil se tornou competitivo, tanto no masculino como no feminino. Que bom! Aliás, só a falta de estrutura para justificar essa demora toda, já que é um esporte praticado por muitos jovens em idade escolar. Infelizmente, não medalhamos por aqui. Mas faz parte. Meu único problema com handebol foi a fratura no cotovelo que sofri treinando pelo time da escola no longínquo ano de 1979, na Sun Yat-sen. Eu não era lá muito fã nem um craque propriamente dito. Mas me movimentava e lançava bem e jogar no time da escola que disputaria um torneio intercolegial era “legal”. Só que por causa da fratura do cotovelo no handebol perdi a vaga no time de futebol de salão (não esse futsal de hoje) e tive que acompanhar o torneio da arquibancada do Lemos Cunha… Foi chato, bem chato. Me prometi que nunca mais jogaria handebol. E não joguei. Mas não creio que o handebol tenha sentido muito minha falta….

Reprodução/COBHipismo Adestramento, Hipismo CCE e  Hipismo Saltos – É clássico, tradicional, isso e aquilo… Mas não gosto muito, não. Por mais que os animais sejam tratados com todo carinho e esmero, como extremos cuidados, Reprodução/COBnão gosto. Não chega a ser como as touradas, claro, em que torço sempre pelos touros, mas não acompanho tanto. Preciso melhorar nisso, já que é um esporte bastante clássico também. E não, não tem Reprodução/COBnada a ver com os traumáticos refugos de Baloubet du Rouet  que levou nosso ouro embora na competição de saltos em Sidney…

Reprodução/COBHóquei sobre Grama – Ao contrário da modalidade acima, adoro. Sempre gostei de acompanhar hóquei sobre grama, mesmo com poucas oportunidades de assistir. Vi muitos jogos pela TV e me frustrei por não ter conseguido ir a Deodoro torcer “in loco”. Mas tudo bem. Pena que ainda estejamos engatinhando tanto entre os homens como entre as mulheres. Mas já engatinhamos, já é alguma coisa. Um dia seremos competitivos, é um esporte bem ao nosso gosto. É aguardar para ver.

Reprodução/COBJudô – O judô dispensa comentários. É o único esporte de luta elegante que conheço. Extremamente técnico. E com atletas levados a um nível de desgaste elevadíssimo. Tantas lutas em um único dia… Tantos anos de treino para um único dia… Um dia no qual pode-se sair da cama com o pé esquerdo… e aí? Até para conquistar o bronze é uma judiação. Ao contrário do boxe, por exemplo, que distribui medalhas para os dois derrotados nas semifinais, o judô é uma das competições de luta em que ainda há disputa pelo bronze. E quem disputa o bronze pode acabar lutando até mais vezes do que os finalistas. Se pudesse, teria ido assistir a todas as categorias. Valeria a pena.

Reprodução/COBLevantamento de Peso – Outrora chamado de halterofilismo. Vá entender por que o site oficial dos Jogos opta por “levantamento de peso”… Apesar de eu não acompanhar normalmente, é uma modalidade que tem meu respeito e que entendo toda sua valorização, em determinados países especialmente. Nós aqui vamos de pouco a pouco. Mesmo sem medalhas, conseguimos razoáveis resultados. Algumas finais. Foi bom.

Reprodução/COBLuta Olímpica – Eu seria hipócrita se dissesse que entendo esse esporte. Ainda mais com divisão: estilo livre e greco-romana. E mais hipócrita se dissesse que algum vez fiz algum esforço para entender. Um dia, quem sabe… Mas sei que é um esporte tradicionalíssimo, que remete aos Jogos Olímpicos originais e, portanto, imprescindível ao programa olímpico. Mas não tenho realmente o que comentar sobre ele.

Reprodução/COBMaratona Aquática – Assim como maratonas do atletismo (e também as marchas), me parece às vezes algo tão individual, um desafio tão auto-imposto pelo próprio atleta, que acho difícil de acompanhar. Mas acompanhei! Tanto a maratona masculina quanto a feminina. Fui dominado pela determinação e pela resiliência dos nadadores avançando pelo mar em busca dos objetivos máximo (o pódio) e mínimo (completar a prova). E ainda levamos um bronze entre as meninas. Como diria Spock, fascinante!

Reprodução/COBNado Sincronizado – Não sei se estou ficando velho, mas, assim como a ginástica rítmica, fico um tanto nervoso assistindo ao nado sincronizado por conta da preocupação que das atletas errarem as coreografias. Mas fala sério: é um esporte absurdamente belo. Pena que caia naquele vício dos jurados serem bem mais simpáticos a quem já conhecem, a quem já estão acostumados a ver disputando os títulos de todas as competições. Isso gera muita injustiça e um certo inconformismo da minha parte. O Brasil é um dos países que vêm sofrendo muito com esse estado de coisas. Mas o espetáculo em si… É isso! Às vezes nem parece esporte, parece um espetáculo mesmo.

Reprodução/COBNatação – A natação é outro ponto naturalmente alto de uma Olimpíada. A daqui não foi diferente. Teve de tudo, com destaque para a volta triunfal de Michael Phelps (nadando, não falando…)  e para húngara Katinka Hosszú, conhecida como “a Dama de Ferro”, dominante após três participações olímpicas sem sucesso. E absolutamente incansável: na semana seguinte aos Jogos já estava ela nadando em diversas provas no mesmo dia em uma etapa da Copa do Mundo de Natação. Mas há três destaques bem negativos:
– O Brasil não foi bem. Não sei se por conta de um erro de treinamento ou do horário bizarro das provas noturnas. Apenas um bronze com Etiene Medeiros foi muito pouco. Pior: não é uma questão de medalhas, os nossos nadadores fizeram quase sempre tempos bem abaixo do que normalmente fazem. Fizessem o que já haviam feito e teriam resultados bem superiores, até com pódios. Lamentável.
– O absurdo horário das provas noturnas, imposto pelas TVs, seja lá Globo, NBC, XYH, TJY, de que país for. Poucos recordes foram batidos, prova inconteste de como os atletas sentiram nadar tarde da noite e ainda ficar com pouco tempo de recuperação para as provas seguintes. Prova dessa influência negativa é que na paraolimpíada, com as provas sendo disputadas em horários normais (manhã e início da noite) os tempos caíam como uma avalanche. Um baita ZERO para os responsáveis.
– E, claro, os… hum… bobocas (digamos assim, para não baixar o nível) nadadores americanos capitaneados pelo doente (isso é coisa de doente) Ryan Lochte que armaram uma patética e irresponsável farsa para justificar uma bebedeira seguida de arruaça. Nem os americanos estão perdoando o sujeito. Mas ele merece, fazer o quê?

Reprodução/COBPentatlo Moderno – Eu adoraria acompanhar a modalidade em que a brava pernambucana Yane Marques medalhou em Londres. Gosto muito de modalidades em que o atleta tem que se mostrar hábil e versátil. Mas não deu. Nem para mim nem para Yanes. Pena.

Reprodução/COBPolo Aquático – Esse derivado da natação da natação inspirado no futebol sempre foi um esporte atraente e muito disputado – e com muita violência subaquática. Mas optei por não acompanhar. É outra modalidade em que o brasil aos poucos vai se tornando competitivo. Acredito que a médio prazo cheguemos ao mesmo nível do nosso handebol.

Reprodução/COB

Remo – Outra modalidade clássica do programa. Um dos mais característicos esportes olímpicos. E que sempre me frustra: não entendo como o Brasil ainda não se tornou uma potência. É um esporte muito praticado por aqui, clubes e atletas se dedicam com esmero. Mas pelo visto caem em nosso problema clichê: a absoluta falta de interesse e competência de nossos dirigentes. Injustificável. Mas ainda assim eu sempre dou uma olhada na competição de remo, especialmente se não tiver brasileiro na prova, pois assim a frustração é menor. E também nesta modalidade vale registrar a crítica de um supercampeão aos que não vieram por isso ou aquilo. O britânico Steve Redgrave, “apenas” cinco vezes consecutivas ouro olímpico (de 1984 a 2000), disse textualmente que os golfistas bobocas citados lá em cima não vieram ao Rio por um motivo básico: dinheiro. E que usaram a zika apenas como desculpa esfarrapada. Pois é, palavra de campeão…

Reprodução/COBRúgbi de Sete – Por incrível que pareça, eu acho rúgbi um esporte bastante interessante. O fato de atacar sem poder passar a bola para um companheiro à frente sempre me chamou a atenção. Paro para assistir de vez em quando às grandes competições internacionais. E tem ganhado cada vez mais praticantes por estas bandas. Além disso, é um esporte muito tradicional. Mas não sei se justifica-se sua presença no programa olímpico. Deixando isso de lado, a competição atraiu a atenção de muita gente. E ainda teve neozelandeses fazendo o “haka”. Dizer o quê? Aprovado.

Reprodução/COBSaltos Ornamentais – Vale aqui praticamente o mesmo que para o nado sincronizado e outros esportes de julgamento subjetivo: está sempre sujeito ás convicções conservadoras dos jurados. Fora isso, é extremamente atraente. Infelizmente, o Brasil ainda não deu o salto (sem trocadilho…) que esperávamos ter dado. Parece ter empacado nos últimos anos e começado a regredir. A simpática, dedicada e hoje veterana Juliana Veloso ainda nos representar é prova de falta de renovação, falta de dedicação de novas gerações. Falta de foco, como gosta-se de dizer. Uma saltadora como Ingrid Oliveira parece atestar isso: personalidade difícil, inconstante e aparentemente dispersa e egocêntrica. Pena.

Reprodução/COBTaekwondo – Outro esporte de luta de origem oriental que eu gosto muito. Por incrível que pareça, até me imaginaria praticando. Isso se tivesse 30 anos menos… e ainda assim, só de imaginar parece que vou sentir câimbras e distensões… Que bom que conseguimos um pódio, com Maicon Siqueira. É outro esporte que só posso creditar a falta de resultados mais expressivos à absoluta incompetência de seus dirigentes. Temos um grande potencial para fazer muito mais.

Reprodução/COBTênis – Interessante o tênis ter vingado como esporte olímpico. Por ser um dos mais profi$$ionais dos esportes, quando entrou no programa não atraía os grandes nomes: não rende pontos nem dinheiro. De um modo ou de outro, isso foi mudando e hoje, aparentemente, os grandes tenistas se dedicam à disputa do ouro como algo para selar suas vitoriosas carreiras defendendo seus países. Com honesta dedicação. Vide a enorme frustração de Novak Djokovic ao cair logo no início do torneio. A lamentar apenas os desinformados que ficaram com medo da zika em pleno inverno carioca… Talvez não voltem a ter a chance de disputar uma Olimpíada por absoluta ignorância. Mas não dá para falar do tênis terminando de forma negativa. Impossível não citar o fenomenal feito da porto-riquenha Monica Puig. A jovem tenista de 22 anos e resultados nada expressivos viveu uma semana de sonhos. Ela bateu duas Top 10 do ranking e não só alcançou seu primeiro título, como se tornou a primeira mulher de seu país a conquistar uma medalha e, de quebra, deu a Porto Rico o primeiro ouro de sua história olímpica. Dez é pouco para ela!

Reprodução/COBTênis de Mesa – Como costumo dizer, nosso popular pingue-pongue me estressa. Gosto, acho competitivo, difícil, de um nível muito alto… mas não paro para assistir. Aquela bolinha para lá e para cá, aqueles efeitos doidos, as batidas, tudo me deixa meio tonto e ansioso. Puro nervosismo. Torço à distância. Melhoramos aos poucos, mas bater os orientais no tênis de mesa é muito difícil.

Reprodução/COBTiro com Arco – Que eu jurava ser arco e flecha… De todo modo, a modalidade disputada no Sambódromo me pegou. Gostaria muito de ter ido assistir. Torci pelos nossos (Ane Marcelle nos levou a uma inédita oitava de final) e pelos outros. E fala sério: aquele alvo fica longe à beça! Pela TV às vezes não temos a verdadeira noção, mas acertar a flecha àquela distância… Hipnotizador.

Reprodução/COBTiro Esportivo – Gostaria de ver mais, muito mais. Apesar de não gostar tanto da modalidade fossa olímpica (não era isso o tal de “tiro ao prato”?). Mas tanto essa como as de carabina e rifles me deixam abismados com a precisão dos atiradores. E ainda levamos uma medalha, a nossa primeira na Rio 2016: Felipe Wu, prata, na prova de ar 10 metros. O sujeito é um fenômeno: treinava no quintal de casa com o alvo a uma distância inferior. Mas atraiu as atenções ao conquistar o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no ano passado e daí para o topo foi um pulo. Ou um tiro… Prova de que talento nós temos, somos uma população imensa. Falta competência administrativa.

Reprodução/COBTriatlo – Lógico, se falarmos de esforço atlético o triatlo vem no topo. Mas não vi, não acompanhei, não deu. Já vi algumas disputas pela TV. Confesso que não é das minhas modalidades favoritas, mas tem todo meu respeito.

Reprodução/COBVela – Apesar de não ser um esporte das massas e necessitar ser de uma família de boas posses, a vela é um esporte olímpico tradicional e também muito atraente, sob meu ponto de vista. Ainda mais sendo disputado no cenário carioca. Normalmente, a vela é realizada distante dos centros olímpicos, às vezes até fora da cidade. A imagem mais típica que tenho da vela olímpica é dos sujeitos festejando uma medalha sozinhos no meio do mar, tempo fechado, apenas com os barcos de apoio ao redor. Moscou foi assim. Aqui não. Uma multidão acompanhou as provas nas areias da Marina da Glória. Um ambiente extremamente agradável. Queria muito ter ido, não fui. Outra pena. De quebra, o Brasil festejou o ouro da dupla (aparentemente desfeita…) Martine Grael e Kahena Kunze na classe 49erFX.

Reprodução/COBVôlei – Desde as mudanças nas regras do vôlei, especialmente o fim da vantagem para conseguir o ponto, deixei o esporte de lado. Acompanho apenas em Olimpíadas e Pan-Americanos. Eventualmente, um Mundial ou outro. Acho que passou a ser mais força e menos técnica e estratégia. Minha opinião. Enfim, o masculino nos garantiu um tradicional ouro. Pena que as meninas falharam este ano. Depois de uma primeira fase invicta, irrepreensível. Mas encontraram umas chinesas que, após um início discreto, foram perfeitas a partir do primeiro mata-mata. Com direito a uma grande torcida vermelha e animada na arquibancada.

Reprodução/COBVôlei de Praia – Vou dizer uma coisa meio óbvia, mas que quero registrar: acho o vôlei de praia muito desgastante. Me canso apenas ao assistir. E os atletas ainda foram obrigados – e aqui, aparentemente, responsabilidade de dona Globo de televisão – a jogar em horários insanos. Partidas terminavam durante a madrugada, o que fazia os jogadores dormirem ao raiar do dia. Lamentável, padrão Globo de comportamento. Mas vi bastante e os torneios, tanto masculino quanto feminino, foram empolgantes. Levamos ouro no masculino, bronze no feminino e vimos toda a classe de Kerri Walsh, em sua enésima Olimpíada e um punhado de ouro na coleção, vibrar com uma medalha de bronze. Uma aula de grandeza (provando que nem todos os americanos são idiotas), uma campeã de verdade (não um recalcado Lavillenie da vida). Mereceu todos os aplausos que recebeu.

E foi mais ou menos assim que vi os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

 

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2 Comentários

Publicado por em 19 de setembro de 2016 em Esporte, Rio 2016

 

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2 Respostas para “RIO 2016 ► Minha Olimpíada resumida esporte a esporte

  1. wellington lopes

    20 de setembro de 2016 at 9:20

    Melhor comentário entre todos os que li, vi e ouvi. Parabéns! E gostei do “Paraolímpicos”!

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