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COPA DO MUNDO 2018 ► Tite errou como poucos na Rússia

Eu ia começar a escrever sobre a Copa do Mundo se referindo ao técnico brasileiro à base do “técnico autoajuda”. Mas, apesar de citá-lo, o termo me parece um tanto desrespeitoso e pode parecer a outros um outro tanto de pejorativo. E nada que se escreve por aqui se refere à pessoa, apenas ao treinador e ao seu trabalho à frente da seleção nacional.

Primeiro, em meu ponto de vista, deixo claro que entendo que o Brasil está para o futebol assim como os EUA estão para o basquete. Pela quantidade nitidamente superior de jogadores de qualidade que possui e que surge a cada temporada, nem um nem outro país pode entrar nas principais competições desses esportes achando que será cobrado como os demais países sem tantos recursos humanos. Por isso não por que se contentar com pouco.

Não que, no caso específico do Brasil, o país seja obrigado a vencer todas as Copas. Claro que não é isso. Só que não pode apresentar uma produção chinfrim como a que temos visto a cada quatro anos.

Mas isso é um problema macro do nosso esporte. Aqui as linhas são apenas sobre 2018.

Não me lembro de algum outro técnico de seleção brasileira ter errado tanto em uma competição mundial como o atual treinador da CBF.

Já havia visto de tudo: seleções convocadas equivocadamente, mal escaladas, falta de pulso, teimosia, passividade, invenções etc.

Mas Tite reuniu quase tudo em um único pacote. Ou combo, para usar uma palavra mais na moda.

Escolhido também – e talvez principalmente – para servir de escudo para os escusos cartolas que gerem o futebol nacional, Tite recebeu carta branca para agir e talvez por isso tenha acabado trocando os pés pelas mãos.

Ou no caso dele seja melhor dizer pela cabeça.

Entre diversos equívocos, sua convocação foi falha. Com nomes e critérios no mínimo discutíveis.

Levou jogadores machucados sem qualquer justificativa plausível. Nenhum deles era Pelé, Cruiff ou Maradona. Longe, mas muito longe disso mesmo.

Convocou jogadores de” confiança” que não deveriam estar em uma Copa do Mundo defendendo a seleção brasileira, até porque havia opções melhores e mais experimentadas em confrontos internacionais à disposição – mas opções que não haviam trabalhado com Tite e por isso não eram de sua confiança.

Levou atletas nos quais aparentemente jamais teve qualquer intenção ou confiança de escalar de saída ou utilizar como alternativa de jogo.

Deixou buracos óbvios em seu elenco, que entre outras carências não tinha centroavante de ofício nem armador de qualidade.

Com seu critério (?) deixou no Brasil jogadores quase unanimidades nacionais pela grande fase que vivem já há mais de ano para levar nomes também quase unânimes, mas pelo motivo oposto.

NÃO PODE TREINADOR DA SELEÇÃO BRASILEIRA OLHAR PARA O BANCO E NÃO ENCONTRAR OPÇÕES PARA ALTERAR O TIME E MUDAR O JOGO!

Permitiu a reedição do oba-oba de 2006 na concentração brasileira. Algo claro, víamos todos os dias através dos portais da internet e das mídias sociais, mas a que nossa imprensa estranhamente preferiu fazer vistas grossas.

Mostrou ao longo do torneio que seu time não tinha qualquer plano B de ação e viu-se constrangedoramente surpreendido por treinadores que apenas faziam o óbvio e adaptavam seus times – inferiores – ao jogo do adversário melhor qualificado.

Ainda se mostrou extremamente permissivo e passivo ante a prima-dona que atende pelo nome de Neymar e que jamais demonstrou qualquer compromisso ou interesse sério de fazer o melhor para a seleção brasileira e não apenas para si. Chegando ao cúmulo de impedir de maneira quase que patética que sua estrela respondesse a questionamentos da imprensa em coletiva oficial após uma partida.

Tite reuniu seus méritos para dirigir o time brasileiro pelos resultados que alcançou no futebol nacional. Mais especificamente comandando o Corinthians. O que não quer dizer que sua escolha não devesse ser questionada por algo absolutamente cristalino para quem acompanhou suas vitoriosas campanhas: o futebol eficiente, mas normalmente de uma nota só, de seus times pouco tem a ver com o que o torcedor gosta de ver e que a imprensa tanto cobra na seleção nacional.

Ou já nos esquecemos das goleadas de 1 x 0 e da fama de “empaTite”?

Mas ele veio do Timão, o que garante benevolência principalmente da influente imprensa paulista. Fora seu jeito, educado, cortês e manso de falar que tanta simpatia gera no meio do futebol e a quem mais o esteja ouvindo.

Só que nada disso se traduziu em um futebol convincente e a participação da seleção brasileira na Rússia foi fraca, quase um vexame para o que deveria ser nosso nível de exigência.

Sofreu para empatar na estreia contra a mediana Suíça. Sofreu novamente depois para vencer uma velha e fraca Costa Rica. Conseguiu uma vitória padrão contra uma limitada Sérvia que preciso jogar fora de seu estilo, saindo para o jogo e se abrindo na defesa. Achou um bom segundo tempo contra o México depois de ser surpreendido na primeira meia hora de jogo, quando poderia sofrer um revés difícil de ser revertido, não fossem as óbvias limitações mexicanas. E do mesmo modo foi inteiramente pego de calças nas mãos (velha essa…) no primeiro tempo contra a Bélgica, quando poderia ter saído para o vestiário com uma goleada nas costas.

Acho que nenhum treinador das Copas que acompanhei errou desse jeito assim. Nem Coutinho levando Chicão para a Argentina, deixando Falcão no Brasil e inventando um jovem Edinho de lateral-esquerdo. Ou o perseguido Lazaroni que afrontou a imprensa com um esquema diferente e deixou a Itália ao menos com uma grande atuação contra a Argentina, mas uma atuação absolutamente sabotada pelo caminhão de gols perdidos pelos atacantes brasileiros. Nem Felipão com todo seu 10 x 1 nas costas de 2014 somou erros tão múltiplos – ou talvez apenas Felipão 2014 possa rivalizar cm Tite.

Até pelo fato da CBF estar preocupada com muito mais coisas do que apenas futebol, Tite terá chance de se redimir – se bem que aparentemente sem a mesma autonomia. O que é bom. treinador nacional é para treinar jogadores.

Mas para dar a volta por cima e mostrar que pode ser um técnico de nível internacional, Tite terá que baixar a bola e colocar em prática o jeito humilde de seus discursos. Entender que seleção não é clube e se tocar que Copa do Mundo não é uma liga de pontos corridos. E saber que treinador da mais importante seleção do planeta não é para ficar passando a mão na cabeça de jogador na maior competição do velho e ainda apaixonante esporte bretão.

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  1. Wellington Lopes
    25 de julho de 2018 às 11:20

    Tirou daqui. rsrsrs

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