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FLUMINENSE ► Prejudicado pela arbitragem, Fluminense fica no empate com o Vitória

O cartão vermelho virou cartão de crédito

O cartão vermelho que virou cartão de crédito

Eu poderia escrever sobre esse jogo – o primeiro que pude ver no estádio este ano, um recorde negativo em minha carreira de torcedor – abordando o óbvio, o mais do mesmo: Flu sucumbe a falhas táticas e fracassa novamente.

Mas vi tanto jornalista esportivo limitado, desatento ou descompromissado falando asneira sobre o primeiro gol do Fluminense que não consegui me conter de defender minhas cores argumentando com o óbvio.

E olha que estou de bom humor. Mas é que nessas horas sempre imagino Nelson Rodrigues clamando a plenos pulmões: “Idiotas da objetividade! Idiotas da objetividade!”

O fato é que o Fluminense foi tremendamente prejudicado pela arbitragem do pernambucano Nielson Nogueira Dias na partida contra o Vitória, que terminou empatada em 2 x 2.

No lance do gol de empate do Fluminense, nosso primeiro gol, o zagueiro Victor Ramos, último homem da linha defensiva, já amarelado, puxa clara e acintosamente o atacante Wellington pela camisa quando o 11 tricolor entrava livre na área.

Um lance de cartilha que vale o cartão amarelo em qualquer setor do campo. Ali, muitos até aplicam o vermelho direto. Mas o juiz, pessimamente orientado pelo auxiliar, achou de marcar pênalti e cometeu o crime de não expulsar o zagueiro!

Na cobrança do pênalti, gol.

Dentro ou fora, certo ou errado, isso é uma coisa. Coisa de ver ou não ver – ou ainda de querer ver. Erros ou “erros” que acontecem.

Mas, quando se vê, falta marcada, não se é permitido o direito de não aplicar a lei – que, nesse caso, de puxão, não é interpretativa.

Em hipótese alguma o árbitro poderia ter deixado de expulsar o zagueiro.

Então, ele não errou – ele roubou. Roubou o jogo por não cumprir a lei em relação a uma infração que ele viu, roubou o Fluminense, roubou a mim que paguei para entrar no estádio.

Se roubou sem querer ou querendo não vem ao caso. Se por motivos torpes ou de fraqueza emocional, também não.

Mas Victor Hugo jamais poderia continuar em campo e o Fluminense teria mais que um tempo inteiro com um homem de vantagem.

“Ah, mas marcou o pênalti…”, diriam os idiotas da objetividade.

“Foda-se”, diria eu, simples assim, com perdão pelo termo chulo, o que não tenho o hábito de escrever.

Um pênalti ou uma falta naquela posição, para o Fluminense, não faz muita diferença.

Converter ou não em gol a cobrança da infração, também não.

Tanto que, 11 contra 11, o Vitória quase desempatou logo depois.

Uma coisa é o jogo 11 contra 11. Outra é 11 contra 10 por quase uma hora.

Foi claramente muito pior, mais injustificável, a não expulsão do que a marcação do pênalti. Afinal, a infração ele viu. Já o pênalti ele não tinha certeza, tanto que foi na onda do auxiliar.

O juiz tinha a obrigação de cumprir a regra: marcar a falta e expulsar o zagueiro.

Mesmo que não fizesse gol naquela cobrança de falta, o Fluminense, que já pressionava muito àquela altura, dificilmente deixaria o Maracanã sem os três pontos.

Difícil entender o prejuízo causado pela não expulsão de Victor Ramos?

Ou em algum planeta onde se pratique o futebol é melhor jogar 11 contra 11 do que 11 contra 10?

Em nosso sistema solar, que eu saiba, se pudessem escolher, todos os clubes de todos os astros prefeririam enfrentar 10 jogadores a ganhar um pênalti e seguir jogando 11 contra 11.

Será que nenhum jornalista esportivo é capaz de contextualizar uma situação de jogo simples como essa?

Aparentemente, não. Seja por limitação ou falta de interesse.

Com direito até a um Juca Kfouri dizendo que parou de ver o jogo após a marcação do pênalti – algo que nunca disse ter feito nas 3.882.446.127.345 vezes em que o Corinthians dele foi claramente beneficiado pela arbitragem…

Justiça seja feita, houve exceções, jornalistas que apontaram o duplo erro. Mas sem destacar que o Fluminense foi o principal prejudicado, já que a não expulsão não era caso de interpretação ou de má visão. E ainda foi o “crime” cometido primeiro…

Mas, falando sério, infelizmente essa falta de atenção ao jogo e a suas nuances reflete o nível do jornalismo esportivo brasileiro.

Não há ao jogo o respeito que o jogo deveria merecer por tudo que ele carrega consigo – especialmente no que se refere a dinheiro e paixão.

É tudo muito raso, muito rasteiro, muito sem compromisso, muito atrás do óbvio, do clichê, do casuísmo, resvalando no pouco caso.

O que acaba caindo como estereótipo perfeito dos idiotas da objetividade eternizados pela genialidade de Nelson Rodrigues.

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