FUTEBOL ► A Chapecoense e eu: modesta homenagem de um tricolor

29 de novembro de 2016 1 comentário

Quarta-feira, 23 de novembro de 2016. Atlético Mineiro e Grêmio jogavam a primeira partida da final da Copa do Brasil no Mineirão. Onde trabalho à noite, todas as estações de edição estavam com seus monitores de televisão sintonizados no clássico.

A TV na minha estação, não. Enquanto trabalhava, eu, torcedor do Fluminense desde antes de nascer, ficava de olho na telinha que mostrava o duelo entre a Chapecoense e o San Lorenzo argentino, segunda partida da semifinal da Copa Sul-Americana.

Coração na mão como se ao lado do verde e branco um grená houvesse.

E quase saltei da cadeira quando o goleiro Danilo garantiu a vaga na grande decisão ao defender com o pé um chute da pequena área no lance final da partida. Um feito inédito e merecido para um clube de uma pequena cidade que trabalha com extrema organização e competência para se manter na principal competição do futebol brasileiro.

Um resultado que me deixou particularmente contente, diria até que infantil ou ingenuamente contente, pois tenho com a Chapecoense uma ligação afetiva que vem dos tempos de criança.

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FLUMINENSE ► Prejudicado pela arbitragem, Fluminense fica no empate com o Vitória

30 de outubro de 2016 Deixe um comentário
O cartão vermelho virou cartão de crédito

O cartão vermelho que virou cartão de crédito

Eu poderia escrever sobre esse jogo – o primeiro que pude ver no estádio este ano, um recorde negativo em minha carreira de torcedor – abordando o óbvio, o mais do mesmo: Flu sucumbe a falhas táticas e fracassa novamente.

Mas vi tanto jornalista esportivo limitado, desatento ou descompromissado falando asneira sobre o primeiro gol do Fluminense que não consegui me conter de defender minhas cores argumentando com o óbvio.

E olha que estou de bom humor. Mas é que nessas horas sempre imagino Nelson Rodrigues clamando a plenos pulmões: “Idiotas da objetividade! Idiotas da objetividade!”

O fato é que o Fluminense foi tremendamente prejudicado pela arbitragem do pernambucano Nielson Nogueira Dias na partida contra o Vitória, que terminou empatada em 2 x 2.

No lance do gol de empate do Fluminense, nosso primeiro gol, o zagueiro Victor Ramos, último homem da linha defensiva, já amarelado, puxa clara e acintosamente o atacante Wellington pela camisa quando o 11 tricolor entrava livre na área.

Um lance de cartilha que vale o cartão amarelo em qualquer setor do campo. Ali, muitos até aplicam o vermelho direto. Mas o juiz, pessimamente orientado pelo auxiliar, achou de marcar pênalti e cometeu o crime de não expulsar o zagueiro!

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FLUMINENSE ► O Fluminense 2016: a vantagem de ser invisível – mas pode chamar de “Só a Baixada salva o Fluminense do Levir Culpi!”

17 de outubro de 2016 Deixe um comentário

Eu estava evitando escrever sobre o Fluminense. Ando ocupado, tenho ainda pouca tolerância com o errado… Mas é o Fluminense. E são registros meus.

Querendo ou não, parte de mim, de minha vida. Então acabei até me perdendo em teclas, mais ou menos como nosso treinador em relação ao time, tentando entender o ano tricolor. Um ano estranho, mambembe, sem Maracanã, ouvindo minha princesa de 5 anos perguntar a toda hora: “Papai, quando vamos no jogo no Fluminense outra vez?”

O Fluminense fez – ou faz – quase tudo errado neste Brasileirão de 2016. Ou quase tudo para que estivesse fazendo um mau campeonato.

No início, o time era um dos apontados como favorito para brigar em cima. Carecia de um meia (que eu, inclusive, dizia que Diego, ex-Santos, era um ótimo nome disponível – o Flamengo também achou isso…), um lateral esquerdo (Fábio Santos estava dando sopa, o Galo pegou…). mas havia grupo com nomes e razoável talento suficientes para conseguir algo mais do que apenas fazer figuração.

De repente, viu-se sem seus dois jogadores que poderiam fazer uma diferença a mais, que o colocavam naquele patamar acima. Direta ou indiretamente, pelas mãos do treinador Levir Culpi o Flu perdeu Diego Souza e Fred.

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RIO 2016 ► Paraolimpíadas Rio 2016: os Jogos inesquecíveis

30 de setembro de 2016 1 comentário

paraolimpiada_rio_2016Durante a cerimônia de encerramento das Paraolimpíadas Rio 2016, (aliás, o ponto fraco de todo o evento, ao meu ver), Penny Briscoe, que chefiou a delegação britânica, disse ao Channel 4 londrino:

“O clima no campo tem sido fantástico. Os atletas realmente gostaram de competir aqui no Rio. E não apenas por causa do nosso desempenho, mas porque os brasileiros promoveram Jogos Olímpicos fantásticos! ”

Nesses casos, é sempre interessante ouvir a opinião estrangeira PARA os estrangeiros, não preocupada em ferir suscetibilidades por aqui.

E a opinião do dirigente britânico, que certamente ainda tem em mente o trabalho que seu país realizou em 2012, reforça minha ideia de considerar os Jogos Paraolímpicos do Rio superiores aos Jogos Olímpicos. Sem favor algum.

a37fa1bc2f738c04979f8a4f40122538Poderíamos começar argumentando com o número de ingressos vendidos.

E daí poderíamos passar aos resultados. Houve muitos resultados. Os atletas invariavelmente batiam suas marcas, objetivo maior para o evento máximo do esporte, o que não aconteceu na mesma proporção nas Olimpíadas.

E até falaríamos do Tom, o mascote. O Vinícius, mascote olímpico, que me desculpe, mas o Tom, com sua cabeleira verde e amarela que no pódio ganhava a cor da medalha conquistada por cada atleta, roubou a cena: medalha de ouro.

Eu entendo que houve mais histórias, mais heróis, recordes, emoção, mais calor humano…

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MUNDO ► O (bom) terremoto provocado pelo quarterback Colin Kaepernick

21 de setembro de 2016 Deixe um comentário
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O quarterback Colin Kaepernick fazendo um de seus maiores lançamentos

Grandes eventos esportivos são oportunidades únicas de se fazer ouvir pelo mundo inteiro com uma certa proteção. Assim como os etíopes citados na postagem anterior fizeram na Rio 2016.

E os atletas estão começando a perceber isso de uma forma mais clara.

A área de São Francisco, nos Estados Unidos, está destinada a um grande terremoto. Infelizmente. É uma questão geológica. O povo vive em sobressalto com abalos menores imaginando se “desta vez” não é “o” terremoto.

Só que o abalo que fez tremer não só a região, como todo o país, não foi o sísmico ainda, veio do esporte. Uma semana após o fim das Olimpíadas, um jogador de futebol americano eventualmente fora dos holofotes da NFL (a liga profissional dos EUA) causou furor ao se recusar a cantar o hino nacional antes de uma partida.

Foi Colin Kaepernick, quarterback do tradicional San Francisco 49ers.

E ele não apenas não cantou como sequer ficou de pé durante toda a execução.

Depois ele explicou o que para muitos, a princípio, pareceu um gesto antipatriótico:

“Eu não vou ficar de pé para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime pessoas negras e pessoas de cor.” Continue lendo…

RIO 2016 ► O protesto etíope da Paraolimpíada: “Eu não voltarei para casa porque, se eu voltar, serei morto.”

20 de setembro de 2016 1 comentário

paraolimpiada_rio_2016Escrevi por aqui, como meu destaque olímpico, o protesto feito pelo maratonista etíope Feyisa Lilesa, denunciando arbitrariedades e crimes cometidos pelo governo de seu país.

Agindo assim, Feyisa Lilesa colocou em risco a própria vida como a de seus familiares.
Quanto aos familiares, não se sabe como estão. Já Feyisa ainda não teve coragem de voltar para casa. Por mais que o governo etíope tenha lhe dado garantias, ele não confia muito nisso.

Eu também não confiaria.

Por ora, Feyisa Lilesa está exilado em Nova York, decidindo o próximo passo de sua vida.

Mas o maratonista olímpico não foi o único atleta do país a aproveitar a visibilidade de um grande evento para denunciar ao mundo o mal que assola sua terra e se manifestar em defesa do povo Oromo.

tamiru-demisse Tamiru Demisse cruza os punhos na chegada dos 1.500m rasos,
categoria T13, dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeirotamiru-demisse-2

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