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MUNDO ► O (bom) terremoto provocado pelo quarterback Colin Kaepernick

21 set
colin_kaepernick

O quarterback Colin Kaepernick fazendo um de seus maiores lançamentos

Grandes eventos esportivos são oportunidades únicas de se fazer ouvir pelo mundo inteiro com uma certa proteção. Assim como os etíopes citados na postagem anterior fizeram na Rio 2016.

E os atletas estão começando a perceber isso de uma forma mais clara.

A área de São Francisco, nos Estados Unidos, está destinada a um grande terremoto. Infelizmente. É uma questão geológica. O povo vive em sobressalto com abalos menores imaginando se “desta vez” não é “o” terremoto.

Só que o abalo que fez tremer não só a região, como todo o país, não foi o sísmico ainda, veio do esporte. Uma semana após o fim das Olimpíadas, um jogador de futebol americano eventualmente fora dos holofotes da NFL (a liga profissional dos EUA) causou furor ao se recusar a cantar o hino nacional antes de uma partida.

Foi Colin Kaepernick, quarterback do tradicional San Francisco 49ers.

E ele não apenas não cantou como sequer ficou de pé durante toda a execução.

Depois ele explicou o que para muitos, a princípio, pareceu um gesto antipatriótico:

“Eu não vou ficar de pé para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime pessoas negras e pessoas de cor.”

Imaginem a repercussão de tal atitude em uma nação ultranacionalista como a norte-americana. Isso em meio a uma campanha presidencial que faz recrudescer a tensão racial no país por conta da absurda postura, diversas vezes resvalando para o racismo, do incrível candidato republicano Donald Trump, um “multi-hiper-ultra” milionário branco que defende, entre outras coisas, a expulsão de imigrantes já no primeiro dia de seu suposto mandato.

Veja o alcance disso: mesmo sendo em uma partida de pré-temporada, um amistoso, a atitude de Kaepernic reverberou pelo país como lava expelida por um grande vulcão em erupção.

Tipo o Vesúvio, o Etna…

Primeiro, mesmo com críticas da parte conservadora (racista?) do país, nos dias seguintes ao protesto a camisa do jogador foi a mais procurada na loja oficial da NFL.

Depois, ela que era apenas a 17ª mais vendida do elenco do 49ers, passou ao segundo posto, atrás apenas da camisa customizável da franquia, aquela para que o torcedor insira o próprio nome.

E o mais importante veio nas semanas seguintes: mesmo com o atleta recebendo até ameaças de morte, seu gesto foi se repetindo em outros jogos, foi ganhando a adesão de outros jogadores.

Até a série animada “South Park” está ajudando a viralizar o protesto, exibindo um episódio baseado no San Francisco 49ers.

Os atletas têm essa arma e precisam entender a força que possuem. Que não são apenas marionetes de empresário bilionários, especialmente no caso das grandes ligas profissionais dos EUA.

Atos como o de Kaepernick extrapolam a área esportiva. São questões sociais. Questões de extrema relevância. E questões que o esporte pode ajudar a serem discutidas abertamente por um público imensamente amplo.

Como no caso do protesto público de Colin Kaepernick.

Um lançamento perfeito para um histórico touchdown.

*** *** ***

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Publicado por em 21 de setembro de 2016 em Mundo

 

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