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RIO 2016 ► Paraolimpíadas Rio 2016: os Jogos inesquecíveis

30 set

paraolimpiada_rio_2016Durante a cerimônia de encerramento das Paraolimpíadas Rio 2016, (aliás, o ponto fraco de todo o evento, ao meu ver), Penny Briscoe, que chefiou a delegação britânica, disse ao Channel 4 londrino:

“O clima no campo tem sido fantástico. Os atletas realmente gostaram de competir aqui no Rio. E não apenas por causa do nosso desempenho, mas porque os brasileiros promoveram Jogos Olímpicos fantásticos! ”

Nesses casos, é sempre interessante ouvir a opinião estrangeira PARA os estrangeiros, não preocupada em ferir suscetibilidades por aqui.

E a opinião do dirigente britânico, que certamente ainda tem em mente o trabalho que seu país realizou em 2012, reforça minha ideia de considerar os Jogos Paraolímpicos do Rio superiores aos Jogos Olímpicos. Sem favor algum.

a37fa1bc2f738c04979f8a4f40122538Poderíamos começar argumentando com o número de ingressos vendidos.

E daí poderíamos passar aos resultados. Houve muitos resultados. Os atletas invariavelmente batiam suas marcas, objetivo maior para o evento máximo do esporte, o que não aconteceu na mesma proporção nas Olimpíadas.

E até falaríamos do Tom, o mascote. O Vinícius, mascote olímpico, que me desculpe, mas o Tom, com sua cabeleira verde e amarela que no pódio ganhava a cor da medalha conquistada por cada atleta, roubou a cena: medalha de ouro.

Eu entendo que houve mais histórias, mais heróis, recordes, emoção, mais calor humano…


Houve, principalmente, em minha opinião, mais esporte e menos frescura. Apesar da atenção e da acessibilidade necessárias aos atletas, houve muito menos mimo, menos do complexo de Diva que o COI acaba passando para boa parte de seus atletas. Atletas preocupados apenas em competir e não em se exibir egolatramente.

Não se ouvia praticamente chororô algum. E tudo correu bem. Dizem até os gringos que a Paraolimpíada teve o mais luxuosos evento teste que poderia haver: a Olimpíada finalizada duas semanas antes…

Talvez por isso eu até tenha a impressão de que assisti mais às Paraolimpíadas do que às Olimpíadas, mesmo, infelizmente, com muitos esportes sendo simplesmente ignorados. E seja lá quais motivos venham sendo dados como desculpas, isso prova apenas que, ao menos para a mídia, ainda falta muito para o esporte paraolímpico ser tratado com a igualdade devida e propagada pela própria mídia.

Mas ainda assim nós pudemos ver muito. E se não pudemos “ver muito” literalmente, ao menos acompanhar pela internet. E acompanhar muito da delegação brasileira.

Uma delegação que não se conformava com pouco. Vá perguntar a atletas como os do nosso vôlei sentado, que conseguiu seu melhor resultado na história paraolímpica, mas…

Ou à nossa medalhista de prata no judô Alana Maldonado.

Mas obtivemos ótimos resultados e foi nossa melhor participação. E uma participação cheia de momentos.

O que dizer dos irmãos Fernando e Antônio Leme comemorando o ouro em duplas mistas na bocha? Impossível não ao menos marejar os olhos.

Ou dos também irmãos Ricardo Oliveira e Silvânia Costa, saltando para o ouro na última tentativa de cada um deles, ambos deficientes visuais, categorias T11 (ele) e F11 (ela), cegueira total? Na última tentativa, toda a pressão em cima…

Ou mais um ouro do futebol de 5 dos craques Ricardinho e Jefinho? Como segurar o coração em um futebol onde pode-se manifestar apenas sem a bola rolando? Ainda bem que eu estava no sofá de casa…

Daniel Dias batendo recordes na piscina, o tubarão Clodoaldo Silva se despedindo…

Fora a manhã em que levamos minha princesa ao Estádio Olímpico para acompanharmos o atletismo. Vimos o Brasil conquistar ouro, prata e bronze e a vi ficar de pé para os hinos nacionais, em direção às bandeiras, em respeito aos atletas e suas nações. Como definir essa alegria?

E os recordes mundiais? Os muitos recordes e os atletas superando seus limites, independente de colocação, como não ocorreu na competição olímpica.

Eu vi pessoalmente a britânica Hollie Arnold bater o recorde mundial de arremesso de dardo, categoria F46. Vi o momento em que o dardo voou e ultrapassou a linha do recorde anterior!

E vi o chinês Guangxu Shang voando – quase literalmente – para bater o recorde mundial superado antes pelo brasileiro Mateus Evangelista e nos tirar esse ouro…

Mas teve mais…

Teve a final de rúgbi em cadeira de rodas entre Austrália e Estados Unidos. O que foi aquilo? Duas prorrogações para os australianos repetirem a conquista de Londres, respiração presa até o fim com um ginásio vibrante absolutamente lotado –  e nem havia a menor possibilidade do Brasil estar ali disputando o ouro.

O que dizer da norte-americana Tatyana McFadden, Na classe T54, que correu dos 100m à maratona em sua cadeira de corrida?

Ou dos quatro primeiros colocados dos 1.500m na categoria T13 que seriam ouro, prata e bronze e 4º colocado na Olimpíada?

Como disse, parece que assisti a muitos mais eventos paraolímpicos e me emocionei bem mais.

Eu poderia simplesmente tentar escrever linhas e mais linhas sobre tudo isso que consegui acompanhar de um modo ou de outro, as marcas, os personagens, mas faltaria-me até palavras.

E não quero ficar batendo no clichê da superação – por mais adequada que a palavra fosse neste caso.

Isso porque o esporte paraolímpico é uma indissolúvel mistura de marcas e histórias de seus atletas.

Histórias sem fim.

Histórias que ao menos as brasileiras recordo aqui com os banners divulgados pelo site oficial Brasil 2016 em homenagem aos nossos medalhistas.

Um para cada medalha de uma Paraolimpíada que já é História. E minha História.

E de minha filha também: “Papai, eu não queria que a Olimpíada acabasse…”

Nem eu, querida, nem eu…

***

Quinta-feira – 8 de setembro de 2016

Ricardo Oliveira - Ouro

Daniel Dias - Ouro - 200m Livre S5

Odair Santos - Prata

Bronze - Ítalo Pereira - 100m Costas S7

Sexta-feira – 9 de setembro de 2016

Daniel Martins - Ouro - Atletismo

Lúcia Teixeira - Prata - Judô -57kg

Fábio Bordignon - Prata - Atletismo

Verônica Hipólito - Prata - 100mT38

Natação - Prata - Revezamento 4x50m misto

Phelipe Rodrigues - Prata - Natação - 50m S10

Izabela Campos - Bronze - Atletismo - Lançamento de Disco

Sábado – 10 de setembro de 2016

Claudiney Batista - Ouro - Lançamento de disco F56

Shirlene Coelho - Atletismo - Ouro - Lançamento de dardo F37

Alana Maldonado - Prata - Judo

Antônio Tenório - Prata - Judô

Wilians Araújo - Prata - Judô

Rodrigo Parreira - Bronze - Atletismo - 100m T36

Daniel Dias - Bronze - Natação - 50m Borboleta

Matheus Rheine - Bronze - Natação - 400m

Domingo – 11 de setembro de 2016

Petrucio Ferreira - Ouro - Atletismo - 100m T47

Felipe Gomes - Prata - Atletismo - 100m

Daniel Dias - Prata - Natação - 100m peito

Yohansson Nascimento - bronze - Atletismo - 100m

Teresinha de Jesus - Bronze - Atletismo - 100m

Segunda-feira – 12 de setembro de 2016

Alessandro Silva - Ouro - Lançamento de Disco - F11

Bocha - Ouro - Dupla mista - BC3

Daniel Dias - Ouro - Natação - 50m livre S5

Bocha - Prata - Dupla Mista BC4

Joana Silva - Prata - Natação - 50m livre S5

Atletismo - Revezamento 4x100m - T42-47 - prata

Fábio Bordignon - Prata - Atletismo - 200m T35

Rodrigo Parreira - Prata - Salto em distancia - T36

Talisson Glock - Natação - Bronze

André Brasil - Bronze - Nataçao - 100m borboleta

Terça-feira – 13 de setembro de 2016

Ouro - Atletismo - 4x100m T11-13

Mateus Evangelista - Atletismo - Prata

Odair Santos - Prata - 1500m

Evânio Rodrigues - halterofilismo - prata

André Brasil - Prata - Natação

Phelipe Rodrigues - Bronze - natação

Edson Pinheiro - Atletismo - Bronze

Bruna Alexandre - bronze - tênis de mesa

Quarta-feira – 14 de setembro de 2016

Atletismo - Revezamento 4x100m - T11-13 - prata

Carlos Farrenberg - Natação - Prata

Natação - Prata - Revezamento - 34 pontos

Verônica Hipólito - Atletismo - 400m - T38 - bronze

Lauro Chaman - Ciclismo de Estrada - Bronze - Contrarrelógio C5

Quinta-feira – 15 de setembro de 2016

Daniel Mendes - Bronze - Atletismo 200m

Marinava Nóbrega - Bronze - Atletismo

Caio Ribeiro - Bronze - Canoagem

Sérgio Oliva - Bronze - Hipismo

Sexta-feira – 16 de setembro de 2016

Daniel Dias - Ouro - 50m costas

Silvania Costa - Ouro - Salto em Distancia

Lorena Spoladore - Bronze - Salto em distância

Terezinha Guilhermina - Bronze - 400m

SérgioOliva - Bronze - Hipismo Livre

Futebol de 7 - Bronze

Goalball masculino - Bronze

Sábado – 17 de setembro de 2016

Futebol de 5 - Ouro

Daniel Dias - Ouro - 100m

Lauro Chaman - Prata

Petrucio Ferreira - Prata - 400m

Shirlene Coelho - Prata- Disco

Felipe Gomes - Prata - 400m

Tênis de mesa - Bronze - Feminino

Tênis de Mesa - Bronze - Masc

Natação - Bronze - Revezaento medley 34

VÔlei sentado - Feminino - Bronze

Domingo – 18 de setembro de 2016

Edneusa Dorta - Bronze - Maratona

*** *** ***

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1 comentário

Publicado por em 30 de setembro de 2016 em Esporte, Rio 2016

 

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Uma resposta para “RIO 2016 ► Paraolimpíadas Rio 2016: os Jogos inesquecíveis

  1. Wellington Lopes

    30 de setembro de 2016 at 14:39

    Quando fomos anunciados como sede, vibrei muito. Imaginei: a infraestrutura da cidade vai melhorar, o transporte, a segurança etc. Quando vi que as obras eram destinadas somente aos estádios deixei de vibrar. E não era para manos. O Maracanã recebeu dezenas de obras nos últimos anos. O colégio Paulo de Frontin, aqui na Tijuca, recebeu uma obra nesse período e foi paralisada por falta de grana. É muita sacanagem. Bom, voltando ao que há de bom. Voltei a vibrar e assim como você e minha afilhada também achei que não deveria acabar. Os atletas, tanto nas Olimpíadas e nas Paraolimpíadas, nos levaram a grandes emoções, sobretudo, os atletas portadores de deficiência física. Que lição de vida, de amor próprio e superação. Parabéns por mais um artigo.

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