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Archive for the ‘Esporte’ Category

FUTEBOL ► “O Árbitro”, por Eduardo Galeano

“O árbitro é arbitrário por definição. Este é o abominável tirano que exerce sua ditadura sem oposição possível e o verdugo afetado que exerce seu poder absoluto com gestos de ópera.

Apito na boca, o árbitro sopra os ventos da fatalidade do destino e confirma ou anula os gols. Cartão na mão, levanta as cores da condenação: o amarelo, que castiga o pecador e o obriga ao arrependimento, ou o vermelho, que o manda para o exílio.

Os bandeirinhas, que ajudam, mas não mandam, olham de fora. Só o árbitro entra em campo; e com toda razão se benze ao entrar, assim que surge diante da multidão que ruge. Seu trabalho consiste em se fazer odiar.

Única unanimidade do futebol: todos o odeiam. É vaiado sempre, jamais é aplaudido.

Ninguém corre mais do que ele. É o único obrigado a correr o tempo todo. Continuar lendo…

FUTEBOL ► A Chapecoense e eu: modesta homenagem de um tricolor

29 de novembro de 2016 1 comentário

Quarta-feira, 23 de novembro de 2016. Atlético Mineiro e Grêmio jogavam a primeira partida da final da Copa do Brasil no Mineirão. Onde trabalho à noite, todas as estações de edição estavam com seus monitores de televisão sintonizados no clássico.

A TV na minha estação, não. Enquanto trabalhava, eu, torcedor do Fluminense desde antes de nascer, ficava de olho na telinha que mostrava o duelo entre a Chapecoense e o San Lorenzo argentino, segunda partida da semifinal da Copa Sul-Americana.

Coração na mão como se ao lado do verde e branco um grená houvesse.

E quase saltei da cadeira quando o goleiro Danilo garantiu a vaga na grande decisão ao defender com o pé um chute da pequena área no lance final da partida. Um feito inédito e merecido para um clube de uma pequena cidade que trabalha com extrema organização e competência para se manter na principal competição do futebol brasileiro.

Um resultado que me deixou particularmente contente, diria até que infantil ou ingenuamente contente, pois tenho com a Chapecoense uma ligação afetiva que vem dos tempos de criança.

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RIO 2016 ► Paraolimpíadas Rio 2016: os Jogos inesquecíveis

30 de setembro de 2016 1 comentário

paraolimpiada_rio_2016Durante a cerimônia de encerramento das Paraolimpíadas Rio 2016, (aliás, o ponto fraco de todo o evento, ao meu ver), Penny Briscoe, que chefiou a delegação britânica, disse ao Channel 4 londrino:

“O clima no campo tem sido fantástico. Os atletas realmente gostaram de competir aqui no Rio. E não apenas por causa do nosso desempenho, mas porque os brasileiros promoveram Jogos Olímpicos fantásticos! ”

Nesses casos, é sempre interessante ouvir a opinião estrangeira PARA os estrangeiros, não preocupada em ferir suscetibilidades por aqui.

E a opinião do dirigente britânico, que certamente ainda tem em mente o trabalho que seu país realizou em 2012, reforça minha ideia de considerar os Jogos Paraolímpicos do Rio superiores aos Jogos Olímpicos. Sem favor algum.

a37fa1bc2f738c04979f8a4f40122538Poderíamos começar argumentando com o número de ingressos vendidos.

E daí poderíamos passar aos resultados. Houve muitos resultados. Os atletas invariavelmente batiam suas marcas, objetivo maior para o evento máximo do esporte, o que não aconteceu na mesma proporção nas Olimpíadas.

E até falaríamos do Tom, o mascote. O Vinícius, mascote olímpico, que me desculpe, mas o Tom, com sua cabeleira verde e amarela que no pódio ganhava a cor da medalha conquistada por cada atleta, roubou a cena: medalha de ouro.

Eu entendo que houve mais histórias, mais heróis, recordes, emoção, mais calor humano…

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RIO 2016 ► O protesto etíope da Paraolimpíada: “Eu não voltarei para casa porque, se eu voltar, serei morto.”

20 de setembro de 2016 1 comentário

paraolimpiada_rio_2016Escrevi por aqui, como meu destaque olímpico, o protesto feito pelo maratonista etíope Feyisa Lilesa, denunciando arbitrariedades e crimes cometidos pelo governo de seu país.

Agindo assim, Feyisa Lilesa colocou em risco a própria vida como a de seus familiares.
Quanto aos familiares, não se sabe como estão. Já Feyisa ainda não teve coragem de voltar para casa. Por mais que o governo etíope tenha lhe dado garantias, ele não confia muito nisso.

Eu também não confiaria.

Por ora, Feyisa Lilesa está exilado em Nova York, decidindo o próximo passo de sua vida.

Mas o maratonista olímpico não foi o único atleta do país a aproveitar a visibilidade de um grande evento para denunciar ao mundo o mal que assola sua terra e se manifestar em defesa do povo Oromo.

tamiru-demisse Tamiru Demisse cruza os punhos na chegada dos 1.500m rasos,
categoria T13, dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeirotamiru-demisse-2

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RIO 2016 ► Minha Olimpíada resumida esporte a esporte

19 de setembro de 2016 2 comentários

rio_2016Bem, as Paraolimpíadas (me recuso a digitar Paralimpíada, viola nossa língua…) terminaram e eu não terminei de registrar o que gostaria sobre as Olimpíadas Rio 2016. Mas vou preencher essa lacuna hoje.

Decidi escrever um pouco sobre cada esporte do programa olímpico. Sem maior profundidade ou compromisso. Mas algo que ajude a me lembrar do que acompanhei em mais uma edição de Jogos Olímpicos.

Já disse como eu gosto de Jogos Olímpicos? Pois é. E aqui em casa isso vai passar à próxima geração: minha princesa de 5 anos está arrasada com o fim das Olimpíadas e das Paraolimpíadas. Puxou o pai…

Atletismo – O rei dos reis das modalidades olímpicas. Se os Jogos Olímpicos pudessem ser resumidos em uma modalidade, essa seria o atletismo. Assisto a tudo que posso. Da confirmação da lenda Bolt à surpresa brasileira de Thiago Braz, tudo tem um ar épico em um estádio olímpico. Apesar da medalha solitária de Thiago, o Brasil teve resultados bem razoáveis, com um número relevante de finalistas em relação a competições anteriores. Sempre uma modalidade 10, nota 10!

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RIO 2016 ► Renaud Lavillenie e a triste arte de reforçar um estereótipo negativo

8 de setembro de 2016 1 comentário

rio_2016Renaud Lavillenie, o francês chorão, medalha de prata no salto com vara na Rio 2016, viola o princípio que eu considero básico do esporte de competição: o da superação.

É de uma geração de atletas mimados que hoje existem em diversos esportes. Inclusive no atletismo.

Atletas padrão Fifa, uma entidade que considera que esporte deve ser disputado em uma atmosfera teatral, com os competidores assumindo ares de diva.

Uma grande estupidez.

Porque o que todo mundo gosta de ver em um grande campeão é capacidade de superação. Superação de tempo, ambiente, condições de pista, campo, adversários, torcida, arbitragem…

E Lavillenie está longe de ser capaz disso.

Porque é um fraco.

Quem é o francês na foto?

Quem é o francês na foto?

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