FUTEBOL ► Internacional x Luverdense é mais uma pá de cal sobre o cadáver do futebol brasileiro

A esta altura todo mundo que acompanha futebol já sabe da lambança que ocorreu no final da partida do Internacional contra o Luverdense em Porto Alegre por mais uma rodada da série B do Campeonato Brasileiro.

O Internacional tropeçava mais uma vez em casa, novamente com um futebol sôfrego, com seu capitão D’Alessandro às raias da histeria, quando a arbitragem entrou em ação e deu um decisivo gol da vitória no final da prorrogação.

É, porque todo jogo em casa do Colorado na série B tem prorrogação…

O lance, sinteticamente: um atacante foi lançado em posição de impedimento e partiu em direção à bola. O auxiliar levantou a bandeira, o juiz não entendeu ou não concordou, o auxiliar se arrependeu ou quis confirmar – não importa o que ele diga depois, o que vale é a impressão que ele passou na hora – e simplesmente invadiu o campo acenando seu instrumento de trabalho e desviando toda a atenção da zaga do Luverdense, que parou no lance enquanto Sua Senhoria pateticamente tentava mandar o jogo seguir.

Lance de pelada.

Só que em pelada isso dá até em tiro. Continue lendo

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FUTEBOL ► Frágil punição ao Vasco incentiva violência nos campos do país

Me desculpe meu compadre, me desculpe minha esposa, me desculpem vascaínos queridos afins, mas a pena imposta ao Vasco pelo vandalismo na partida contra o Flamengo realizada em São Januário é um sinal verde para a violência – já exacerbada – que ronda o futebol brasileiro.

Seis jogos de punição, com perda de mando de campo, não é uma pena – é uma piada.

De mau gosto.

Daqui a duas semanas esses seis jogos viram duas cestas básicas.

Outra piada de mau gosto – mas esta ao menos não ameaça o torcedor.

E ninguém foi preso, claro. Continue lendo

FUTEBOL ► Nada justifica que nos dias atuais o futebol brasileiro não adote o calendário europeu, só a vocação para perder dinheiro

Há muito tempo discute-se a necessidade do futebol brasileiro adotar o calendário europeu, mas sempre há vozes retrógradas e até carregadas de um bobo nacionalismo que se levantam em contrário. No profissionalismo globalizado de hoje, não adotar o calendário europeu é desperdício de dinheiro e de possibilidade de internacionalizar a marca dos nossos clubes. Fora a questão de que isso permitiria um maior planejamento para o Brasileirão, que tanto sofre com o sem número de jogadores transferidos para o Velho Mundo no meio do campeonato.

Eu cresci tentando acompanhar pelos jornais e pelo radinho de pilha os muitos amistosos que o Fluminense fazia fora do país, em especial na Europa, mas até no continente africano, e nos meses de julho e agosto. O Fluminense e todos os grandes do futebol nacional. Hoje, pesquisando o passado, é fácil observar que desde os anos 1950 até os clubes de menor expressão estavam sempre na estrada. No Rio de Janeiro, não era raro Bonsucesso, Bangu e Madureira aventurarem-se além-mar atrás de faturamento. Sempre foi assim. Até a já quase ditatorial gestão de Ricardo Teixeira à frente da CBF.

Coincidência ou não, de lá para cá o calendário brasileiro passou a não dar brechas aos clubes para faturar em excursões ao exterior. Pior: com o recesso europeu ocorrendo justo no momento em que o campeonato nacional engrena, passamos a sofrer com o até patético desmantelamento de nossos maiores clubes em meio à competição. A tal ponto que virou lugar comum dizer que o campeonato brasileiro só começa de verdade após o fim da janela de transferência do mercado europeu e do impacto que isso provoca por aqui. Ridículo.

Mas o que mais me irrita, particularmente, não é nem a perda de jogadores no meio da principal competição do futebol mais vezes campeão do mundo. É perder a oportunidade de internacionalizar o nome dos clubes brasileiros numa época globalizada e marcada por inúmeros torneios e amistosos internacionais na Europa, na Ásia e na América do Norte.

Assim, fomos obrigados a ver no pós-Copa do Mundo deste ano, por exemplo, um sem número de partidas envolvendo grandes clubes europeus e outros nem tanto de países nossos sul-americanos, mexicanos e até do segundo escalão do Velho Mundo.

Bastaria à CBF ter um mínimo de respeito e atenção com nosso futebol para adequar nosso calendário ao europeu. Assim nossos clubes poderiam, como nos velhos tempos, “fazer a Europa”. Poderiam, inclusive, sem muita dificuldade, contando apenas com competência e criatividade, fazer uma pré-temporada lá fora, se preparando para o Brasileirão e faturando um bom troco disputando jogos-treinos e amistosos em gramados estrangeiros, fossem nos EUA, na Europa..

Um dia, quem sabe a gente chega lá. Mas com certeza não será na gestão Ricardo Teixeira, porque não interesse para isso.

É minha opinião.