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RIO 2016 ► O protesto etíope da Paraolimpíada: “Eu não voltarei para casa porque, se eu voltar, serei morto.”

paraolimpiada_rio_2016Escrevi por aqui, como meu destaque olímpico, o protesto feito pelo maratonista etíope Feyisa Lilesa, denunciando arbitrariedades e crimes cometidos pelo governo de seu país.

Agindo assim, Feyisa Lilesa colocou em risco a própria vida como a de seus familiares.
Quanto aos familiares, não se sabe como estão. Já Feyisa ainda não teve coragem de voltar para casa. Por mais que o governo etíope tenha lhe dado garantias, ele não confia muito nisso.

Eu também não confiaria.

Por ora, Feyisa Lilesa está exilado em Nova York, decidindo o próximo passo de sua vida.

Mas o maratonista olímpico não foi o único atleta do país a aproveitar a visibilidade de um grande evento para denunciar ao mundo o mal que assola sua terra e se manifestar em defesa do povo Oromo.

tamiru-demisse Tamiru Demisse cruza os punhos na chegada dos 1.500m rasos,
categoria T13, dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeirotamiru-demisse-2

Tamiru Demisse, etíope como Feyisa, foi medalhista de prata (como Feyisa também) na Paraolimpíada. Ele correu a prova de 1.500m da classe T13, para deficientes visuais parciais, que conseguem enxergar alguma coisa – tanto que a presença do guia é dispensável.

Assim como seu compatriota olímpico, Tamiru Demisse fez o gesto dos punhos cruzados ao chegar à linha final, abdicando inclusive da disputa da glória do primeiro lugar, pois, acredito eu, ele visivelmente trava a corrida se preparando para levar as mãos ao alto. Se não o fizesse, poderia ultrapassar o argelino Abdellatif Baka e conquistar a medalha de ouro.

E um parágrafo digressivo para um registro curioso: tanto os três medalhistas quanto o quarto colocado para olímpicos fizeram um tempo melhor que o medalhista de ouro olímpico.

Voltando ao tópico do post, no pódio, Tamiru tornou a repetir o gesto de protesto.

À imprensa, ele disse, abrindo aspas:

“A Etiópia não tem liberdade. Milhões de pessoas são contra o governo. Eu não voltarei para casa porque, se eu voltar, serei morto.”

Não só os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, como o esporte em geral, precisam de mais atletas como Feyisa Lilesa e Tamiru Demisse.

Atletas que já são História.

É difícil, muito difícil arriscar-se assim, abdicar de tanta coisa por uma causa, mas felizmente há humanos que conseguem ter esse tipo de gesto de grandeza. Não sei se eu seria capaz disso. Provavelmente não. A maioria de nós não.

Que a “Força”, seja ela da crença que for, esteja sempre ao lado de gente como Feyisa Lilesa e Tamiru Demisse…

*** *** ***

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  1. 21 de setembro de 2016 às 7:32

    O próprio presidente Back Obama, durante a reunião na ONU, fez questão de dizer que os países ricos deveriam acolher essas pessoas, mas será que ele faz o mesmo? Ele talvez até tente, agora se o Trump for eleito…

    Curtir

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