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CULTURA ► Como é bom ler Machado de Assis!

Outro dia, por um acaso desses cada vez mais raros na vida, tive a felicidade de encontrar tempo para passá-lo com um de meus melhores prazeres: a leitura!

Sabe aquela leitura descompromissada, casual, do livro que cai em mãos, por puro prazer? Pois é, foi o que aconteceu com “Histórias da Meia-Noite”, do eterno mestre Machado de Assis.

Havia literalmente décadas que eu lera pela última vez um Machado de Assis. E por obrigação escolar ou universitária.

E depois de tantos anos voltar a ler Machado foi como redescobrir o prazer da leitura. Algo que me fez exclamar para mim mesmo:  “Mas como é bom ler Machado de Assis!”

Parece que às vezes esquecemos coisas tão óbvias assim.

A riqueza das construções machadianas, a categoria no uso das palavras, a perspicácia nas observações sociais, a capacidade de levar o leitor a uma viagem fantástica e atemporal ao palco das ações… É de fazer o amante da leitura sentir-se embriagado de prazer.

O livro é uma coletânea de contos originalmente publicados em jornais no final do século 19 e foi lançado pouco após seu primeiro romance, “Insurreição”.

Ou seja: mesmo ainda na fase mais crua de Machado de Assis, sua obra já exalava um talento sem igual.

Cada um dos seis contos do livro tem tramas que giram em torno da ganância. “As Bodas de Luís Duarte”, para mim em particular, é um primor. Com a história toda se desenrolando ao longo de um único dia, Machado nos coloca quase que literalmente como espectadores in loco, testemunhas oculares de um dia especial.

Para usar uma palavra bem em moda: imersão. Mais de 200 anos antes, Machado já levava a capacidade de fazer o leitor imergir em suas páginas ao extremo.

Em dias culturalmente tão medíocres (no sentido pejorativo da palavra), ler – ou reler – Machado de Assis foi também como ouvir uma espécie de despertador que fez lembrar como são eternamente bons os mestres da literatura brasileira.

Vida longa e próspera à obra de Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida, Luís Edmundo, meu cronista predileto João do Rio…

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