FUTEBOL ► Fla-Flu: um “Ai, Jesus!”? Não, um vexame!

Não, não vou tripudiar sobre mais uma decisiva atuação de Marcelo de Lima Henrique pró-Flamengo. Mas caramba, como esse senhor dá sorte ao Mengão, hein? E desta vez com apenas 1’ (isso mesmo: 1min… ou 1 minuto… ou um minuto…como queiram) ele já influenciava no rumo da partida.

Mas sobre isso realmente não pretendo me alongar, até porque nada é tão pouco previsível no futebol do que uma trágica atuação de Marcelo de Lima Henrique em um clássico envolvendo o Flamengo. Coincidentemente, atuações normalmente trágicas para os adversários do Rubro-Negro. Certo, Vasco? Botafogo…? Dizem que o futebol é uma caixinha de surpresas. Bem, com Marcelo de Lima Henrique não costuma ser, não…

Enfim, acredite se quiser, mas no Fla-Flu do recente 27 de março Marcelo de Lima Henrique foi o menos pior em campo. Sério! Bem piores foram os dois bandos de supostos jogadores profissionais que envergaram (ou envergonharam?) duas tradicionais camisas do futebol brasileiro agindo como moleques e protagonizando um espetáculo absolutamente repugnante de pontapés, reclamações, valentia, macheza, malandragem e tudo mais o que se queira imaginar e que nada tenha a ver com futebol.

Futebol que, a propósito, não foi visto em campo. Continue lendo

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COPA DO MUNDO 2018 ► O que a torcida brasileira na Rússia escancara sobre o país

Para usar uma expressão na moda, “precisamos falar sobre” os torcedores brasileiros no Mundial 2018.

Eu não sou lá muito afeito a me deixar levar por situações tipo se espantar facilmente com coisas que espantam uma pessoal normal, mas confesso que não pude evitar de me sentir um tanto chocado – apesar do fato em si em absolutamente nada me surpreender.

Assistir pela TV à torcida brasileira na recém-finda Copa do Mundo disputada na Rússia explica demais o país em que vivemos.

Somos um povo majoritariamente formado por negros e pardos. Além até do que as estatísticas mostram.

Mas um desavisado alienígena que desembarcasse nas terras da antiga União Soviética e visse os torcedores brasileiros no Mundial jamais imaginaria isso. Continue lendo

FUTEBOL ► “O Árbitro”, por Eduardo Galeano

“O árbitro é arbitrário por definição. Este é o abominável tirano que exerce sua ditadura sem oposição possível e o verdugo afetado que exerce seu poder absoluto com gestos de ópera.

Apito na boca, o árbitro sopra os ventos da fatalidade do destino e confirma ou anula os gols. Cartão na mão, levanta as cores da condenação: o amarelo, que castiga o pecador e o obriga ao arrependimento, ou o vermelho, que o manda para o exílio.

Os bandeirinhas, que ajudam, mas não mandam, olham de fora. Só o árbitro entra em campo; e com toda razão se benze ao entrar, assim que surge diante da multidão que ruge. Seu trabalho consiste em se fazer odiar.

Única unanimidade do futebol: todos o odeiam. É vaiado sempre, jamais é aplaudido.

Ninguém corre mais do que ele. É o único obrigado a correr o tempo todo. Continuar lendo…

FUTEBOL ► A Chapecoense e eu: modesta homenagem de um tricolor

Quarta-feira, 23 de novembro de 2016. Atlético Mineiro e Grêmio jogavam a primeira partida da final da Copa do Brasil no Mineirão. Onde trabalho à noite, todas as estações de edição estavam com seus monitores de televisão sintonizados no clássico.

A TV na minha estação, não. Enquanto trabalhava, eu, torcedor do Fluminense desde antes de nascer, ficava de olho na telinha que mostrava o duelo entre a Chapecoense e o San Lorenzo argentino, segunda partida da semifinal da Copa Sul-Americana.

Coração na mão como se ao lado do verde e branco um grená houvesse.

E quase saltei da cadeira quando o goleiro Danilo garantiu a vaga na grande decisão ao defender com o pé um chute da pequena área no lance final da partida. Um feito inédito e merecido para um clube de uma pequena cidade que trabalha com extrema organização e competência para se manter na principal competição do futebol brasileiro.

Um resultado que me deixou particularmente contente, diria até que infantil ou ingenuamente contente, pois tenho com a Chapecoense uma ligação afetiva que vem dos tempos de criança.

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RIO 2016 ► Paraolimpíadas Rio 2016: os Jogos inesquecíveis

paraolimpiada_rio_2016Durante a cerimônia de encerramento das Paraolimpíadas Rio 2016, (aliás, o ponto fraco de todo o evento, ao meu ver), Penny Briscoe, que chefiou a delegação britânica, disse ao Channel 4 londrino:

“O clima no campo tem sido fantástico. Os atletas realmente gostaram de competir aqui no Rio. E não apenas por causa do nosso desempenho, mas porque os brasileiros promoveram Jogos Olímpicos fantásticos! ”

Nesses casos, é sempre interessante ouvir a opinião estrangeira PARA os estrangeiros, não preocupada em ferir suscetibilidades por aqui.

E a opinião do dirigente britânico, que certamente ainda tem em mente o trabalho que seu país realizou em 2012, reforça minha ideia de considerar os Jogos Paraolímpicos do Rio superiores aos Jogos Olímpicos. Sem favor algum.

a37fa1bc2f738c04979f8a4f40122538Poderíamos começar argumentando com o número de ingressos vendidos.

E daí poderíamos passar aos resultados. Houve muitos resultados. Os atletas invariavelmente batiam suas marcas, objetivo maior para o evento máximo do esporte, o que não aconteceu na mesma proporção nas Olimpíadas.

E até falaríamos do Tom, o mascote. O Vinícius, mascote olímpico, que me desculpe, mas o Tom, com sua cabeleira verde e amarela que no pódio ganhava a cor da medalha conquistada por cada atleta, roubou a cena: medalha de ouro.

Eu entendo que houve mais histórias, mais heróis, recordes, emoção, mais calor humano…

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RIO 2016 ► O protesto etíope da Paraolimpíada: “Eu não voltarei para casa porque, se eu voltar, serei morto.”

paraolimpiada_rio_2016Escrevi por aqui, como meu destaque olímpico, o protesto feito pelo maratonista etíope Feyisa Lilesa, denunciando arbitrariedades e crimes cometidos pelo governo de seu país.

Agindo assim, Feyisa Lilesa colocou em risco a própria vida como a de seus familiares.
Quanto aos familiares, não se sabe como estão. Já Feyisa ainda não teve coragem de voltar para casa. Por mais que o governo etíope tenha lhe dado garantias, ele não confia muito nisso.

Eu também não confiaria.

Por ora, Feyisa Lilesa está exilado em Nova York, decidindo o próximo passo de sua vida.

Mas o maratonista olímpico não foi o único atleta do país a aproveitar a visibilidade de um grande evento para denunciar ao mundo o mal que assola sua terra e se manifestar em defesa do povo Oromo.

tamiru-demisse Tamiru Demisse cruza os punhos na chegada dos 1.500m rasos,
categoria T13, dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeirotamiru-demisse-2

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